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Respeito aos Waimiri-Atroari

A crítica https://www.acritica.com
21 de jun de 2019

Causa estranheza que os Waimiri-Atroari, que atualmente vivem em áreas do Amazonas e Roraima, precisem recorrer à Justiça para que tenham reconhecido o direito de serem ouvidos sobre uma obra que vai atravessar o território deles, com evidentes impactos. Trata-se da extensão do Linhão de Tucuruí, que deve partir de Manaus e levar energia a Roraima.

A obra é necessária, principalmente para o povo roraimense, único Estado brasileiro que ainda está fora do sistema interligado nacional, que abastece de energia o País inteiro. Mas o respeito aos indígenas da Nação Waimiri-Atroari, que já era uma nação muito antes de o Brasil se organizar como País, precisa ser observado.

Todos os indígenas do Brasil são dignos de respeito e tratamento adequado por parte do Estado, mas o caso dos Waimiri-Atroari reveste-se de simbolismo porque se trata de uma nação de sobreviventes. Não podemos esquecer que eles quase foram dizimados na época da abertura da estrada BR-174 (Manaus - Boa Vista), na década de 70. Naquele tempo, o regime militar via apenas duas formas para tratar a questão indígena: eles deveriam ser pacificados, isto é, transformados em bons cristãos, ou exterminados. E o extermínio aconteceu. Em poucos anos, uma população de milhares de indivíduos foi reduzida a pouco mais de 300. Isso sem falar que 30 mil hectares de suas terras foram alagados com a construção da Usina Hidrelétrica de Balbina no final da década de 1980.

Mas eles lutaram para se manter vivos, com suas tradições e modo de vida. Sobreviveram quando tantos outros grupos indígenas desapareceram no processo de ocupação da Amazônia.

Em 2003, comemoraram o nascimento do milésimo Waimiri-Atroari, o menino Iawyraky (lutador), fato que, para eles, significou a confirmação de que os dias de terror haviam ficado para trás. Na época, o cacique Mario Parué, afirmou que, diferente do que pensam alguns, eles não querem "ser integrados" à sociedade não-índia, querem apenas ter respeitado seu direito de existir e participar de decisões que vão lhes causar impacto. Não apenas o governo federal, mas a sociedade brasileira como um todo, precisa compreender que os índios não são um obstáculo para o desenvolvimento, são pessoas que merecem respeito e que precisam ser ouvidas.

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