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Vale obtém licença ambiental para duplicar Estrada de Ferro Carajás

OESP, Negócios, p. B16
20 de Nov de 2012

Vale obtém licença ambiental para duplicar Estrada de Ferro Carajás
Licenciamento deve dar impulso a projeto de US$ 20 bilhões da mineradora na região de Carajás, no Pará

Marina Gazzoni

A mineradora Vale conseguiu ontem a licença de instalação para a expansão da Estrada de Ferro Carajás, concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A ferrovia transportará o minério extraído no Pará até o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, no Maranhão. O projeto é essencial para garantir o escoamento da produção futura da companhia.
A licença do Ibama permitirá que a Vale inicie a construção de 786 km de ferrovias e duplique parte da estrada. Hoje, a Estrada de Ferro Carajás tem 892 km, mas apenas uma linha. Após a obra, os trens poderão circular em sentido duplo em 559 km.
A estrada de ferro faz parte do projeto Carajá Serra Sul S11D, o maior da história da Vale, que poderá produzir 90 milhões de toneladas métricas de minério de ferro por ano. O empreendimento receberá investimento total de US$ 19,5 bilhões - sendo US$ 11,4 bilhões para ampliação da infraestrutura logística.
"A concessão da licença de instalação é um marco relevante no processo de execução do projeto S11D", disse a Vale em comunicado. "A obtenção pela Vale neste ano de mais de 90 licenças ambientais está permitindo não só a continuidade de suas operações de mineração e logística no Brasil, mas sobretudo a viabilização de expressivo salto quantitativo e qualitativo em sua produção futura de minério de ferro, a custos operacionais inferiores aos atuais", completou.
A previsão da Vale é que as obras da Estrada de Ferro Carajás sejam concluídas em 2017. A produção de minério de ferro no projeto S11D deve começar no segundo semestre de 2016 e atingirá sua capacidade máxima no fim de 2017, de acordo com o comunicado da Vale.
A ação preferencial da Vale subiu 1,21% ontem, refletindo a notícia sobre a obtenção da licença ambiental no projeto de Carajás e a alta das commodities.
Polêmica. O processo de licenciamento ambiental da expansão da Estrada de Ferro Carajás foi questionado por organizações não governamentais (ONGs). Três delas - a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e Centro de Cultura Negra do Maranhão - se uniram para mover uma ação civil pública contra a duplicação da estrada na Justiça Federal do Maranhão, em julho deste ano.
As entidades conseguiram uma decisão favorável na Justiça maranhense em agosto, que determinou a paralisação das obras. A Vale conseguiu reverter a decisão em segunda instância. As ONGs recorreram e o processo ainda está em curso.
A coordenadora do Cimi no Maranhão, Rosana Diniz Santos, classificou a concessão da licença de instalação à Vale como "triste", e disse que aposta no andamento da ação civil pública para conseguir a "correção de irregularidades do processo de licenciamento". As principais críticas do Cimi são que comunidades indígenas não foram ouvidas durante a fase de consulta pública e que o projeto foi "fatiado".
"Todo o complexo de Carajás deveria ser analisado, do ponto de vista ambiental, como um empreendimento só. Mas há um processo para a estrada, outro para o porto. Sentimos que o governo está correndo para fazer esse projeto andar", disse Rosana.
O Ibama informou que a Vale precisou aceitar 18 condições para receber a licença de instalação da Estrada de Ferro Carajás. A lista de exigências inclui, por exemplo, implantação de passagens para a fauna no trajeto, demarcação de áreas de preservação permanente, plantio compensatório e programas de controle de ruídos. A Vale ainda precisará de outra licença do Ibama - a de operação - para movimentar a carga na nova estrada. / colaborou Claudia Violante

Nos trilhos
A Estrada de Ferro Carajás (EFC) foi criada em 1985. Além de minério de ferro, a ferrovia também transporta pessoas. Segundo a Vale, cerca de 1,3 mil passageiros por dia passam pelos vagões da estrada, que cruza 27 localidades do Maranhão e do Pará.

OESP, 20/11/2012, Negócios, p. B16

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