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Urucu: participantes de audiências públicas manifestam preocupações com o projeto da Petrobras

Amigos da Terra- São Paulo-SP
28 de fev de 2002

Cerca de 300 pessoas estiveram presentes na audiência pública realizada no dia 21 de fevereiro no município de Tapauá. É justamente nesta região que está previsto cruzamento do gasoduto com o Rio Purus, um dos trechos mais complicados do projeto. Devido a falta de divulgação da audiência nenhum morador da região de Foz de Tapauá esteve presente à reunião. Foz de Tapauá é uma das localidades que será extremamente atingida caso o gasoduto venha a ser construído. Indígenas do povo Paumari, da área indígena Manissuã estiveram presentes e manifestaram preocupação com a possibilidade de invasão de suas terras, além da escassez de caça e pesca. A continuidade da pesca também é uma preocupação apontada pelos representantes dos povos ribeirinhos. Grande parte da população de Tapauá alimentava a expectativa de que a obra gerasse empregos na região. Mas a empreendedora deixou claro que somente algumas vagas serão abertas e por tempo limitado. Também foi questionado por participantes da audiência a não-realização de uma pesquisa de campo e de um estudo que realmente avaliasse os impactos da obra.
A audiência pública realizada em Canutama contou com a presença de cerca de 300 pessoas e do prefeito municipal, Sr. Raimundo Amorim. Amorim manifestou preocupação com as implicações sociais que a construção do gasoduto pode trazer para o município. Questões como o aumento da violência, o consumo de álcool e drogas e a prostituição infantil são as maiores preocupações do prefeito que exigiu da Petrobras a apresentação de medidas mitigadoras.
O bispo do município de Lábrea, Dom Jesus, formulou uma grande lista com as preocupações sociais que ele tem com relação ao projeto. A lista foi entregue à presidência da mesa e anexada ao processo de licenciamento.
A representante da Organização dos Povos Indígenas do Médio Purus (OPIMP) afirmou que os povos indígenas estão preocupados com os impactos que o empreendimento trará, principalmente para os indígenas isolados Katawixi, cuja área situa-se a 5km da linha do gasoduto. A médio prazo a OPIMP vê como grande ameaça de invasão para todas as áreas indígenas próximas ao projeto e demonstrou insatisfação pela não aceitação da Audiência Pública que eles solicitaram para a área indígena Manissuã.

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