O Globo, Economia, Eco Verde, p. 30
Autor: VIEIRA, Agostinho
07 de Abr de 2011
No país de todos, faltam gestão e transparência
Dois temas cruciais para o país do ponto de vista ambiental e econômico ganharam contornos de crise esta semana. Ruralistas e ambientalistas marcharam pelas ruas de Brasília, obviamente em direções opostas: uns contrários, outros favoráveis ao Código Florestal. Já entidades que lutam pela defesa das comunidades indígenas voaram até Washington para buscar o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA) a uma luta que já dura 30 anos: impedir a construção da hidrelétrica de Belo Monte.
Mas as razões que movem esses grupos, ou parte deles, nem sempre ficam claras.
Tem agricultor que considera o Código Florestal apenas um entrave à produção, criado por ONGs estrangeiras que querem prejudicar o Brasil. Mas há o ambientalista também que é contra qualquer usina na Amazônia e defende o fim de indústrias como as de alumínio, intensivas no uso de energia. Sem contar certos índios que gostariam muito de ter o poder absoluto de rejeitar a construção das hidrelétricas.
Enquanto isso, o governo assiste, talvez até preocupado, mas incapaz de dar uma satisfação convincente ao grupo que mais será atingido por estes dois projetos: os 194 milhões de brasileiros. Na resposta que deu à OEA, ele se disse perplexo e falou em precipitação do organismo internacional. Diz que os índios não serão afetados pela usina e que foram ouvidos pela Funai ao longo de todo o processo de licenciamento.
Se é verdade, por que não mostrar os registros dos encontros? Que tal apresentar a lista com o status das condicionantes ambientais exigidas para a concessão da licença de Belo Monte? Que razão há para implantar ou votar, com tanta pressa, projetos polêmicos? Por que não ser mais didático, transparente e habilidoso ao lidar com interesses tão distintos? Afinal, até bem pouco tempo, este era um país de todos.
O Globo, 07/04/2011, Economia, Eco Verde, p. 30
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