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Mourão evita indígenas em São Gabriel da Cachoeira

BNC Amazonas - https://bncamazonas.com.br
Autor: Iram Alfaia
21 de fev de 2020

Hamilton Mourão foi a São Gabriel da Cachoeira, falou sobre mineração em terras indígenas na Amazônia, mas não quis receber líderes Yanomami que queriam falar sobre o assunto.

O vice-presidente Hamilton Mourão, não quis receber uma comitiva indígena formada por seis líderes Yanomami.

Isso ocorreu em sua passagem rápida por São Gabriel da Cachoeira (AM), na terça-feira, dia 18.

Um dia antes, Mourão esteve em Manaus.

Mas uma das lideranças conseguiu que chegasse a ele um comunicado contra o garimpo e a mineração em terras indígenas.

Mourão foi receber o Título de Cidadão de São Gabriel da Cachoeira.

Reservado

A homanagem ocorreu numa cerimônia para poucos convidados, no salão na 2ª Brigada de Infantaria de Selva, onde ele foi general, em 2006.

"Precisamos pensar na mineração estratégica com uma legislação que, ao mesmo tempo, proteja a população, a região e o meio ambiente. Mas permita que as riquezas que se encontram no subsolo sejam extraídas e utilizadas em benefício de todos aqueles que aqui moram", discursou o vice-presidente no evento.

Maximiliano Menezes, Tukano, liderança de Taracuá (Baixo Rio Uaupés), disse ao Instituto Socioambiental (ISA) que Mourão deveria ter participado de uma cerimônia aberta ao público, inclusiva e com possibilidade de diálogo.

Os seis líderes Yanomami barrados no evento são das comunidades do Maiá, Maturacá, Ayari e Maffi, da Terra Indígena Yanomami.

Todos questionaram a falta de diálogo com o vice-presidente.

"O General Mourão citou a mineração como algo sustentável para gerar emprego e renda, como muitos políticos fazem esse discurso", afirmou Maximiliano, que é morador e professor na TI Alto Rio Negro, acrescentando:

"Mas, tenho certeza que não é isso que nós queremos. Mineração não vai solucionar a vida dos povos indígenas. Precisamos de outros projetos sustentáveis, sem danificar a natureza".

Carlos Lopes Yanomami, tuxaua da aldeia de Maturacá, completou:

"A gente queria falar do nosso território, mas não tivemos espaço. Falar da mineração nas nossas terras. De como ela traz doença, doença que não tem cura. Queríamos falar isso para o governo. A proteção territorial é o que queremos. Hoje tem tráfico de droga da Colômbia nos ameaçando. Precisamos, sim, de mais apoio na fronteira e de reforço do Exército".

Documento

Presente no evento, Nildo Tukano, vice-presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), foi quem protocolou o ofício para o vice-presidente.

O documento ressalta a inconstitucionalidade do projeto e os riscos aos territórios e à sobrevivência física e cultural dos povos indígenas.

Segundo ele, cerca de 500 processos minerários que incidem nas Terras Indígenas (TI) da região do Rio Negro, 431 são processos antigos depositados no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) antes da homologação das TIs, nos anos 1990.

"Isso significa que os mesmos velhos interesses empresariais em nossos territórios estão por trás deste PL e não a vontade dos povos indígenas", diz um trecho do documento.

Com informações do ISA

Foto: Reprodução

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