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Uma enciclopédia nos trópicos: memórias de um socioambientalista.

A publicação traz histórias e bastidores de momentos marcantes da trajetória do antropólogo Beto Ricardo, um dos fundadores do movimento socioambiental brasileiro. O livro está dividido em 18 capítulos, que versam sobre o período entre 1970 e 2022. Figura central do movimento indigenista, Beto Ricardo foi corresponsável por ações fundamentais na defesa dos direitos dos povos originários no Brasil. A principal, possivelmente, foi provar, no final dos anos 1970, que os indígenas não só eram parte importante da população brasileira como estavam em crescimento demográfico, desmontando a tese de sua iminente extinção no país, estabelecida desde a década de 1950 e defendida pela ditadura militar. Ao longo de mais de dois anos, Beto narrou suas memórias ao jornalista Ricardo Arnt, amigo e parceiro de jornada, detalhando inúmeras iniciativas e realizações pelos direitos dos povos tradicionais e pela conservação do meio ambiente que incluem o mapeamento das áreas protegidas do país, a coordenação de expedições para a demarcação física de terras no alto e médio Rio Negro e a instalação de redes de radiofonia entre os povos da Amazônia. Beto teve participação decisiva em episódios-chave da luta socioambiental, como o esforço de inventariar as populações indígenas com a enciclopédia Povos indígenas no Brasil (PIB), a articulação para as conquistas alcançadas na Constituição de 1988 e a fundação do Instituto Socioambiental (ISA), organização que há trinta anos atua na linha de frente da defesa dos povos originários e das florestas.