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Urucu: A floresta revive

A Crítica-Manaus-AM
Autor: Carlysson Sena
23 de mar de 2003

Dos 200 hectares de floresta desmatada desde que a Unidade de Negócios, Exploração e Produção de Petróleo e Gás natural da Bacia do Solimões (UN-BSOL), hoje denominada Base geólogo Pedro de Moura, em Urucu (650 quilômetros de Manaus) começou a ser construída, há 18 anos, 91% destes hectares já foram reflorestadas pela Petrobras em parceria com instituições de pesquisa e ensino como, por exemplo, o Inpa e a Utam.

Atualmente, os 9% que restam ser reflorestados começaram a entrar no processo de recuperação por meio da somatória de esforços da Petrobras e a rede CTPetro-Amazônia que ao agregar cerca de 120 pesquisadores na sua composição está trabalhando na avaliação, prevenção e recuperação dos danos causados em áreas de prospecção e transporte de gás natural e petróleo na Amazônia Brasileira. O financiamento para que redes destinadas a este objetivo sejam mantidas vem da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) via Fundo Setorial do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), criado em meados de 2000.

Este Fundo está permitindo que áreas de exploração de petróleo na região de Urucu tenham mais aliados no reflorestamento de áreas desmatadas: os pesquisadores. Junto da Petrobras que desde 1999 promove o reflorestamento de suas clareiras abertas para prospecção de petróleo e para exploração de jazidas de argila em Urucu, a primeira rede de pesquisadores do Norte do país, a CTPetro-Amazônia iniciou no último final de semana sua primeira atuação no formato de rede de pesquisa em Urucu. Localizada no Amazonas, mas especificamente na bacia do Rio Solimões, justamente no entorno do Rio Urucu, localizado dentro do Município de Coari (370 quilômetros de Manaus), a UN-BSOL explora o petróleo nos seus mais de 50 poços desde 1988 e do petróleo retira o gás natural que pode ser usado como matriz energética capaz de abastecer toda a região Norte do país.

Quanto ao reflorestamento as clareiras abertas para prospecção de petróleo e exploração de jazidas de argila para fabricação das estradas que ligam todo os complexos de Urucu, o investimento é alto e necessário para retornar à natureza a vegetação original após um desmatamento. Somente o CTPetro tem destinado para este ano cerca de R$ 1,5 milhão para aplicar em pesquisas e recuperação de áreas florestais degradadas pela exploração de petróleo. A Petrobras, além de todo o suporte em logística que dará ao CTPetro para as ações da rede em Urucu durante este ano, já acumula desde 1999 um total de investimentos da ordem de R$ 4,5 milhões na recuperação de florestas. Somente no ano passado a empresa investiu um pouco mais de R$ 1 milhão na recuperação florestal em Urucu.

Base amazonense apresenta vantagens

Para o engenheiro Bruno César Ladeira, do Sistema de Meio Ambiente e Segurança da Petrobras (SMS), a base de Urucu tem vantagens em relação a outras unidades da Petrobras por que já nasceu com a preocupação ambiental até mesmo porque é a única no País que está no meio de floresta. "O petróleo daqui foi descoberto em 1986 e a produção começou em 1888. Desde lá estamos tentando minimizar os impactos ambientais provocador com abertura de clareiras para procurar petróleo. No começo, a Petrobras convocou um grupo de pesquisadores para conhecer a atividade que ia ser desempenhada aqui para que eles indicassem uma maneira de atuar com o mínimo de impacto ambiental possível", explicou Bruno.

Entre as exigências que os primeiros pesquisadores a atuarem em Urucu apontaram estava a minimização da construção de estradas; não permitir a criação de núcleos urbanos e comerciais para evitar mais dados ao meio ambiente e buscar sempre a parceria com instituições de pesquisa.

De acordo com Bruno, produzir petróleo é arriscado, perigoso e explosivo e por isso é preciso ter uma política de segurança nestas localidades produtoras de petróleo. Urucu também é modelo de segurança visto que o número de acidentes reduziu muito nos últimos anos e possui o melhor indicador do País na quantidade de óleo derramado. Por isso, garante o coordenador de operação de produção Marques de Souza Cavalcante, "nossos funcionários são educados ambientalmente e para as questões de segurança da base".

Agora uma das grandes finalidade do CTPetro, de acordo com Luiz Antônio de Oliveira, Engenheiro Agrônomo Ph.D e coordenador da rede é conseguir que as clareiras seja revertidas em florestas num prazo curto de tempo.

"Considerando a grande produção de gás natural de petróleo daqui de Urucu até que o dano ambiental não é tão alto quanto se pensa. Principalmente se verficarmos os 15 milhões de áreas devastadas na Amazônia devido a agropecuária que não teve retorno praticamente nenhum para região. Aqui o dano ecológico no final deste processo de reflorestamento será praticamente zero", argumenta Luiz.

A expectativa final do CTPetro é que seja desenvolvida uma tecnologia que resolva este problema da área degradada em Urucu e que mais tarde possa ser usada nos outros 15 milhões de hectares degradados pela agropecuária "por um sistema de acupação não adequada para Amazônia", avalia Luiz.

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