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Governo deveria ter debatido com ONGs, diz CPT

FSP, Brasil, p.A4
23 de abr de 2004

Governo deveria ter debatido com ONGs, diz CPT
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS A coordenadora regional da CPT (Comissão Pastoral da Terra) no Amazonas, irmã Auriédia Marques da Costa, disse ontem que o presidente Lula se precipitou ao assinar protocolo que permitirá à Petrobras construir um gasoduto de Urucu a Manaus, cortando a selva amazônica.O protocolo foi assinado por Lula ontem em Manaus. Ele dará direito à Petrobras de fazer uma sociedade com a Cigás (Companhia de Gás do Amazonas) para construir o gasoduto.Ontem o Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) concedeu licença prévia para o projeto. A Petrobras tem três meses para fazer o planejamento para o início das obras.Segundo Costa, antes da assinatura do protocolo, o governo deveria ter discutido com ONGs a licença de instalação. "É uma decisão precipitada do presidente e do governo do Amazonas em não ouvir a sociedade organizada. Vemos que a proposta é prejudicial ao meio ambiente. Os estudos dizem isso", disse."É preciso cautela e avaliar os estudos [de impactos] e não agir sob pressão, só para dar uma resposta política", completou.A Petrobras informou que foram feitas oito audiências públicas nas cidades por onde o gasoduto irá passar e que a obra já recebeu licença ambiental prévia.Desde 1998, a CPT, considerada o braço agrário da Igreja Católica, questiona o projeto, que prevê a construção de um gasoduto de cerca de 420 km em 22 meses. A obra custará US$ 525 milhões.A declaração de Lula de que é necessário entender que a Amazônia "não é apenas um santuário da humanidade" também causou a reação de ambientalistas."Talvez ele deve ter pensado no passado que era isso e agora descobriu que não é", disse Roberto Smeraldi, diretor da organização não-governamental Amigos da Terra - Amazônia Brasileira.Sobre a obra, Smeraldi foi taxativo: "Faz tanto tempo que o presidente não se encontra com os ambientalistas que deve ter esquecido nossas propostas. Nós somos a favor do fornecimento de energia aos cidadãos do Amazonas que não têm acesso a ela", disse. (KÁTIA BRASIL)

FSP, 23/04/2004, p. A4

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