VOLTAR

A sobrevivências das comunidades indígenas

Folhetim (São Paulo - SP)
20 de abr de 1980

Se trata de um debate coordenado pelo prof. Carlos Guilherme Mota, apresentando o problema indigenista no Brasil. O debate contou com a presença das antropólogas Lux Vidal , Carmem Junqueira e Aracy Lopes da Silva, o jornalista Audálio Dantas, do Tenente Brigadeiro João Camarão Telles Ribeiros, da Claudia Andujar, que trabalha com os Yanomami desde 1972, do deputado Modesto da Silveira, do bispo Dom Tomás Balduino, Olympio Serra que trabalhou na Funai.
O tema comum tratado foi a respeito da proposta de regionalização do serviço da Funai. Segundo Lux Vidal é fundamental uma mobilização da sociedade civil em torno da defesa dos direitos indígenas, quando no contexto de uma boa organização dos fazendeiros, madeireiros etc. Carmem Junqueira apresenta argumentos contra a regionalização. Um desses argumentos seria ao fato de que alguns Estados podem colocar acima suas políticas econômicas em detrimento dos direitos indígenas. Claudia Andujar conta o caso específico da criação do Parque Yanomami, onde uma série de interesses de mineradoras se sobrepõem a criação do parque. A tônica geral das falas se deu em relação ao interesse dos projetos de desenvolvimento em torno das riquezas naturais que possuem o solo e subsolo das reservas indígenas e a consequente violência que esses povos estão submetidos, seja pela falha na atuação dos órgãos responsáveis, seja por um processo de difamar a imagem do indígena (como conta Araci Lopes sobre o caso Xavante). O processo de regionalização/estadualização junto a descentralização da tutela seriam agravantes de tudo isso que vem ocorrendo. Um dos caminhos para se trabalhar essas medidas antiindígenas seria a de fazer com que a população indígenas participe da definição de um modelo.
Outras questões para além da regionalização também foram tratas ao longo da mesa-redonda, mas todas em torno de como se dá a política indigenista no Brasil, passando desde o debate de sua militarização (e da existência do SPI), da legislação existente (discutindo tutela, emancipação, direito à terra), até a tentativa de impedir que haja um organização e movimentação efetiva por parte dos próprios indígenas.
A mesa-redonda acaba com o debate de pensar a questão indígena colada à problemática política nacional, isto é, pensá-la em torno dos debates da democracia, pensar a libertação nacional e a libertação indígena.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.