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SAIBA TUDO SOBRE O GASODUTO URUCU-PORTO VELHO

Rondoniagora-Porto Velho-RO
29 de ago de 2002

O gasoduto cortará a floresta Amazônica em 522 quilômetros e transportará cerca de 2,3 milhões de metros cúbicos diários de gás natural para termelétricas que abastecerão Porto Velho e outras cidades de Rondônia.

O investimento no projeto será de US$ 300 milhões e o desafio é garantir o menor impacto socioambiental sobre a zona de influência da obra.

Em 1998, a Petrobrás construiu a primeira parte do gasoduto. São 280 km de extensão partindo da reserva de Urucu, no Rio Urucu, até a cidade de Coari.

O primeiro gasoduto, de 522 km de extensão, iria de Urucu a Porto Velho e o segundo, de 420 km de extensão, de Coari a Manaus. Inicialmente, a Petrobrás considerava fazer a compressão do gás natural numa usina que deveria ser construída em Urucu e transportar esse gás líquido natural por rio, em barcaças, para Manaus, Porto Velho e outras cidades do Amazonas. Inclusive, foi com este plano que foi justificada a hidrovia do Madeira, já realizada. Entretanto, depois da construção da hidrovia esse plano foi abandonado e substituído pela construção dos gasodutos.

Para a concretização da obra, será necessário construir duas estradas de 15 a 30 metros de largura, por toda a extensão dos gasodutos. Essas estradas ligariam as duas maiores cidades da Amazônia brasileira - Manaus e Porto Velho, inaugurando uma nova frente de migração, ocupação e destruição.

Os novos gasodutos levarão gás natural a usinas elétricas como a Estação de Energia de Porto Velho em Rondônia, assim como aos estados do Amazonas e do Acre. A companhia internacional de energia El Paso, de Houston, nos EUA, é dona majoritária das duas maiores usinas elétricas favorecidas por esses gasodutos e, portanto, a grande beneficiária. A El Paso já controla mais de 76% da energia gerada no estado do Amazonas e está se tornando líder na produção de energia de Rondônia.

Gasoduto Urucu (AM) - Porto Velho (RO)
Objetivo: Construir gasoduto de 500 km e 20" de diâmetro para transportar gás natural dos poços de Urucu (AM) até Porto Velho, capital do Estado de Rondônia.
Investimento (US$ milhões) : 175
Responsável: Petróleo Brasileiro S.A - Petrobrás / Gaspetro
Cronograma: Operação julho de 2004.
Oportunidades decorrentes do projeto
* Projetos de Cogeração de Energia: Com o crescente aumento da oferta de gás natural, torna-se atraente o desenvolvimento de projetos de cogeração de energia elétrica junto aos setores industrial, comercial e de serviços. As parcerias para os estudos e projetos podem ser realizadas entre outros, por fabricantes de equipamentos, empresas de engenharia, consumidores, distribuidores de energia e de gás, ampliando a oferta de energia elétrica no novo cenário competitivo do setor.
* Fornecimento de equipamentos: Fornecimento de turbinas, geradores, condensadores, caldeiras e equipamentos de medição e controle. Estão previstas as instalações de cerca de 134 turbinas a gás e 65 a vapor, até o ano de 2008, conforme os estudos do Plano Decenal da Eletrobrás.
* Engenharia e Construção: Desenvolvimento de estudos e projetos, terraplanagem, obras para construção da usina e subestação.
* Engenharia e Construção de Gasodutos: Estudos, projetos e obras para a construção de gasodutos, estações de compressão e estações de entrega (citigates)
* Fibra Óptica - Gasoduto: Instalação de cabos OPGW, com fibra óptica, ao longo da faixa de servidão do gasoduto, com vistas a possibilitar controles operacionais e a exploração da comercialização de serviços de telecomunicações.
* Equipamentos para gasodutos: Fabricação e comercialização de equipamentos e tubulações: são previstos 920 quilômetros de tubos na construção dos gasodutos Coari-Manaus e Urucu-Porto Velho.
* Logística de Transporte: Logística para transporte de materiais e equipamentos visando a construção dos gasodutos, empregando a multimodalidade via rodovias ou cabotagem na região através dos rios Madeira, Amazonas e Purus.
* Parcerias em gasodutos e Usinas Termelétricas: Participação como parceiro ou sócio investidor no empreendimento e na exploração dos serviços incluindo as Usinas Termelétricas previstas para aumentar a capacidade instalada na região.
* Conversão de Usinas Termelétricas: Adaptação de usinas termelétricas, convertendo usinas a óleo combustível para geração de energia com gás natural.
* Parcerias em serviços de telecomunicações: A Petrobrás está criando uma empresa subsidiária para prestar serviços de telecomunicação utilizando os cabos de fibra óptica instalados nos 13 mil quilômetros de dutos que possui pelo País. Em princípio, 100% da nova empresa será da Petrobrás, que já anuncia a intenção de vender uma participação para alguma companhia do setor de telecomunicações.

O empreendimento tem origem na Estação de Pólo Arara situada na Província Petrolífera do Rio Urucu (km 0) no Estado do Amazonas e termina na cidade de Porto Velho, na Termelétrica de Rondônia (km 522,2) à margem da Rodovia BR 364 e, portanto, cobrindo uma extensão de 522,2 km.

2.1.2 O EMPREENDEDOR

¨ Nome: .............................. PETROBRAS GÁS S.A. - GASPETRO
¨ CNPJ:............................... 42.520.171/0001-91
¨ Endereço: ......................... Av. República do Chile, n 0 65 - 12 0 andar, Centro
Rio de Janeiro - RJ, CEP: 20.035-900
¨ Telefone:........................... (0xx) 21- 534.0439
¨ Fax:.................................. (0xx) 21- 534.1080

O objetivo do empreendimento consiste no transporte de Gás Natural (GN) desde a área de produção do Rio Urucu (Pólo Arara) até uma Usina Termelétrica (UTE) que se localizará no município de Porto Velho- RO.
O Gás Natural assim transportado alimentará inicialmente uma Usina Termelétrica (UTE), sendo também consumido na alimentação de indústrias de menor porte na cidade de Porto Velho e, ainda, podendo ser utilizado no abastecimento doméstico e automotivo.
Nas imediações do cruzamento do gasoduto com a Rodovia Transamazônica (BR 230) está prevista uma tomada que poderá permitir no futuro a construção de um ramal ao longo da citada Rodovia para abastecimento da cidade de Humaitá no Estado do Amazonas.

2.2.2 CRONOGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DO EMPREENDIMENTO

Na fase de planejamento do empreendimento, considerou-se o desenvolvimento das obras em 4 (quatro) trechos, com execuções simultâneas. Tais trechos compreendem:

Trecho I: início no Pólo Arara, na Província Petrolífera de Urucu (km 0), até o ponto antes da travessia do Rio Purus pelo gasoduto (km 154,4);

Trecho II: a partir do final do trecho I (km 154,4) até o final do trecho alagado do Rio Purus (km 194,4);

Trecho III a partir do final do trecho II (km 194,4) até o cruzamento com a Rodovia Transamazônica (km 352,2);

Trecho IV a partir do final do trecho III (km 352,2), o gasoduto atravessará o Rio Madeira, seguindo na direção do local onde será instalada a Termelétrica de Rondônia, na cidade de Porto Velho, próxima à da Rodovia BR-364. O "city gate" da Termelétrica em Porto Velho será o ponto final do gasoduto (km 522,2).

Em seu trajeto, o gasoduto atravessará 3 (três) municípios do Estado do Amazonas (municípios de Coari, Tapauá e Canutama)

O período máximo de implantação do empreendimento poderá variar de 18 a 22 meses, dependendo das condições climáticas quando do início da obra

2.3 HISTÓRICO DO EMPREENDIMENTO

A partir da descoberta de gás na Província de Urucu, na região do Alto Amazonas em 1986, foram intensificados esforços da PETROBRAS no sentido de se estudar a viabilidade do referido campo. Em 1987 foi criado, através de uma portaria da Diretoria da PETROBRAS, um Grupo de Trabalho - GT para desenvolvimento de estudos visando o aproveitamento das reservas de óleo e gás ocorrentes no Estado do Amazonas, o que culminou com a comprovação da viabilidade econômica para aproveitamento desse campo.
Posteriormente, em 1991, foi criado no âmbito do Ministério de Minas e Energia (MME), através da Secretaria Nacional de Energia (SNE), outro Grupo de Trabalho - GT, para análise e apresentação de alternativas visando o aproveitamento do Gás Natural da Bacia Amazônica, na geração de energia elétrica nas cidades de Manaus e de Porto Velho. O Relatório Consolidado do Grupo de Trabalho criado pela
Portaria MME n 0 128/95 do Ministério de Minas e Energia, foi apresentado em maio de 1995, com a recomendação do projeto de Gás Natural de Urucu como a melhor alternativa, dentre as várias alternativas analisadas, para a consolidação da infra-estrutura energética da Amazônia Legal. Assim, alguns fatos podem ser destacados nesse processo:

§ Em agosto de 1996, com base nas conclusões do mencionado Relatório, a PETROBRAS assinou um Protocolo de Intenções com o setor elétrico, tendo como intervenientes o MME e o Governo do Estado do Amazonas, estabelecendo as condições básicas para o desenvolvimento do Projeto de Gás Natural de Urucu para geração Termelétrica;

§ Em abril de 1997, a Diretoria da PETROBRAS aprovou a assinatura de um Memorando de Entendimentos entre a PETROBRAS, a PETROFERTIL (atualmente GASPETRO), a ELETROBRAS e a ELETRONORTE, tendo como intervenientes o MME e o BNDES, atualizando o referido Protocolo de Intenções;

§ Ainda em 1997, A PETROBRAS aprovou a decisão para transporte do gás, entre Urucu e Porto Velho - RO, via gasoduto, recomendando que a GASPETRO conduzisse os estudos de viabilização do projeto de aproveitamento do Gás Natural de Urucu na capital do Estado de Rondônia;

§ Seguiu-se, em 04 de junho de 1999, a assinatura em Urucu, na presença do Exmo. Sr. Presidente da República e dos Governadores do Estado do Amazonas e do Estado de Rondônia, de um Termo de Compromisso entre a GASPETRO, PETROBRAS, ELETROBRAS e RONGAS, tendo como intervenientes o Governo do Estado de Rondônia e o Ministério de Minas e Energia. O referido Termo de Compromisso estabeleceu que o gasoduto Urucu-Porto Velho seria construído e operado por uma SPE - Sociedade de Propósitos Específicos;

§ Em maio de 2000 foi assinado um acordo entre a PETROBRAS, GASPETRO, ELETRONORTE e a RONGAS, tendo como intervenientes o governo do Estado de Rondônia, a ELETROBRAS e o
MME, para implementação do gasoduto Urucu-Porto Velho..Descrição do Empreendimento Capítulo 2 EIA - Gasoduto Urucu - Porto Velho Março/01 - 4 - Rev. 01

Dando prosseguimento à política energética para a região Amazônia que visa a substituição do combustível líquido derivado de petróleo utilizado na geração térmica de eletricidade, foram desenvolvidas paralelamente para os Estados de Rondônia e do Acre, as seguintes ações:.Descrição do Empreendimento Capítulo 2 EIA - Gasoduto Urucu - Porto Velho

§ Assinatura, em outubro de 1998, de Protocolo de Entendimentos entre a GASPETRO, a ABB Asea Brown Bovery, CS Participações e as Centrais Elétricas de Rondônia - CERON, tendo como interveniente a ELETROBRAS, estabelecendo as condições para implantação de uma Usina de Geração Termelétrica a Gás Natural, na modalidade de Produtor Independente de Energia - PIE, na cidade de Porto Velho, Estado de Rondônia;

§ Licitação Pública realizada pelo Ministério de Minas e Energia, através da ELETRONORTE, para contratação de Produtor Independente de Energia para atendimento do Sistema Acre-Rondônia. O vencedor foi o consórcio El Paso/CS Participações, habilitando-se portanto, para recebimento do Contrato de fornecimento de energia - PPA entre a ELETRONORTE e o Consórcio. Deve-se observar que desde o início dos estudos relativos à viabilização do Projeto "Gás Natural de Urucu", a PETROBRAS vem se preocupando com a questão ambiental, tendo em vista a larga experiência que detém na implantação de empreendimentos semelhantes no território nacional, inclusive na própria Amazônia. O desenvolvimento do projeto básico, especificações de materiais e equipamentos envolvidos, bem como, os estudos para o traçado do gasoduto, levaram em consideração a potencialidade dos impactos ambientais nas regiões abrangidas.
Desta forma, as medidas visualizadas nesse sentido foram expostas num Workshop sobre Meio Ambiente, realizado no período de 16 a 22 de fevereiro de 1992 intitulado "Escoamento de Hidrocarbonetos da Região de Urucu", que teve por objetivo a sistematização de uma proposta para elaboração do diagnóstico ambiental da região sob influência do projeto de aproveitamento de hidrocarbonetos da região
de Urucu.
Inicialmente, a GASPETRO será a responsável pelos estudos ambientais, projetos e obra, até a criação da Transportadora Norte-Brasileira de Gás (TNG), que será proprietária do gasoduto Urucu-Porto Velho, inclusive por sua operação..

2.4 JUSTIFICATIVAS DO EMPREENDIMENTO

2.4.1 JUSTIFICATIVA TECNOLÓGICA

No estado gasoso, geralmente o Gás Natural é transportado através de dutos podendo, entretanto, em casos excepcionais ser transportado em cilindros de alta pressão - GNC (Gás Natural Comprimido). Outra forma de transporte pode ocorrer no estado líquido - GNL (Gás Natural Liquefeito) através de navios, barcaças ou caminhões criogênicos a -160 oC, com redução de volume de aproximadamente 600 vezes.
O transporte com a utilização de cilindros de alta pressão que pode ser efetuado via rodoviária, via ferroviária, via marítima ou via fluvial, normalmente é o meio menos indicado, principalmente quando se têm grandes distâncias e uma demanda quantitativa incompatível com esse tipo de transporte. Portanto, só é utilizado em casos excepcionais que não é o caso presente, visto que se tem distância muito longa, sem rodovias adequadas, inexistência de ferrovia ou mar, rios da região com navegabilidade comprometida no período de seca, e, ainda, uma grande demanda. Desta forma, esta opção foi descartada, visto sua inviabilidade técnica e econômica para satisfação das condições mencionadas.
As duas outras opções analisadas foram: o transporte do gás (GN) conforme sai da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) de Pólo Arara, por via duto e o transporte do Gás Natural, após ter sido Liquefeito (GNL), por via fluvial. O transporte via dutos é o mais utilizado em todo o mundo quando não se necessita de travessia de oceanos, que nesse caso, em geral é atingida a viabilidade técnica e econômica com o transporte via marítima em navios de grandes capacidades (transporte de GNL).
No presente caso, o transporte via fluvial requeria a liquefação do Gás Natural a uma temperatura de - 160 oC (envolvendo os processos de criogenia) com o transporte sendo efetuado por navios, conforme já observado anteriormente, visto os grandes volumes de gás a serem transportados. Na Região Amazônica, tendo em vista a capilaridade hídrica existente, esse tipo de transporte poderá tornar-se viável em alguns casos.
Essa alternativa para Porto Velho, se mostrou economicamente inviável devido à grande distância a ser percorrida por um tipo de transporte muito lento, somando-se ainda os riscos envolvidos com grandes possibilidades de conseqüências ambientais e sociais, além da intensificação significativa do tráfego fluvial a que ficaria sujeito o Rio Madeira que já se apresenta intenso na Região de Porto Velho, o que aumentaria naquela região, os riscos inerentes a esse tipo de transporte. Por outro lado, os levantamentos e análise de viabilidade técnica, econômica e ambiental, realizados desde 1997 pelos técnicos da PETROBRAS, indicaram ser plenamente viável o transporte do Gás Natural via gasoduto, desde a Província Petrolífera de Urucu/AM até Região de Porto Velho/RO.

2.4.2 JUSTIFICATIVAS TÉCNICAS E SOCIOECONÔMICAS

As demandas mundiais pela utilização desse tipo de transporte têm propiciado o desenvolvimento tecnológico nessa área, com materiais de qualidade superior e de fácil manejo, permitindo implantação de empreendimentos seguros e eficientes, bem como o desenvolvimento de sistemas de controle/gerenciamento mais eficazes.

Os Estados Unidos se destacam nesse campo, tendo em vista o uso acentuado de dutos naquele país para escoamento de petróleo, gás e água, quer seja na forma individual, quer seja na forma associada, tendo já implantado cerca de 500.000 km de dutos para o transporte de gás. Outro exemplo que pode ser considerado é o de Portugal na Europa, que consome 2 milhões de m 3 /dia de Gás Natural originário da Argélia, no Norte da África, o qual é transportado através de um gasoduto que liga a Argélia a Portugal.
Inúmeros outros exemplos ocorrem em vários outros países do mundo como o Canadá, a Rússia, a Alemanha, o Japão, dentre outros. A tecnologia usada no mundo é plenamente dominada no Brasil, destacando-se nesse cenário várias empresas nacionais e em especial a PETROBRAS que, em geral, têm composto no país, o corpo de empreendedores nesta área. A experiência tecnológica da PETROBRAS nessa área é bastante grande, tendo em vista que já participou de estudos, projetos e execução de mais de 15.000 km de gasodutos e oleodutos em vários estados do país, incluindo a região amazônica com o poliduto Urucu-Coari. Somam-se ainda, os milhares
e milhares de quilômetros de dutos para transporte de hidrocarbonetos que a empresa produz em terra e no mar desde o início de suas atividades.
Atualmente, em diversos países do mundo, o Gás Natural vem se consolidando como uma excelente alternativa na substituição dos combustíveis líquidos derivados de petróleo e do carvão mineral. Esta mudança de política energética já está ocorrendo também no Brasil, principalmente no setor termelétrico, onde se tem estimulado a substituição do petróleo importado e a conservação de energia, de forma a minimizar os impactos sobre a economia nacional, bem como os impactos ambientais sobre os diversos recursos naturais como os recursos hídricos marinho e interiores, o solo e os recursos atmosféricos.
O CNPE - Conselho Nacional de Política Energética, quando estabeleceu os princípios e objetivos da política energética nacional em 1997, contemplou dentre eles o incremento do uso do Gás Natural. Esta decisão permitirá a gradativa substituição do uso de hidrocarbonetos líquidos e de carvão mineral por Gás Natural não apenas na geração de energia elétrica, mas também no atendimento das demandas de energia térmica em diversos setores da indústria e mesmo do uso doméstico, comercial e automotivo. Ressalta-se que atualmente, nos países desenvolvidos, a participação do Gás Natural na matriz energética atinge, segundo dados da OCDE - Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico, uma média de 21%, enquanto que no Brasil fica abaixo de 3%, destacando-se ainda que até 1998, não se tinha no país geração termelétrica utilizando Gás Natural. Pretende-se com a reorientação da Política Energética acima destacada, que a participação do Gás Natural na matriz energética brasileira passe dos atuais valores da ordem de 3% para cerca de 12 % até o ano de 2010, conforme é destacado nas linhas de ação do Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados de Petróleo e Gás Natural - CONPET. Além de ser de custo inferior ao custo dos combustíveis líquidos derivados de petróleo, o país se apresenta atualmente com disponibilidades de Gás Natural bastante vantajosas, tendo em vista a sua própria produção, bem como a disponibilidade em países vizinhos como a Argentina e a Bolívia, cujos
gasodutos já estão operando, trazendo gás a vários estados brasileiros com preços a níveis competitivos.
O mercado para consumo de Gás Natural em Termelétricas é bastante promissor. A ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica, controladora desta área, já autorizou a implantação de mais de 10 Termelétricas até o momento, estando previsto para os próximos 4 anos a implantação de 45 Termelétricas no território nacional, cujo consumo diário de Gás Natural deverá ser da ordem de oitenta milhões de metros cúbicos. Segundo previsões da GASPETRO, até o ano de 2006 o país deverá atingir a geração de 11 GW de energia elétrica através de Termelétricas a gás.
A demanda de energia elétrica na Região Norte do país apresenta-se crescente já há alguns anos, portanto, o presente projeto virá suprir parte dessa demanda, possibilitando o incremento e melhoria acentuada nos níveis de eficiência, qualidade e produtividade de energia elétrica, bem como nos seguimentos industriais da região, tendo como conseqüência imediata a geração de riquezas, o dinamismo da sua economia e também uma melhor distribuição de renda na região que se apresenta bastante carente em suas condições socioeconômicas. Por outro lado, a geração de energia nas modalidades requeridas para impulsionar o desenvolvimento socioeconômico da região amazônica, tem-se constituído num problema desde longa data. O modelo hidrelétrico tradicional é praticamente inviável na região Amazônica e o modelo termelétrico ali em operação, além dos riscos ambientais envolvidos no transporte de combustíveis líquidos e suas emissões para a atmosfera (resultantes do processo de combustão) vem, cada vez mais, se tornando economicamente inviável.
A disponibilidade de Gás Natural na Província Petrolífera de Urucu no Estado do Amazonas constitui-se no grande potencial de suprimento da região para, dentre as diversas finalidades e usos inerentes ao desenvolvimento socioeconômico da região, permitir a viabilização desse imprescindível insumo que é a energia elétrica. A sua utilização será plenamente capaz de fornecer a energia necessária ao desenvolvimento socioeconômico da região amazônica e conseqüente conduzir à melhoria do bem estar de sua população.
Atualmente, o objetivo principal da implantação do empreendimento gasoduto Urucu-Porto Velho é alimentar a Termelétrica de Porto Velho/RO e, em menor escala, atender a demanda de gás relativa às indústrias existentes na área de Porto Velho, podendo também suprir necessidades domésticas e automotivas nessa mesma área. Para tanto, o gasoduto terá seu ponto final no "city-gate" da Termelétrica, possuindo logo antes desse ponto, uma primeira derivação para alimentação de um outro "city-gate" para abastecimento das outras demandas acima observadas. Uma segunda derivação antes do "city-gate" da UTE de Porto Velho alimentará um terceiro "city-gate" para alimentação do Distrito Industrial de Porto Velho previsto para futura implantação. Além dessas três finalidades, tem-se ainda a projeção de um cenário futuro como indicativo de potenciais empreendimentos decorrentes da existência do gasoduto em análise, tendo em vista que o projeto do empreendimento contempla uma tomada na altura da Localidade de Cristo, a qual poderá permitir no futuro a construção de um ramal derivativo para a cidade de Humaitá a 130 km do gasoduto ao longo da Rodovia Transamazônica (BR 230).
Além dos objetivos concretos explicitados no presente estudo, os potenciais cenários futuros que se apresentam, caracterizam a viabilidade socioeconômica do empreendimento em foco. Finalmente, cabe observar que, o aporte de recursos para investimentos dessa natureza, principalmente quando se tem na ponta de uso do Gás Natural uma planta Termelétrica de grande porte, não deve apresentar dificuldades que sejam capazes de inviabilizar esse tipo de empreendimento. O mercado brasileiro é extremamente demandante na área de eletricidade e, as projeções realizadas com respeito ao crescimento industrial do país nos próximos anos, são bastante promissoras.

2.4.3 JUSTIFICATIVAS AMBIENTAIS

A constatação da viabilidade sócio-ambiental ou não do empreendimento em análise é o principal objetivo do Estudo de Impacto Ambiental aqui desenvolvido. Entretanto, pode-se adiantar nesse ponto que as conclusões alcançadas no presente EIA são de que o empreendimento proposto é ambientalmente viável, consoante as Medidas Mitigadoras e os Programas Ambientais propostos, que visam minimizar os impactos identificados, permitindo que se tenha um prognóstico relativo ao empreendimento favorável à sua implantação.
Os impactos mais significativos são os decorrentes da supressão de vegetação na faixa de servidão e da presença dos canteiros e dos alojamentos distribuídos em áreas específicas ao longo do trajeto da faixa do gasoduto. Na fase de implantação, os impactos relativos a supressão de vegetação em algumas áreas para formação de clareiras para depósito de tubos, canteiros de obras, acessos terrestres e alojamentos, serão temporários, tendo em vista que as citadas áreas serão recompostas após a conclusão da implantação do
empreendimento. A supressão de vegetação na faixa de servidão, nas áreas de válvulas e de recebedores-lançadores de "pigs" e, ainda, na estação de limitação de pressão, apesar de se constituir num impacto
permanente pelo fato de não poderem ser recompostas com a plantação de árvores nativas da região. Nessas áreas serão plantadas somente gramíneas comumente utilizadas na região, devendo serem tomados todos os cuidados necessários, sem qualquer prejuízo para a movimentação da fauna da região. Os impactos relativos ao traçado da rota do gasoduto, são em grande parte relacionados às áreas sensíveis que são abundantes na região Amazônica, os riscos envolvidos tanto na implantação como na operação do gasoduto e interferências sobre as populações próximas que poderão ser envolvidas. O traçado definido para passagem do gasoduto procurou evitar ao máximo a travessia de áreas sensíveis, de forma a minimizar os impactos decorrentes. No presente Estudo de Impacto Ambiental, tais impactos são devidamente analisados, sendo propostas Medidas Mitigadoras e Medidas Compensatórias necessárias à minimização e, em alguns casos, a anulação dos mesmos. A operação do gasoduto será dotada dos mais modernos sistemas de segurança, constituído de válvulas de bloqueio seqüencialmente distribuídas em toda sua extensão de forma a evitar vazamentos que possam comprometer sua integridade física e danos ao Meio Ambiente. Conforme será destacado no subitem 2.7 do presente Capítulo, haverá um controle rígido através de inspeções rotineiras e de sensores automáticos capazes de detectarem qualquer anomalia no processo de transporte o gás e de acionarem as válvulas de bloqueio. Como na maioria dos gasodutos em operação no mundo, os impactos ambientais potenciais
decorrentes da operação do gasoduto Urucu-Porto Velho são perfeitamente mitigáveis e de intensidades muito baixas.
Por outro lado, o empreendimento em análise proporcionará outros benefícios ambientais, visto que as fontes convencionais de geração de eletricidade em Termelétricas com uso de combustíveis fósseis líquidos e carvão mineral, em Usinas Hidrelétricas ou em Usinas Nucleares, quase sempre apresentam preocupantes desdobramentos ambientais que, em alguns casos, podem inviabilizar o projeto de
implantação de uma usina de geração de eletricidade dessas modalidades.
Tais desdobramentos ambientais constituem-se em preocupação mundial que tem se apresentado de forma bastante forte nos dias atuais, incentivando a busca por fontes alternativas menos poluentes para atendimento das demandas energéticas na grande maioria dos países do mundo. Apesar de ser também um combustível fóssil, o Gás Natural vem se constituindo numa alternativa que apresenta viabilidade ambiental, e sendo capaz de suprir tais demandas energéticas, tendo em vista a sua abundância em grande número de países, facilidade de transporte, preços competitivos e, principalmente, por apresentar uma queima muito mais limpa do que os combustíveis líquidos derivados de petróleo e o carvão mineral. Quando se observam as emissões originárias da queima do Gás Natural, verifica-se que o seu potencial poluidor é muito menor que o das emissões decorrentes da queima de vários outros combustíveis como o óleo BPF, o óleo diesel e o carvão, de uso muito comum no Brasil, na indústria e em plantas Termelétricas. Isto se constitui numa componente ambiental favorável ao Gás Natural.
O Gás Natural é formado de uma mistura de hidrocarbonetos leves que à temperatura e pressão ambiente permanece no estado gasoso. Sua composição pode variar bastante, dependendo da jazida de onde é extraído. Predominantemente é composto de metano e etano e em menores proporções de outros hidrocarbonetos de maior peso molecular. Os teores de contaminantes como enxofre, água e dióxido de carbono, em geral, são muito baixos. O Gás Natural de Urucu apresenta em média uma composição volumétrica de 71,02% de metano, 11,80% de etano, 0,02% de propano, 17,00% de Nitrogênio e 0,16% de Dióxido de Carbono, apresentando uma densidade relativa ao ar a 20 0 C e 1 atm de pressão na faixa de 0,55 a 0,69. Devido à sua composição predominantemente de hidrocarbonetos leves e ainda por ser um gás, o Gás Natural não precisa ser atomizado para queimar, resultando numa combustão limpa com reduzida emissão de poluentes e melhor rendimento térmico, o que se constitui em fator ambiental e econômico significativos pois, além de poluir muito menos que os demais combustíveis fósseis, também aumenta o período de vida útil e reduz os gastos com a manutenção dos equipamentos envolvidos no processo de conversão térmica.
É o combustível fóssil mais limpo que existe. Com respeito aos aspectos de segurança, o Gás Natural, quando em locais confinados e em grandes concentrações, poderá apresentar riscos de asfixia, incêndio e explosão, apesar ser necessária uma temperatura superior a 620 0 C para que o gás possa se inflamar. Em ambientes abertos, por ser muito mais leve que o ar, o Gás Natural se dissipa rapidamente num processo natural de dispersão na atmosfera. Essas propriedades do Gás Natural corroboram com a sua utilização como combustível, tanto sob o aspecto de segurança quanto sob o aspecto ambiental, além de favorecer o transporte através de dutos.
Cabe ainda ressaltar que a experiência da PETROBRAS na implantação e operação de gasodutos tem conduzido ao aprimoramento da gestão ambiental nesta área, cujos resultados vêm indicando o grau de eficiência alcançado, tanto na fase de implantação quanto na fase de operação de gasodutos. Isso é explicitado pelo grande número de gasodutos implantados e operados com a participação ativa da PETROBRAS que contrasta com o baixo número de incidentes/acidentes significativos ocorridos e com a quantidade/intensidade dos impactos ambientais verificados.

2.4.4 JUSTIFICATIVAS LOCAIS

As justificativas do porque da construção de um gasoduto na Região Amazônica ficam evidentes quando analisadas sob a ótica socioeconômica. Isto está bem evidenciado nas justificativas socioeconômicas apresentadas no subitem 2.4.2, anterior.

A ocorrência na Província Petrolífera de Urucu de campos de Petróleo e de Gás Natural em grandes volumes e ao mesmo tempo a carência de energia elétrica na maior parte da Região Amazônica, observadas em conjunto com as demandas sociais por melhor qualidade de vida, naturalmente atrelada ao desenvolvimento, justificam plenamente os objetivos do presente projeto.
O empreendimento em análise associa as condições demandantes da região (carência nas áreas da educação, da saúde, da moradia, do transporte, do lazer, dentre outros, que dependem da oferta de empregos, que por sua vez dependem do desenvolvimento econômico atrelado à produção de bens e de serviços) às condições de oferta na mesma região. Tem-se energia primária em potencial que pode conduzir, através de empreendimentos como este, à geração de energia elétrica para suprimento da região e com grande capacidade de criar pólos de desenvolvimento. Portanto, quando se observa a oferta abundante de Gás Natural, capaz de suprir as necessidades da
Região Amazônica em condições favoráveis ao consumo de usinas Termelétricas de médio e grande porte, bem como de outros tipos de industrias nos Estados de Rondônia, do Amazonas e do Acre, verifica-se que a atual decisão de construção do gasoduto Urucu-Porto Velho vem ao encontro das necessidades de grande parte dessa imensa região do Brasil..

2.5 ALTERNATIVAS DE TRAÇADO

Os estudos prévios já realizados pela PETROBRAS com serviços de campo e de consultoria que embasaram as conclusões relativas à plena viabilidade do empreendimento, também contemplou as alternativas de traçados possíveis.
A experiência da equipe técnica da PETROBRAS em projetos dessa natureza já foi destacada anteriormente, tendo em vista a sua participação em inúmeros projetos dessa natureza. Observa-se que os estudos e levantamentos visando o uso do Gás Natural produzido em Urucu numa UTE na cidade de Porto Velho tiveram seu início em 1991, conforme pode ser constatado no histórico do empreendimento (subitem 2.3). Desde aquela época, dados, resultados de análise, inspeções, estudos de alternativas mais favoráveis técnica, econômica e ambientalmente foram desenvolvidos, culminando em 1997 na decisão da PETROBRAS pela implantação de gasoduto. A partir de então, os estudos, análises e levantamentos foram concentrados no traçado envolvendo uma faixa da região Amazônica na direção que liga a Base da PETROBRAS em Urucu e a cidade de Porto Velho em Rondônia.
Além de se buscar um traçado ambientalmente mais favorável para o gasoduto Urucu-Porto Velho, os estudos realizados a partir de então, também buscavam no período citado, o suporte necessário para desenvolvimento do Plano de Logística do empreendimento, o qual se constitui em outro fator determinante para a viabilidade do projeto.
O grande corpo de dados obtidos no campo, como imagens de satélites, bases cartográficas e levantamentos aerofotogramétricos, constitui um banco de dados geográfico que através do Sistema Geográfico de Informações (GIS) desenvolvido pela PETROBRAS, permitiu que se chegasse a definições corretas e com grande precisão para análise da área em estudo.
Desta forma foi possível definir o melhor local de travessia do Rio Purus, verificando-se que o ponto ideal seria a jusante da foz do Rio Tapauá, minimizando o trecho de áreas alagadas daquele rio. Todos os detalhes para o melhor traçado foram assim analisados e conferidos chegando-se ao melhor traçado técnica, econômica e ambientalmente viáveis.
Algumas alternativas para traçado do gasoduto foram avaliadas considerando-se todos os aspectos envolvidos e confrontando-se os aspectos técnicos e econômicos com os aspectos ambientais das opções estudadas, resguardando-se as peculiaridades de cada trecho em análise.
Com respeito à ponderação dos aspectos ambientais, foram considerados:

§ a experiência ambiental da equipe técnica da PETROBRAS já destacada, observando-se os cuidados relativos ao Meio Ambiente que tem tido com respeito a empreendimentos similares implantados no Brasil pela própria empresa e os resultados dos acompanhamentos, monitoramentos e estudos realizados desde a entrada em operação dos mesmos;

§ a verificação da vulnerabilidade ambiental da área estudada, definindo-se critérios de minimização de impactos das áreas sensíveis das regiões a serem percorridas;
§ as discussões técnicas para identificação dos prováveis impactos das alternativas de traçado analisadas;

§ a priorização do atendimento futuro aos potenciais usuários do Gás Natural de forma a ampliar os benefícios sociais do empreendimento. Essas considerações foram fundamentais para a identificação da melhor alternativa de traçado de rota para o gasoduto em análise, de forma a se evitar ao máximo as interferências de ordem ambiental que não tivessem mitigações exeqüíveis.
Também foi definida pela PETROBRAS a busca do atendimento dos seguintes requisitos básicos:
§ evitar ao máximo, interferências com áreas urbanas consolidadas e de futura expansão;
§ evitar interferências com extensas áreas ambientalmente frágeis, a exemplo de grandes áreas susceptíveis a erosão;
§ procurar fazer a travessia de corpos d'água e áreas alagadas ou alagáveis em pontos ideais que minimizem a interferência do gasoduto;
§ compatibilizar a chegada do gasoduto à cidade de Porto Velho aos demais consumidores da região.
Verificou-se que sobre a ótica econômica, a melhor alternativa seria a linha reta ligando o Pólo Arara na Província Petrolífera de Urucu ao "city-gate" da UTE às margens da Rodovia BR-364 nas imediações de
Porto Velho, por ser o percurso mais curto e, portanto, com menor área de supressão de vegetação e menor comprimento de duto (aproximadamente 420 km). Esta alternativa se mostrou incompatível com os itens acima relacionados, relativos à ponderação dos aspectos ambientais a ela inerentes. Dentre tais ponderações pôde-se destacar: a passagem por áreas ambientalmente sensíveis como terras indígenas (seriam atingidas as terras indígenas: Jacareúba/Katawixi e Palmari do Cunhuá), Unidades de Conservação com categorias de manejo de usos muito restritos e também indicativos de passagem por
áreas de ocorrência de espécies vegetais endêmicas protegidas por lei, aglomerados populacionais (comunidades diversas no Estado do Amazonas e de Rondônia e grandes bairros da cidade de Porto Velho) e grande número de travessia de rios e igarapés (abundantes na região).
Estes fatores se repetiram em algumas outras alternativas estudadas, para as quais ficou praticamente impossível ser evitada a passagem por terras indígenas da região (Palmari do Lago Manissua, Palmari do
Lago Paricá, Palmari do Cunhuá, Banawa-Yafi do Rio Piranhas, Boca do Rio Jacaré, Jarawara/Jamamadi/Kanamati, Paumari do Rio Ituxi, Paumari do Lago Maraha, Caititu, Jacareúba/Katawixi e Juma). Somente foi conseguida a minimização de tais fatores de forma mais acentuada com a alternativa escolhida. Tal alternativa evita que a faixa de domínio passe por qualquer terra indígena, bem como, aglomerados populacionais, sendo a de menor comprimento de travessia da área alagada do Rio Purus e com apenas cinco travessias de Rios que são o Rio Itanhauã, Rio Coari, Rio Purus, Rio Açuã e Rio Madeira, este já na chegada de Porto Velho.

Na chegada de Porto Velho, a partir das proximidades do local sugerido para o canteiro central fixo a margem da Rodovia BR 319, foram analisadas quatro alternativas locacionais, tendo em vista os aglomerados populacionais, áreas de preservação existentes e melhor local de travessia do Rio Madeira.
Vale destacar que na região abrangida pelo estudo de traçado do gasoduto, existem três Unidades de Conservação (APA do Rio Madeira e a Floresta Estadual do Rio Madeira, ambas estaduais, e o Parque Ecológico Municipal, já no Estado de Rondônia), onde procurou-se intervir o menos possível, tendo sido escolhido o trajeto que cruza uma pequena porção da APA do Rio Madeira por ser, dentre as três unidades destacadas, a de categoria de manejo de usos menos restritos, minimizando desse modo os impactos decorrentes.
A primeira atravessava, além da APA do Rio Madeira, também o Parque Ecológico Municipal de Porto Velho. A segunda, com menor trecho de duto, bem como a terceira, atravessam um conglomerado urbano de grandes dimensões e a Floresta Estadual de Rendimento Sustentável do Rio Madeira. A Quarta, apesar de cruzar uma pequena porção da APA do Rio Madeira, foi a que se mostrou mais viável, com traçado, neste trecho, de aproximadamente 80 km, ela apresentou a menor interface com a população local, possibilitando a minimizando da passagem por pontos sensíveis, principalmente a travessia do Rio
Madeira. A Figura 2-3 apresentada ao final do presente Capítulo, evidencia essas alternativas de traçado na chegada de Porto Velho.
Deve-se observar que outro cuidado especial relativamente à implantação do traçado do gasoduto será evitar a passagem por áreas de ocorrência de espécies vegetais endêmicas protegidas por lei, como a seringueira e a castanheira.
Portanto, a alternativa definida para locação do presente empreendimento corresponde àquela que melhor se apresentou nos estudos prévios realizados no que concerne à minimização dos impactos ambientais e melhor viabilidade técnica, apesar de apresentar alguns indicadores econômicos menos favoráveis, quando se considera apenas o menor comprimento de duto que, em geral, tem implicações favoráveis nos custos de implantação. O conhecimento dos técnicos da PETROBRAS da região Amazônica e em especial dos
locais possíveis de passagem do gasoduto ajudou de forma decisiva na escolha dessa alternativa. Essa alternativa para o traçado da faixa do gasoduto cobre os quatro trechos destacados anteriormente no subitem 2.2.2, quando foi apresentado o cronograma de implantação do empreendimento, ou seja, aquela que cobre o seguinte caminhamento: inicia-se no Pólo Arara, na região de Urucu no município de Coari/AM e segue na direção sudeste por aproximadamente 185 km e depois na direção sul na região de influência do Rio Purus e Rio Mucuim até atingir a região da BR-319 que liga a cidade de Humaitá a Porto Velho. A maior parte da pista do gasoduto segue paralelamente ao Rio Mucuim, afastada em média 5 km das suas margens, chegando em alguns trechos a 10 km de afastamento e também, em outros trechos a 3 km de afastamento.
Em seu trajeto pela rota escolhida, o gasoduto passará em áreas próximas a algumas comunidades com baixa densidade populacional, às margens do Rio Madeira e em área rural nas proximidades de Porto
Velho. Nos levantamentos realizados no traçado escolhido não foi detectada a presença de rocha, apesar de existirem formações rochosas em certas áreas próximas de Porto Velho. O traçado passa por algumas áreas de títulos minerários de exploração de ouro, columbita e tungstênio (seis registros de exploração pouco intensa, sendo uma de Tungstênio da CPRM de coordenadas: Lat. 8 0 39' 26.4" S e Long. 63 0 59' 33.4" W, quatro de ouro da Mineração Tanagra Ltda de coordenadas: Lat. 8 0 40' 00.0" S e Long. 63 0 54' 92.0" W; Lat. 8 0 47' 00.0" S e Long. 63 0 50'00.0" W; Lat. 8 0 42' 00.0" S e Long. 63 0 56' 00.0" W; Lat. 8 0 23' 00.0" S e Long. 64 0 00' 00.0" W, uma de columbita da Mineração São Lourenço de coordenadas: Lat. 8 0 48' 44.8" S e Long. 63 0 48' 44.0" W).

Ressalta-se que os impactos ambientais gerados serão, na maior parte, restritos à fase de implantação do empreendimento, sendo que após à sua implantação serão realizados: a recomposição da faixa de servidão com grama e reconstituição das demais áreas onde a vegetação foi suprimida, proteção das áreas susceptíveis de erosão na vizinhança da rota do gasoduto, dentre outros. Nos 48 km do gasoduto desenvolvidos paralelamente à faixa de servidão da Rodovia BR-319, que é uma área tipicamente rural, será possível a completa recomposição da faixa com a retomada do uso do solo como ocorre atualmente. Como já foi observado, as Medidas Mitigadoras e os Programas Ambientais do presente EIA minimizarão grande parte dos impactos identificados no presente estudo.

2.6 DESCRIÇÃO TÉCNICA DO EMPREENDIMENTO
2.6.1 COMPONENTES

a) O PRODUTO A SER TRANSPORTADO

Conforme está explicitado no objetivo do presente Estudo de Impacto Ambiental (subitem 2.2.1), o produto a ser transportado pelo empreendimento em análise é o Gás Natural (GN) produzido na Província Petrolífera de Urucu pela empresa brasileira PETROBRAS, para suprimento, a curto prazo, de uma Termelétrica a ser implantada em Porto Velho, capital do Estado de Rondônia, na Região Amazônica. Trata-se de um gás em cuja composição predominam hidrocarbonetos leves como o Metano e Etano, com poucas impurezas que fazem com que a sua queima seja uma das mais limpas em termos de emissões, sendo ainda mais leve que o ar com densidade média relativa ao ar da ordem de 0,65 e Poder Calorífico similar ao da Gasolina. Sendo bem mais leve que o ar, no caso de vazamentos a céu aberto dispersa-se rapidamente por difusão molecular, fazendo com que o transporte através de dutos se constitua num meio bastante seguro, haja vista os baixíssimos níveis de acidentes registrados em operações de gasodutos no mundo inteiro, quando comparados com as demais alternativas para transporte desse tipo de combustível.
A composição típica do Gás Natural produzido no campo de Urucu já fora destacada anteriormente, sendo: Metano (71,20%), Etano (11,80%), Propano (0,02%), Nitrogênio (17,00%) e Dióxido de Carbono (0,16%).

b) FAIXA DO GASODUTO URUCU - PORTO VELHO

O traçado definido para a faixa de domínio do gasoduto se desenvolve em sua maior parte (aproximadamente 470 km, aproximadamente 90% do percurso) no Estado do Amazonas, com apenas 10%, aproximadamente, no Estado de Rondônia.Esta faixa terá 20 metros de largura em toda sua extensão. É um traçado otimizado em termos de travessia de áreas sensíveis, conforme já foi observado no presente documento, com viabilidade técnica avaliada pela PETROBRAS que detém grande experiência em construção e operação de gasodutos e, que para a demanda prevista, se mostra também economicamente viável. Em seu percurso, o gasoduto cortará 4 (quatro) municípios, a saber: município de Coari/AM, município de Tapauá/AM, município de Canutama/AM e município de Porto Velho/RO.
O gasoduto percorrerá em todo o seu traçado uma rota praticamente inabitada. No seu trajeto no estado do Amazonas, o gasoduto se aproximará de alguns povoados como: Paripi, próximo à travessia do Rio Purus; Foz do Tapauá, junto ao encontro do rio Tapauá com o rio Purus; e o Assentamento São Francisco, no cruzamento da BR 319. Entretanto, a faixa de servidão do gasoduto não cruza qualquer desses povoados, sendo a comunidade mais próxima a de Foz do Tapauá, situada a 700 metros da mesma. Além dessas, existem outras comunidades, vilas e bairros da cidade de Porto Velho localizados nas proximidades do empreendimento, porém mais distantes do mesmo que as localidades anteriormente citadas, dentre os quais destacam-se: Camaruã, próxima a travessia do Rio Purus; São João, Belo Monte, Jadibaru e Ipeçã, ao longo do rio Purus; Remanso Grande, Niterói e Maravilha, na margem esquerda do rio Madeira; bairro Bel Monte na margem direita do rio Madeira; e bairro Bom Jardim, já na periferia da cidade de Porto Velho.
As sedes dos municípios cortados pelo gasoduto no estado do Amazonas encontram-se distantes da trajetória definida, localizando-se a sede de Canutama a uma distância aproximada de 15 km do gasoduto e a de Tapauá, a aproximadamente 120 km da rota do gasoduto. A cidade de Coari encontra-se na direção nordeste em relação à Base de Urucu e, portanto, praticamente na direção oposta à que segue o gasoduto, dele distando aproximadamente 220 km. A cidade de Porto Velho é contornada pelo gasoduto até a chegada a UTE.
Todo o trajeto se desenvolverá em terreno típico da Região Amazônica, sem grandes elevações, mas com constantes mudanças de relevo. O gasoduto atravessará a grande área inundada do Rio Purus em sua menor extensão, perfazendo 40 km de extensão. O restante do trajeto se desenvolverá em áreas pouco inundáveis, salvo nas imediações de travessias de Rios. Ressalta-se também que nas áreas atravessadas pelo gasoduto não ocorrem formações rochosas e, portanto, não deverão ocorrer desmontes de rochas, que normalmente são característicos de outras regiões como as Regiões Sul, Sudeste e Nordeste, onde já foram construídos gasodutos com a participação da PETROBRAS. A linha que será implantada terá 14" (35,6 cm) de diâmetro, com espessuras de 0,219" (0,556 cm) , 0,281" (0,714 cm), 0,312" (0,793cm) e 0,375" (0,953 cm), cujas aplicações serão dependentes das condições das áreas da rota traçada, pois em áreas alagadas, travessia de Rios e estradas, as especificações indicam paredes mais espessas para o duto. A faixa de domínio em toda extensão do gasoduto está fixada em 20 m, cuja descrição do percurso é a que se segue.

c) O TRAÇADO BÁSICO DO PROJETO
O gasoduto iniciar-se-á no lançador de "esfera" na Estação Pólo Arara (km 0) nas proximidades do Rio Urucu (Província Petrolífera de Urucu) seguindo nos primeiros 15 km ao lado de uma estrada asfaltada, em faixa com linhas existentes que transportam petróleo e gás para a cidade de Coari. A faixa das linhas existentes nesse trecho deverá ser alargada para abrigar a nova linha, com supressão adicional de vegetação de no máximo 5 metros. Após os primeiros 15 km, o gasoduto tomará a direção sudeste, onde a faixa de domínio assumirá a largura de 20 metros em toda sua extensão. No km 45,9 o gasoduto cruzará o Rio Itanhauã, afluente do Rio Coari, o qual também será atravessado pelo gasoduto no km 117, 5 antes de atingir a margem esquerda do Rio Purus, ponto em que completará o Trecho I anteriormente referenciado no subitem 2.2.2, num percurso total de 154,4 km. O mapa de Logística apresentado na Figura 2-2, permite uma boa visualização do traçado do gasoduto Urucu-Porto Velho, com sugestão de localização de clareiras para armazenamento de tubos, canteiros de obras ao longo da faixa de domínio, alojamentos fixos e balsas de alojamento, bem como as pistas de pouso para suporte ao transporte de pessoal. O cruzamento do Rio Purus será efetuado a jusante do estuário do Rio Tapauá que é seu afluente, evitando áreas de terras indígenas e ao mesmo tempo minimizando a área alagada do Rio Purus que terá de cruzar indo até o km 194,4. Este é o Trecho II de 40 km, anteriormente citado no subitem 2.2.2. Este trecho é o menor trecho alagado em comparação com as demais alternativas de rota para o gasoduto, que foram analisadas. A travessia do Rio Purus se processará com locação perpendicular à calha do rio e com o uso da técnica de furo direcional, atingindo uma profundidade de 6,0 metros abaixo da maior cota de fundo referenciada ao nível d'água e numa extensão de 600 metros aproximadamente. A técnica de furo direcional é plenamente dominada pelas empresas que militam na área de construção de dutovias, sendo bastante segura. Outros métodos tradicionais ou mesmo outros métodos devidamente comprovados poderão ser usados, desde que aprovados pela fiscalização da obra.
A faixa de domínio de 20 metros para o gasoduto, seguirá a partir desse ponto paralelamente ao Rio Purus (na direção sul) num afastamento médio de 10 km da calha principal, até atingir o estuário do Rio Mucuim que desemboca no Rio Purus próximo da cidade de Canutama. Continuando, a faixa seguirá paralelamente ao Rio Mucuim por aproximadamente 220 km, sem mudança significativa de direção (sempre na direção sul), ultrapassando o Trecho III que terminará no km 352,2 onde ocorrerá o cruzamento da Rodovia Transamazônica (BR-230). Seguindo ainda paralelamente ao Rio Mucuim, o gasoduto percorrerá aproximadamente mais 60 km do trecho IV, mantendo uma distância média de 5 km da sua calha principal. A partir do km 416,6 a faixa de domínio do gasoduto fará nova inflexão e seguirá novamente na direção sudeste até encontrar a Rodovia Manaus-Porto Velho (BR-319), que após o seu cruzamento, seguirá a ela paralela durante aproximadamente 48 km, passando nas proximidades do um canteiro central fixo da BR 319, previsto para o empreendimento, seguindo até um ponto nas proximidades do Rio Madeira, onde sofrerá novamente desvio direcional para a direção sudeste até atingir o Rio Madeira, atravessando-o já nas proximidades da cidade de Porto Velho e daí, contornando a cidade até atingir a margem da Rodovia BR 364, retornando a ela paralela até o "city-gate" da UTE no km 522,2, ponto final do gasoduto Urucu-Porto Velho.
Antes de atingir o "city-gate" da UTE, haverá duas derivações da linha tronco que chegarão até outros dois "city-gates", que são: "city-gate" após a travessia do Rio Madeira para atendimento das industrias existentes e o "city-gate" do novo distrito industrial a ser implantado.
No trecho de 48 km que o gasoduto seguirá paralelamente à BR-319, verifica-se a ocorrência de áreas de agricultura e pastagem, sendo completamente livre de inundação. No restante de seu trajeto até o "city-gate" da UTE, o gasoduto passará por área rural e atravessará áreas próximas a algumas comunidades. Neste Trecho IV, os cruzamentos das BR's 230 e 319 deverão ser realizados pelo sistema de abertura de vala, com técnica perfeitamente dominada no Brasil e com os cuidados inerentes, de modo que não seja interrompido o tráfego nas mesmas. Os projetos de travessia dessas Rodovias serão submetidos à aprovação do DNER. Ainda neste mesmo trecho, ter-se-á a travessia do Rio Madeira que também, a exemplo da travessia do Rio Purus, será realizada com a utilização de furo direcional, numa extensão de 1.140 m, aproximadamente, e profundidade de 6,0 metros abaixo da maior cota do fundo do rio na secção de travessia, referenciada ao nível d'água.
Grande parte da extensão do gasoduto se fará através da floresta Amazônica. A supressão de vegetação prevista para a faixa de 20 metros na extensão de 522,2 km e com adição das áreas das clareiras para armazenamento de tubos, canteiros de obras e alojamentos fixos, será da ordem de 1.100 hectares. Conforme já fora observado, na chegada a Porto Velho, o gasoduto atravessará áreas rurais e passará próximo de algumas comunidades.

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