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Preservação de rios e mares depende de engajamento e educação socioambiental

Folha de S. Paulo - http://www1.folha.uol.com.br/
Autor: Camila Gambirasio
27 de ago de 2018

Preservação de rios e mares depende de engajamento e educação socioambiental
27.ago.2018 às 19h44

Camila Gambirasio

Palestrantes defendem união de esforços entre setores da sociedade para difundir conhecimento sobre recursos hídricos

A questão do combate à poluição de rios e mares brasileiros dispõe de uma política pública inclusiva que permite ampla participação da população, mas é preciso que as pessoas possuam um nível elevado de capacitação e educação socioambiental para poderem tomar decisões adequadas acerca do problema.

Além de ações educativas, é necessário que exista um engajamento de vários setores da sociedade para que seja possível aumentar o nível das discussões sobre a preservação dos recursos hídricos no país.

Essas foram algumas das considerações apresentadas na mesa que discutiu o tema durante a 3ª edição do fórum Economia Limpa, realizado pela Folha e pela Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio), com patrocínio da Novelis, nesta segunda (27), na Unibes Cultural, em São Paulo.

"Temos uma política pública com espaço de participação, como nos comitês de bacias hidrográficas, no Conselho Nacional de Recursos Hídricos, no gerenciamento costeiro e no Zoneamento Econômico Ecológico, mas a sociedade não tem a capacitação adequada para isso", disse Malu Ribeiro, especialista em água da SOS Mata Atlântica. "Muitos aqui já devem ter assistido a uma audiência pública de licenciamento ambiental e visto o [baixo] nível de muitos dos debates."

Para ela, uma proposta de resolução desse problema é a fomentação de uma educação socioambiental que priorize a governança e a tomada de decisão, principalmente no caso da água.

Apesar de já existirem hoje planos governamentais de conscientização, eles não são suficientes, reconheceu Adriana Lustosa, diretora substituta do Departamento de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente.

"O Ministério do Meio Ambiente tem planos de educação ambiental, a Agência Nacional de Águas dispõe de ações de capacitação, o Ministério da Educação também se envolve, mas não é o bastante", disse Lustosa.

Segundo ela, para além da conscientização popular, é necessário que haja uma união de esforços entre vários atores da sociedade, inclusive a mídia, para que esse assunto entre em pauta e seja difundido de forma eficaz.

O professor e pesquisador do Instituto Oceanográfico da USP e integrante da comissão gestora do Plano Nacional de Combate ao Lixo do Mar, Alexander Turra, frisou o papel da ciência nesse debate, em especial ao que diz respeito à geração do conhecimento e à comunicação com a população. "É fundamental para o desenvolvimento de produtos, desenvolvimento técnico da comunicação e produção de materiais, por exemplo."

Turra comentou a questão do uso de canudos de plástico, que recentemente foi alvo de mobilização social apesar de causar um impacto ambiental significativamente menor que atividades relacionadas à pesca. Em julho, foi proibido pela prefeitura do município do Rio de Janeiro o uso de canudos de plástico em restaurantes, bares e quiosques.

Para o professor, a mobilização garante uma comunicação simples que atinge o público e os engaja em uma discussão de consumo sustentável e responsável e de descarte adequado. O problema, segundo ele, é que o debate não pode se limitar a questões rasas.

"Não pode parar por aí. O lixo, de certa forma, é um reflexo da falta de dignidade das moradias. Precisamos usar esse caso como ponto de partida para discutir o lixo, a coleta, a sustentabilidade de forma sistêmica", disse. Um dos principais motivos da poluição das águas no Brasil é o saneamento básico precário.

"É fundamental que a gente entenda esse iceberg que tem como topo o lixo no mar e nos rios, que são conectados. De uma forma ou de outra, isso pode ser entendido como uma medida de desorganização do nosso sistema ecológico", disse Turra.

A especialista em água da SOS Mata Atlântica apontou que a pauta da água, apesar de fundamental, nem sempre está presente no debate público da forma que deveria. "A água é estratégica, mas não está nos debates dos candidatos à presidência. Ainda estamos discutindo saneamento básico, enquanto deveríamos estar falando de saneamento ambiental", disse.

https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2018/08/preservacao-de-ri…

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