VOLTAR

Preservação de áreas sagradas da mitologia do Xingu ganha prêmio

24 Horas News - www.24horasnews.com.br
16 de ago de 2008

O projeto de tombamento e preservação de duas áreas indígenas sagradas do Alto Xingu (MT), conduzido pelo Instituto de Pesquisa Sócio-Ambiental do Xingu (Ipeax) com o apoio da Pequena Central Hidrelétrica Paranatinga II, da Atiaia Energia, acaba de ganhar o Prêmio Rodrigo Franco Melo de Andrade, na categoria Apoio Institucional e Financeiro, promovido pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O julgamento da premiação, considerada uma das mais importantes na área de proteção ao patrimônio cultural e histórico do País, foi realizado no último dia 26, em Brasília.

Organização não-governamental composta e dirigida por índios do Alto Xingu, o Ipeax contou com o investimento da Atiaia Energia - empresa especializada em implantar e operar PCHs - para o desenvolvimento das pesquisas que localizaram, identificaram e delimitaram os sítios sagrados Sagihenhu e Kamukuwaká. Os estudos mobilizaram, durante mais de um ano, uma equipe multidisciplinar de 21 antropólogos, arqueólogos, historiadores e engenheiros ambientais.

De acordo com as pesquisas, o Sagihenhu está localizado no Rio Culuene, na corredeira conhecida hoje como Travessão do Adelino, a 7 km abaixo da Pequena Central Hidrelétrica Paranatinga II, da Atiaia Energia - que começou a gerar energia em fevereiro deste ano, beneficiando os municípios de Gaúcha do Norte, Querência do Norte e Ribeirão Cascalheira, além da região do Vale do Araguaia. Segundo a memória ancestral dos indígenas, neste sítio sagrado teria ocorrido o primeiro Kuarup, celebração realizada para elevar o espírito após a morte de algum membro reconhecido pelas nove etnias do Alto Xingu. Já o Kamukuwaká, ritual que marca a transição dos adolescentes para a fase adulta, foi localizado numa caverna no Rio Batovi, próximo aos limites do Parque Nacional do Xingu.

Além de desenvolver e implantar diversos programas sócio-ambientais, atendendo rigorosamente todas as exigências dos órgãos competentes, a Atiaia Energia decidiu também investir na preservação da memória dos povos alto-xinguanos. "Esses sítios não são importantes apenas para os índios, mas fazem parte da história e formação da nação brasileira", ressalta o diretor de Operações da Atiaia Energia, Manuel Martins. Com a parte técnica do projeto executada pela Documento Arqueologia e Antropologia, as pesquisas foram acompanhadas de perto pelo Iphan e pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

Dos 17 projetos inscritos pelos estados de Mato Grosso, Goiás e Tocantins, apenas seis foram selecionados para a etapa nacional do Prêmio Rodrigo Franco Melo de Andrade. Ao todo, concorreram 236 trabalhos de todo o País em sete categorias.

Controlada pelo Grupo Cornélio Brennand (90%) e KI Investimentos (10%), a Atiaia Energia possui duas PCHs em construção e quatro em operação com capacidade total de 116 MW e uma geração de energia elétrica anual de aproximadamente 761.000 MWh, potencial suficiente para abastecer uma cidade com 500 mil habitantes. Nos próximos 10 anos, serão construídas mais 15 usinas, totalizando uma potência instalada de aproximadamente 500 MW e um investimento de R$ 2,2 bilhões em 21 PCHs. Além de aumentar a oferta de energia elétrica, a Atiaia Energia contribui conseqüentemente para o crescimento econômico do Brasil.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.