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Planalto vê Marina refém de 'xiitas' do Ibama

O Globo, O País, p. 9
06 de Dez de 2006

Planalto vê Marina refém de 'xiitas' do Ibama
Para mantê-la, Lula pedirá à ministra que substitua comando do instituto e se afine com linha do crescimento

Gerson Camarotti

A permanência da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará condicionada a uma gestão menos fundamentalista da área ambiental. No Palácio do Planalto, a avaliação é de que Marina virou refém do "xütismo" do grupo que hoje comanda o Ibama, principal órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente. Por causa disso, Lula já estaria certo da necessidade de substituição dos principais cargos de comando do Ibama, inclusive do presidente do instituto, o médico e pesquisador Marcus Barros.

Numa conversa que pretende ter com Marina Silva antes da reforma ministerial, Lula deve explicar isso de forma clara para a amiga. 0 presidente não esconde a sua angústia em relação à situação de Marina. Reconhece que ela é um símbolo internacional na luta pela ecologia, além de ter afeto pessoal pela ministra. Mas acredita que a área ambiental do governo precisa estar em sintonia com a linha decidida para o seu segundo mandato, para impor um período de crescimento consistente do país.

Ontem, o governador do Acre, Jorge Viana (PT), reconheceu problemas de entraves burocráticos na área do Ibama. Mas defendeu a gestão de Marina e cobrou um fortalecimento da gestão ambiental no governo. Ele concorda com a posição do presidente Lula de que o governo deve criar soluções e agilizar os projetos estratégicos que esbarram em questões ambientais. Mas considera um equívoco culpar a atuação de Mariana Silva.

- Se há problemas, temos que encontrar soluções e criar um caminho VIP para os projetos estratégicos do país. Mas é um equívoco satanizar a área ambiental e a gestão da ministra Marina. Lula tem reclamado, com razão, de algumas travas colocadas pelo Ibama para os projetos que interessam ao país. Mas ele reconhece os avanços no meio ambiente e a importância de Marina e as conquistas dela no ministério. Temos que ter o compromisso de fortalecer essa área - disse Jorge Viana.
Binho: "Ibama era uma ONG dentro do governo"
0 governador eleito do Acre, Binho Marques (PT), também saiu em defesa da ministra. Ressaltou que o órgão era uma espécie de ONG dentro do governo:
- Não de uma hora para outra que se transforma um órgão como o Ibama, uma estrutura complicada, que era uma espécie de ONG dentro do governo. E Marina melhorou muito o Ibama, renovando o órgão. Ela teve o mérito de encarar as dificuldades. Não dá para responsabilizar Marina por todos os males desse órgão.

José Alencar defende a permanência de Marina
Vice-presidente sai em defesa de ministra, mas ressalta a necessidade de superar 'entraves'

Cristiane,Jungbiut

0 vice-presidente da República, José Alencar, defendeu ontem a atuação da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, numa declaração de apoio à sua permanência no cargo. Alencar disse que sempre esteve "ao lado da ministra", numa referência a outras discussões internas do governo, como na briga em torno da liberação ou não da comercialização de soja transgênica no país. O vice-presidente reconheceu que há entraves na legislação ambiental que precisam ser resolvidos, ressaltando que isso deve ocorrer dentro da lei, com respeito ao meio ambiente. Para Alencar, é preciso haver, ao mesmo tempo, crescimento econômico e respeito ao meio ambiente.

- Tenho por ela a maior admiração. Ela foi minha colega no Senado, e conheço os propósitos dela. Ela tem procurado estruturar, como não estava antes, o Ministério do Meio Ambiente. É uma grande brasileira e tem condições excepcionais de ajudar o Brasil na preservação do meio ambiente, sem prejuízo para o crescimento - disse Alencar, ressaltando: - Sempre fui ao lado dela por razões óbvias.

Alencar tentou se equilibrar entre a defesa da colega e o discurso pelo desenvolvimento:
- É claro que há determinados entraves que precisam ser resolvidos, mas dentro da lei. É aquela história: temos que respeitar o meio ambiente.
Vice evitou tomar partido entre Marina e Dilma
Ontem, Alencar não quis interferir diretamente na disputa entre Marina, que resiste às mudanças na legislação, e o grupo liderado pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que elabora as mudanças na lei ambiental, com o sinal verde do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Perguntado sobre a informação de que Dilma queria o afastamento de Marina, Alencar recuou e foi enfático:
- Essa não é questão minha. Estou falando como cidadão (sobre Marina).

Governo Lula não tem planejamento, diz Aécio
Governador afirma que o maior gargalo da infra-estrutura no país é o setor energético

0 governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), criticou ontem o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por não ter planejamento. Segundo ele, um dos gargalos da infra-estrutura no país é o setor energético.
- É uma angústia que não é pessoal, é de muitos mineiros e brasileiros. Falta hoje planejamento no Brasil. Nós não podemos continuar vivendo no improviso das medidas tomadas na última hora, buscando conter ou atender demandas já existentes ou consolidadas - disse Aécio Neves, que participou da solenidade de inauguração do complexo hidrelétrico Capim Branco, no Rio.

0 complexo, com duas usinas, tem capacidade de 450 megawatts e foi construído pelas empresas privadas Companhia Vale do Rio Doce, Votorantim, e Suzano, além da estatal de energia, Cemig.

Segundo Aécio, o país tem todas as condições de investir e desenvolver projetos em parceria com a iniciativa privada. Nos próximos dias, o governo de Minas vai lançar licitação para a primeira PPP (parceria público-privada) para a rodoviária do estado.
- As PPPs devem ser uma alternativa, uma complementação à ausência de capacidade do setor público de investir. A energia é o grande gargalo a ser enfrentado. A energia é o grande gargalo da infra-estrutura brasileira - disse Aécio Neves.

O Globo, 06/12/2006, O País, p. 9

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