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Pesquisadores feitos reféns por índios relatam momentos do cárcere

O Documento
28 de fev de 2008

Quatro dos oito pesquisadores do Instituto Creatio que formam retidos pelos índios ikpeng, da aldeia Moigu, durante seis dias, deram coletiva a imprensa na última terça-feira (26.02). Eles falaram sobre os acontecimentos ocorridos durante o período de cárcere, as ameaças, o medo e a pressão por qual passaram.

Os pesquisadores foram libertados em dois momentos. Primeiramente foram liberados, durante a manhã da segunda-feira (25), três pesquisadores. Os outros cinco foram liberados no período da tarde, juntamente com os demais reféns, seis funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Segundo o presidente do Creatio, Luciano Mesquita, a coletiva foi fundamental para esclarecer os fatos vivenciados pelos pesquisadores do Instituto Creatio. "Desde o momento que soubemos da rendição de nossos colaboradores, tomamos medidas pra solucionar o problema o mais rápido possível. Estivemos em Brasília durante todos esses dias para negociar a liberação e vamos continuar dando todo o respaldo jurídico necessário aos pesquisadores".

Dionei José da Silva, doutor em Biologia, falou dos primeiros momentos vivenciados após a rendição. "Nós não sabíamos como reagir e a primeira noite foi muito tensa. Eles nos ameaçavam com flechas e em muitos momentos pronunciavam a palavra matar. Não sei se esta palavra tem o mesmo significado para eles que tem para nós, mas com certeza nos assustava muito."

A doutora em Antropologia, Edir Pina de Barros, diz que não se sente traumatizada com o acontecimento. "É mais uma experiência, somos especialistas em comportamento humano. Esses índios são guerreiros e o contato com nossa sociedade ainda é recente". Ela ainda comentou que os índios estavam em estado de guerra. "As mulheres e as crianças ficaram dentro das cabanas, para eles aquele momento era uma guerra. Estavam lutam pelo que acreditam", afirmou.

Os pesquisadores contam que os índios ikpeng mantiveram os pesquisadores e os funcionários da Funai em locais diferentes. Segundo Edson Ruiz Benedetti, mestre em Antropologia, um dos três libertados durante a manhã de segunda-feira, desde o primeiro momento foi priorizara a negociação. "Algumas vezes os índios queriam que demonstrássemos um medo muito grande. Eles nos pintaram, nos fizeram deitar no chão e apontaram flechas em nossa direção. Por medo nós fazíamos tudo que eles queriam,mas eles não chegaram a concluir nenhuma das ameaças".

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