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O desafio de cuidar da Amazônia venezuelana

OECO - http://www.oecoamazonia.com
Autor: Evelyn Guzmán
20 de mai de 2011

No extremo sul da Venezuela estão guardados os mitos e a magia que envolvem a enigmática floresta amazônica. Protegida desde tempos milenares pelas sociedades indígenas, a Amazônia venezuelana está em estado pristino, apesar das ameaças que existem sobre seus ecossistemas.

Segundo um estudo realizado pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada, a Venezuela preserva quase intacta 71,5% de sua Amazônia, graças ao regime de proteção integral e da existência de terras indígenas "que em geral estão em perfeito estado de conservação". Assim quis Wajari, deus criador dos indígenas Piaroa, quando derrubou Kuawai, a árvore da vida, cujos galhos cheios de frutos caíram para o nordeste onde hoje se eleva frondosa a floresta úmida tropical do Amazonas venezuelano.

Biodiversidade

O estado de Amazonas é o segundo maior do país com uma superfície de 180.000 km2 e uma densidade populacional de apenas 0,3 habitantes por km2. Segundo o censo nacional de 2001, no estado convivem 130.182 habitantes, sendo o 45,8% indígenas. Os dados do Ministério do Ambiente mostram que esta região abriga o 65% dos recursos hídricos e 30% dos recursos florestais do país, evidenciando "um enorme potencial em sua extraordinária diversidade biológica e em suas reservas de minerais estratégicas". No interior de sua floresta, na Serra Parima, nasce o rio Orinoco, o terceiro mais caudaloso do mundo.

Nesta Amazônia estão os Parques Nacionais Parima Tapirapeco, Serra de La Neblina; Yapacana, Duida-Marahuaca; os Monumentos Naturais Pedra El Cocuy, Monte Autana, formações de tepuis, Pedra La Tortuga e Pedra Pintada, além da parte sul da Reserva da Biosfera Alto Orinoco-Casiquiare, considerada a maior área protegida de floresta tropical do mundo.

Diversos estudos registram uma alta diversidade biológica e um grande número de espécies vegetais e animais endêmicos, tendo sido descritas até agora cerca de 5.000 espécies de plantas (25% da flora venezuelana), das quais 15% são endêmicas; 90 espécies de mamíferos, 674 de aves, 159 de répteis e 25 famílias conhecidas de peixes.

Ameaça mineradora
O Amazonas tem vários decretos que proíbem o desmatamento comercial, a exploração mineral de metais, incluindo também a legislação que regula a atividade turística, orientando-a para a modalidade de turismo ecológico.

Porém, como adverte a organização ambiental Provita, "são muito frequentes as denúncias sobre atividade mineradora ilegal, principalmente extração de ouro em zonas estratégicas ou protegidas, como as cabeceiras do rio Orinoco, Serra de Parima e o Parque Nacional Yapacana. Também são comuns as denúncias sobre companhias de turismo ilegais".

Sobre isso, o biólogo Iñigo Narbaiza, presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia do estado de Amazonas (Fundacite Amazonas), diz que "ao redor das minas ocorre um impacto muito forte sobre a fauna que é caçada para alimentar os mineradores, as águas ficam poluídas, acontece muito desmatamento e tudo isso resulta em problemas sociais para o estado venezuelano, já que essas minas mantêm uma economia que não é nossa, e sim das fronteiras com a Colômbia e o Brasil, baseada no contrabando de combustível".

Frente a essa situação, Germán Zambrano, diretor estatal do Ministério do Ambiente, em declarações oferecidas à revista Amazônia, explica que é necessária uma maior vigilância e cooperação entre as nações. "Aqui os mineradores são presos e dois dias depois já estão soltos. Embora nós pertençamos ao Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), nunca se chegou a um acordo entre os países do tratado para compensar os danos provocados por cidadãos dos outros países. Aqui, a maioria dos delitos estão sendo cometidos por cidadãos da Colômbia e do Brasil, e os governos deveriam assumir certa responsabilidade ou cooperação com a Venezuela pelos danos que seus cidadãos causam em nosso estado".

Como é lembrado, o TCA foi assinado em 1978 por Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela com o objetivo de conseguir um desenvolvimento integrado da região amazônica, para melhorar o uso e proteção dos recursos naturais e a manutenção do equilíbrio ecológico. É importante destacar que o estado de Amazonas tem um plano de ordenamento do território, elaborado em 1993, que até o momento não foi aprovado pelo Governo nacional.

Desenvolvimento sustentável
Para o presidente da Fundacite Amazonas, esta região apresenta todas as oportunidades para implementar planos de desenvolvimento sustentável. Para isso, afirma que seu escritório está desenvolvendo dois projetos visando esta proposta. O primeiro se refere a uma iniciativa multimídia em software livre, integral e relacional de toda a informação sobre o estado de Amazonas.

"Esta base serve ao planejamento e esperamos que em breve seja um recurso para todas as instituições públicas não só do estado, mas também de fora, porque estará disponível através do site". Iñigo Narbaiza defende este projeto afirmando que se não houver a informação base, "não será possível executar políticas sérias e corretas em tudo o que tem que ver com o desenvolvimento e conservação da Amazônia venezuelana".

O outro projeto se refere ao fortalecimento das redes de inovação produtiva para o desenvolvimento endógeno, através da promoção da produção nativa como o cacau, a borracha natural, o cupuaçu, a pupunha (palmeira com fruto comestível com alto potencial para a alimentação humana e animal), e outros frutos como o abacaxi, entre outros, como também a piscicultura.

Claro que para conseguir tais objetivos Narbaiza conclui que faz falta uma maior atenção ao estado de Amazonas "desde o ponto de vista dos recursos e de atender as necessidades da população com um maior investimento em capacitação e desenvolvimento do conhecimento e de infraestrutura na área de ciência e tecnologia".

http://www.oecoamazonia.com/br/reportagens/venezuela/217

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