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O Brasil do século XX

Gazeta Mercantil (São Paulo - SP)
20 de mai de 1999

Relatório especial que trata a questão das fronteiras traçadas a partir da fundação do país enquanto um Estado Nacional. As reportagens que compõem o caderno defendem que o Brasil ganhou espaço na comunidade internacional, tornando-se um importante parceiro econômico e mediador em litígios divisórios, em decorrência da construção de sua respeitabilidade, que se deu através de negociações que traçaram e fixaram suas próprias fronteiras nacionais. Os tópicos elencados a seguir, entre outros, fazem parte de algumas temáticas destacadas na reportagem:

Uma análise cronológica que data alguns momentos históricos é feita. Entre os pontos abordados, pode-se ressaltar os comentários a respeito do trabalho escravo; a migração europeia; a relação com o ideal americano. Além desses assuntos, há reflexões sobre o pan-americanismo difundido pela Doutrina Monroe; a disputa econômica entre Brasil e Argentina e outros tópicos que se relacionaram com a demarcação do território brasileiro.

O gasoduto Brasil-Bolívia também é comentado no caderno de reportagens. O potencial enérgico proveniente da utilização de gás natural resultou em uma parceria entre esses dois países para a realização da obra. No entanto, problemas de execução puderam ser comprovados no lado boliviano da obra. Apesar do lado brasileiro estar pronto, ambientalistas vêm denunciando a Bolívia pela previsão de atravessamento de terras indígenas e reservas florestais da Venezuela.

A temática sobre o sul do país ganha amplo espaço nas discussões feitas. De acordo com a revisão histórica exposta, por estar localizada em uma região fronteiriça, o sul foi palco de muitos conflitos e movimentações políticas e comerciais.
A falta de legislação alfandegária na chamada Aduana Integrada vem constituindo um problema para os caminhoneiros. Por conta da falta de coesão dos países em relação às decisões sobre irregularidades, caminhões do Brasil estão sendo apreendidos com justificativas pouco satisfatórias por parte da fiscalização argentina, como demonstra a reportagem.
A região de Foz do Iguaçu, além de atrair pessoas de diversas localidades devido ao alto fluxo comercial, é habitada por índios Kaingang e foi cenário do maior e mais sangrento conflito militar ocorrido no continente sul americano: a Guerra do Paraguai, que teve duração de cinco anos, e que travou uma grande disputa pelo rio da Prata. A mesma região reúne uma famosa atração turística: as Cataratas do Iguaçu.
A usina hidrelétrica de Itaipu é mostrada como um empreendimento de sucesso de dois países. A usina é responsável por cerca de 25% de toda a energia consumida no Brasil e sua produção dificilmente poderá ser ultrapassada por outra hidrelétrica.

Outro problema levantado corresponde às dificuldades do extrativismo seringueiro. A borracha, anteriormente conhecida como o "ouro negro", recentemente perdeu muito de seu valor. A extração de borracha por ingleses na Malásia e, posteriormente, a introdução da borracha sintética foram importantes momentos que contribuíram para o problema.

Venezuela e Guiana são vistos pelos roraimenses como a possibilidade de um futuro mais próspero. O estado, que enfrenta problemas de ordem econômica, quer ter acesso ao petróleo da Venezuela, local em que o preço é dez vezes mais barato.
Roraima passou a ganhar destaque na mídia em decorrência dos problemas dos índios Yanomami com o garimpo na região.

A história de José Brasil da Silva, filho de uma índia macuxi com um branco, também é contada. Zé Brasil, que possuía boa relação com os índios, deixou de cultivá-la por conta de uma porca levada do grupo indígena. Além dos índios, o pequeno agricultor também teve desacordos com a Funai. O motivo seria a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Na região da capital do Acre, Boa Vista, é possível ver uma série de pichações contra a entidade.

Na cidade Saint Georges du Oyapok, localizada na Guiana Francesa, moram índios de grupos comuns ao Brasil. No entanto, esses índios recebem uma ajuda financeira mensal, apontada como responsável pela atração de constantes migrações. O índio Jean Bastite Olan, de 12 anos, pertence ao mesmo grupo indígena que o prefeito de Oiapoque (AP), o dos Marworno. Porém há uma diferença, Jean só fala francês.

O narcotráfico na região da Amazônia e em pontos de fronteira do Brasil com outros países se configura enquanto um problema. Para neutralizar a atividade na região amazônica, a Secretária Nacional Antidrogas montou, em parceria com o Sivam, uma operação que deverá ser estendida ao Acre e que inclui ações repressivas e de apoio às populações carentes. Entre as ações, estão previstos procedimentos junto às populações indígenas, formação de técnicos especializados em ensino à distância e o controle de poluição das águas, que poderá detectar a existência de refinarias nas proximidades.

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