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Jovem indígena surpreende Kátia Abreu com pedido contra 'PL da Boiada', do qual ela é relatora, na COP26: 'Nada faremos contra a Amazônia'

O Globo - https://oglobo.globo.com/brasil
09 de Nov de 2021

Jovem indígena surpreende Kátia Abreu com pedido contra 'PL da Boiada', do qual ela é relatora, na COP26: 'Nada faremos contra a Amazônia'
Coletivo Engajamundo entregou caixa preta à senadora em Glasgow. Após abrir e se deparar com a "missão (im)possível", ela sorriu e acenou positivamente para ativistas

Arthur Leal
09/11/2021

Uma cena inusitada chamou atenção, nesta terça-feira (9), durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26), que acontece em Glasgow, na Escócia. A senadora Kátia Abreu (PP-TO) acompanhava um evento no pavilhão oficial do governo brasileiro quando foi abordada por jovens que a entregaram uma caixa preta, com a inscrição: "Missão Im possível". Ao abrir o pacote, ela se deparou, então, com uma ação contra o projeto de lei 2.159/202, o qual ela é relatora, que estabelece as regras da Lei Geral de Licenciamento Ambiental - que flexibilizaria as regras que valem hoje -, e deve ser votado após a convenção internacional. "PL da Boiada Não", diz o recado. Surpresa - e visivelmente sem graça - a parlamentar, então, sorriu e disse que não agiria contra a Amazônia.

- Enquanto juventude brasileira, a gente vem falar com a senhora, lhe dar a missão, que é possível de a senhora realizar, que é barrar a aprovação da PL 2.159 - diz uma jovem indígena brasileira do coletivo Engajamundo, ao entregar a carta à senadora, em vídeo gravado em Glasgow.

Kátia Abreu, então, diz não se lembrar, observando apenas a numeração, qual é aquele projeto de lei. "É mais conhecido como o PL da Boiada", logo responde a indígena na gravação.

- Ai, gente, que bonitinho - diz a senadora, aos risos, que em seguida ainda beija a cabeça da ativista e complementa, antes de dar as costas e ir embora. - Pode deixar que nada faremos contra a nossa Amazônia, viu?

A chamada PL da Boiada é considerada pelos críticos como um retrocesso em relação às leis de licenciamento ambiental e, caso aprovada, poderia, segundo eles, resultar em "catástrofes" à natureza. Ela foi assim apelidada em referência ao vazamento de uma fala do ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, durante uma reunião ministerial a portas fechadas, onde ele falou sobre deixar "passar a boiada" com a derrubada de exigências previstas em normas ambientais.

- É o mais grave retrocesso em tramitação no Congresso Nacional - afirmou Mauricio Guetta, consultor jurídico do Instituto Socioambiental, que apoiou a ação. - A aprovação do PL implicará o aumento do desmatamento da Amazônia e a consequente inviabilidade do cumprimento de metas climáticas pelo Brasil. Impactará de forma irreversível em terras indígenas, unidades de conservação e territórios quilombolas. Ainda pode significar a proliferação de tragédias como as ocorridas em Mariana e Brumadinho (MG), o descontrole de todas as formas de poluição, com graves prejuízos à saúde e à qualidade de vida da população, além do aprofundamento da crise hídrica.

Kátia Abreu faz parte da comitiva brasileira em Glasgow para a COP26, e acompanhou, nesta terça-feira (9), o painel de abertura do Dia da Indústria, no pavilhão oficial do governo brasileiro no evento que contava com a presença do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, do Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga, do Vice-presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marcelo Ramos e o atual Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite.

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