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Índios vão consultar sobre estudo

Diário de Cuiabá
29 de fev de 2008

Os 75 caciques xinguanos que passaram o dia em reunião com a presidência da Funai em Brasília decidiram retornar hoje ao Parque Nacional do Xingu para conversar com todas as lideranças da área sobre a retomada das pesquisas do Instituto Cratio. Pelo menos foi o que ficou acordado ontem na capital federal entre os índios e o órgão. A intenção é saber se todos no Xingu concordam ou não com o retorno dos pesquisadores ao Parque, conforme informou a assessoria de imprensa da Funai no Distrito Federal.

A reunião entre índios de sete etnias do Xingu e o presidente substituto da Funai, Aloysio Guapindaia, se estendeu por toda o dia. A conversa, que começou no final da tarde de quinta-feira, tratou do funcionamento da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Paranatinga II, pronta para iniciar atividades. A usina está localizada distante cerca de 100 quilômetros do Parque Nacional do Xingu. A preocupação dos índios é com possíveis impactos ambientais na região.

Há uma semana, guerreiros de uma das etnias do Médio Xingu, os ikpengs, fizeram reféns oito pesquisadores do Instituto Creatio e seis funcionários da Funai em protesto contra o funcionamento da hidroelétrica. Todos os reféns foram liberados no início desta semana. Os índios temem que a PCH prejudique o abastecimento de água nas aldeias e mate os peixes do rio Kuluene, principal alimento deles. A conversa se alongou porque os índios queriam sair de Brasília com um acordo firmado.

A viagem dos índios para Brasília é cumprimento da promessa feita pela Funai para a liberação dos reféns. Assim que chegaram à Funai, os índios apresentaram reivindicações, entre elas, medidas compensatórias para o funcionamento da PCH. Conforme a assessoria de imprensa da Funai, foram discutidas medidas compensatórias financeiras e materiais, como a construção de postos de saúde, escolas, distribuição de sementes para plantio, entre outras.

Os oito pesquisadores faziam um levantamento de dados para complementar os estudos já entregues pela Paranatinga Energia S/A à Funai. Para isso, o Instituto Creatio indicou os profissionais, que percorreriam todas as 17 aldeias em busca de informações, mas, ao chegar à décima aldeia, foram feitos reféns.

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