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Funceme estuda recuperacao de areas degradas

GM, Gazeta do Brasil, p.B13
28 de jun de 2005

Funceme estuda recuperação de áreas degradadas
O objetivo é mapear todas as regiões do Ceará, permitindo a recuperação das áreas atingidas. Os resultados da pesquisa do Departamento de Recursos Ambientais (Deram) e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), sobre o processo de desertificação do semi-árido, mostram resultados assustadores. "Os percentuais de degradação são altos e a surpresa só não foi maior, porque já vínhamos observando a região", diz o engenheiro agrônomo Francisco Roberto Bezerra Leite, um dos responsáveis pelo trabalho na Funceme.
A metodologia de estudo envolveu a análise de imagens de satélite e observações de campo. O trabalho apontou a existência de três áreas bastante comprometidas quanto à preservação dos recursos naturais: Inhamuns/Sertões do Crateús; município de Irauçuba e regiões circunvizinhas; e médio Médio Jaguaribe.
O levantamento, que ambiciona alcançar todas as regiões do Ceará, permitindo na quarta e última etapa, o trabalho de recuperação das áreas degradadas, contempla apenas neste ano, investimentos da ordem de R$ 18 mil nas ações, sem considerar a remuneração dos técnicos envolvidos. Nesta nova fase, a Funceme detalha as regiões, para identificar o problema, resume a gerente do Deram, Margareth Silvia Benício de Souza Carvalho.
No Ceará, mais de 15,1 mil quilômetros quadrados, que representam 10,2% da superfície total estão associados a processos de degradação e susceptíveis à desertificação. A maior parte território está localizado na região do semi-árido, onde predominam solos rasos susceptíveis à erosão e constituídos por rochas cristalinas, que dificultam o acúmulo de água subterrânea, contribuindo para maior aridez do ambiente.
Ação do homem
"O processo de degradação é motivado primordialmente pelo mau uso da terra pelo homem", observa o engenheiro Leite. A densidade demográfica do semi-árido do Nordeste brasileiro é uma das maiores do mundo nessas áreas, com 20 habitantes por quilômetro, o que representa uma pressão muito grande sobre os recursos naturais, segundo o agrônomo Bezerra Leite.
Os estudos na região da Bacia do Jaguaribe, a 300 quilômetros de Fortaleza, apontam que 23,54% de todo o território está degradado e em processo de desertificação. Até agora, os pesquisadores concluíram a avaliação em outros seis municípios - Jaguaretama , com 17,59% da área degradada, Jaguaribara (11,34%), São João do Jaguaribe (8,74%), Alto Santo (7,12%), Potiretama (3,34%) e Iracema (2,75%).
"O próximo mapeamento inclui Irauçuba e municípios circunvizinhos, região que envolve um dos quatro maiores núcleos de desertificação do Nordeste", afirma o engenheiro. A cidade de Seridó, no Rio Grande do Norte, Cabrobó, Pernambuco, e Gilbués , no Piauí, também estão na lista.
Na região de Irauçuba, no Ceará, já não existe vegetação arbórea, mas apenas arbustos e ervas, o que aumenta a intensidade na degradação da área. A maior parte desse solo já perdeu a camada superficial pela erosão. Na década de 90, a equipe da Funceme realizou experimento no distrito de Juá, no município, identificou uma área desertificada e iniciou o plantio arbóreo.
Recuperação
O projeto-piloto implementado em área entre 2 e 3 hectares da Fazenda Urubu completa 10 anos, e começa a mostrar resultados promissores na recuperação do solo. "Temos um longo caminho. A recuperação das áreas degradadas leva de 15 a 20 anos, mas experiências indicam que é possível", afirma o engenheiro. A investida partiu do diagnóstico generalizado, permitindo maior visibilidade das áreas degradadas e seguimos no detalhamento e monitoramento das áreas, com e atualização constante das informações. "O levantamento, em escalas maiores, possibilita detalhamento e precisão nos resultados", afirma Roberto Bezerra Leite.
A idéia de evitar o processo de degradação, proposta implementada em parceria com a secretaria de Recursos Hídricos do Estado, contempla projetos-piloto nos municípios de Aratuba, e Canindé, por meio do Programa de Desenvolvimento Hidroambiental (Prodham).
A partir da análise das qualidades do solo, vegetação, tipo de cultura, forma de cultivo, a equipe define a estratégia para de produção, apoiada em técnicas de conservação do solo, orientando os agricultores a adotar as culturas mais viáveis como, por exemplo, plantio de milho, feijão, e mesmo a pecuária, evitando maiores danos e suprindo a área de nutrientes. Todas as operações têm acompanhamento técnico.
"As praticas adotadas na terceira fase do projeto contemplam ações preventivas para evitar a degradação das áreas como campanhas educativas, envolvendo agricultores e suas associações, num trabalho conjunto, apresentação de tecnologias adequadas de manejo do solo, que contribuem para evitar o processo erosivo", acrescenta. De acordo com Bezerra Leite. o uso intensivo e incorreto do solo na agricultura, sobrepastoreio, desmatamento desordenado, queimadas, extrativismo de madeira, manejo, irrigação mal conduzida, mineração e densidade populacional contribuem para o processo de degradação.
O engenheiro adianta ainda que a Funceme negocia com a Japan International Cooperation Agency (Jica) - apoio financeiro para um estudo de recuperação das áreas degradadas na região do Jaguaribe, quarta linha de projeto. Junto com técnicos de diversas instituições trabalha também na definição de metas que deverão fazer parte do Plano de Ação Estadual de Combate a Desertificação, que já tem área piloto no município de Independência (distrito Iapi), onde serão desenvolvidas atividades para reverter os processos degradacionais -, idéias posteriormente multiplicadas em outras áreas do semi-árido.

kicker: Na Bacia do Jaguaribe, 23,54% do território está degradado e, segundo o estudo, em rápido processo de desertificação

GM, 28/06/2005, p. B13

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