VOLTAR

Biólogos acham planta carnívora de 1,5 m

FSP, Ciência+Saúde, p. B9
30 de Jul de 2015

Biólogos acham planta carnívora de 1,5 m
Maior vegetal do gênero nas Américas foi encontrado em Minas Gerais de forma inédita: por uma imagem no Facebook
Nova espécie está no topo de montanha cercada de plantações e gado e pode ser extinta, segundo botânicos

CLÁUDIA COLLUCCI DE SÃO PAULO

Uma nova espécie de planta carnívora gigante foi descoberta no leste de Minas Gerais. É a maior do gênero já descoberta nas Américas.
O ineditismo também se aplica à forma como ela foi encontrada: por meio de uma foto publicada no Facebook.
Reginaldo Vasconcelos, orquidófilo e entusiasta da flora nativa, tirou uma foto da planta durante suas andanças nas montanhas próximas à sua cidade natal, Governador Valadares (MG).
Especialistas em plantas carnívoras, Paulo Gonella e Fernando Rivadavia viram a publicação no Facebook, a identificaram como uma nova espécie e fizeram uma expedição para estudá-la.
O artigo que relata a descoberta foi publicado no renomado periódico científico "Phytotaxa", por um grupo de botânicos do Brasil, Estados Unidos e Alemanha.
"É a primeira planta descoberta por meio do Facebook", diz Andreas Fleischmann, do Jardim Botânico de Munique (Alemanha), um dos autores do trabalho.
ARMADILHA MORTAL
Conhecida como "orvalhinha" (gênero drosera, família droseraceae), a agora nomeada Drosera magnifica atinge quase um metro e meio de comprimento.
Ela produz folhas longas e finas, cobertas por glândulas ou "tentáculos", que secretam gotículas de uma mucilagem viscosa e pegajosa.
Esses tentáculos vermelhos e reluzentes são visualmente atrativos, armadilha mortal especialmente para pequenos insetos voadores.
"Mesmo sob condições de alta umidade, neblina e chuva observadas no topo da montanha onde essa espécie cresce, as longas e finas folhas da Drosera magnifica estavam, surpreendentemente, cobertas com inúmeros insetos", conta Rivadavia, que estudou a nova espécie em 2013, logo após sua descoberta no Facebook.
Na maioria das espécies de drosera, os tentáculos e até mesmo as folhas são capazes de se movimentar. Eles se dobram sobre a presa capturada, aprisionando-a com mais mucilagem adesiva e aderindo-a em mais tentáculos.
Os insetos, então, morrem sufocados e são lentamente digeridos por enzimas secretadas pela planta.
Essa "dieta carnívora" garante uma fonte extra de nutrientes, como o nitrogênio e o fósforo, uma vez que essas plantas costumam habitar solos pobres em nutrientes.
O gênero drosera é o maior grupo de plantas carnívoras, com cerca de 250 espécies distribuídas pelo mundo, principalmente em áreas tropicais da Austrália, África do Sul e Brasil.
EXTINÇÃO
Para o botânico Paulo Gonella, outro autor do trabalho e aluno de doutorado no Laboratório de Sistemática Vegetal da USP, a descoberta dessa nova espécie mostra o quanto ainda é preciso estudar a flora brasileira.
"Se uma planta desse tamanho passou despercebida tanto tempo, imagine quantas outras espécies, menores e menos chamativas, estão esperando para serem encontradas", diz o botânico Paulo Gonella, aluno da USP e que faz parte do doutorado em Munique, na Alemanha.
O risco de extinção da nova espécie é grande, segundo ele. "A Drosera magnifica mal foi descrita para a ciência e já se encontra criticamente ameaçada de extinção", explica Gonella.
A nova espécie foi encontrada apenas em uma montanha, cercada de pequenas fazendas com criações de gado e plantações de café e eucalipto. A montanha foi quase totalmente desmatada e não é protegida por nenhuma área de preservação ou parque nacional.
"Temos esperança de que a descoberta dessa espécie tão extraordinária chame a atenção para a necessidade de se preservar esse frágil ecossistema", diz o botânico.
FACEBOOK
O Facebook já se tornou uma das ferramentas mais importantes para a descoberta de novas espécies, segundo os autores do artigo. Um dos grupos, o DetWeb, reúne mais de 5.000 botânicos e entusiastas do Brasil.
"Diariamente, são postadas fotos de plantas observadas no Brasil todo e não é raro que, por meio delas, sejam descobertos novos registros, novas populações de plantas raras e, agora, até novas espécies", diz Gonella.

FSP, 30/07/2015, Ciência+Saúde, p. B9

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/227868-biologos-acham-pla…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.