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26 de Mai de 2026
A COP 30 passou. E agora? Lideranças de movimentos sociais avaliam legado da conferência
25.05.26
Em Brasília, a atividade, realizada pela RCA, em parceria com o Iepé e o iCS, também foi momento de planejar novas ações de incidência climática
Estratégias indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais de engajamento na agenda climática estiveram no centro do debate nos dois dias de evento (Foto: acervo Iepé)
Nos dias 20 e 21 de maio, a Rede de Cooperação Amazônica (RCA), em parceria com o Instituto Iepé e o Instituto Clima e Sociedade (iCS), realizou, em Brasília, o encontro "A COP passou. E agora? Estratégias indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais de engajamento na agenda climática". A atividade reuniu lideranças e organizações para avaliar os resultados da COP 30, realizada no ano passado em Belém (PA), debatendo os avanços e os desafios que permanecem no enfrentamento às mudanças climáticas. O encontro também serviu para construir estratégias de incidência política e participação social nos próximos espaços do debate climático internacional, com foco nas discussões preparatórias que acontecerão em Bonn, na Alemanha, em junho, rumo à próxima Conferência do Clima, prevista para o final do ano, na Turquia.
O encontro reuniu representantes das organizações membro da RCA, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), além de representantes de organizações de povos e comunidades tradicionais, parceiras do eixo de Engajamento do iCS.
"Calibrar estratégias para continuar incidindo no debate climático internacional"
Depois da realização das últimas COPs em países com regimes autoritários, a COP 30, no Brasil, foi marcada pela ampla e histórica participação dos movimentos sociais. O encontro contou com forte presença de lideranças indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais, que ampliaram sua ocupação nos espaços oficiais da UNFCCC e fortaleceram a mobilização social em torno da agenda climática, o que também ampliou o diálogo entre esses segmentos e a presidência da conferência do clima.
"Entender que uma COP é parte de um processo contínuo de discussões que ora avançam ora ficam estagnadas é importante para poder traçar estratégias de intervenção por parte dos movimentos sociais, em discussões áridas e técnicas conduzidas, ano após ano, pelos representantes dos diferentes Estados que integram a Convenção do Clima", comentou Luis Donisete Grupioni, coordenador executivo do Iepé. "Esse evento, co-organizado pelo iCS, RCA e Iepé, tem de um lado a perspectiva de fazer um balanço do que foi conquistado com a realização da COP 30 no país, e de outro, a vontade de criar um espaço de articulação entre os diferentes líderes de movimentos sociais, pensado em como calibrar estratégias para continuar incidindo no debate climático internacional", completou.
Coordenador executivo do Iepé deu um panorama do contexto pós COP 30 (Foto: acervo Iepé)
O evento buscou fortalecer a construção coletiva entre organizações e movimentos sociais, destacou a gerente de engajamento e agentes de mudança do iCS, Tatiana Lobão. "Promovemos um espaço de cocriação, alinhamento de interesses e conhecimentos e narrativas, buscando uma atuação conjunta e garantindo que as vozes dos povos e comunidades sejam ouvidas, acolhidas e disseminadas", afirmou.
Destaques da programação
Ao longo dos dois dias de encontro, representantes de organizações indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais dialogaram com especialistas, representantes do governo federal e enviados especiais da sociedade civil para a COP 30 sobre os desafios e as perspectivas da agenda climática após a realização da conferência no Brasil.
A programação contou com uma mesa de análise dos resultados da COP 30 e perspectivas para a COP 31, com participação de Maria Gabriella Rodrigues de Souza, do Instituto LACLIMA, e Ciro Brito, do Instituto Socioambiental (ISA). Em seguida, o painel "Enviados Especiais" reuniu André Guimarães, enviado especial para sociedade civil e representante do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), e Denise Dora, enviada especial para direitos humanos e transição justa e representante da organização Artigo 19, para refletir sobre o papel da sociedade civil no acompanhamento das negociações climáticas.
Outro destaque foi o debate sobre a Conferência de Santa Marta e os caminhos para uma transição energética livre de combustíveis fósseis, com contribuições de Luene Karipuna, coordenadora executiva da Articulação dos povos e organizações indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP), Mariana Belmont, assessora do Geledés Instituto da Mulher Negra, e Claudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima. O primeiro dia também contou com trabalhos em grupo voltados à avaliação dos avanços conquistados e à construção de estratégias futuras de incidência.
Encontro reuniu lideranças indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais para discutir estratégias rumo às próximas negociações climáticas internacionais, incluindo a Conferência de Bonn (Foto: acervo Iepé)
No segundo dia, as discussões se concentraram no fortalecimento da participação de povos indígenas e comunidades tradicionais nos mecanismos internacionais de clima. O painel "A vez das comunidades tradicionais e povos indígenas" abordou o Fórum Global de Comunidades Locais sobre Mudanças Climáticas (GFLCCC) e a Plataforma de Povos Indígenas e Comunidades Locais da UNFCCC (LCIPP), com participação de Andreia Fanzeres, da Operação Amazônia Nativa (OPAN), Maria Ednalva da Silva, do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), e Marco Túlio Scarpelli, do Ministério das Relações Exteriores.
O acesso ao financiamento climático também foi tema de debate, especialmente em torno da proposta do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e das estratégias para ampliar o acesso direto de povos indígenas e comunidades tradicionais aos recursos climáticos internacionais. Participaram da mesa Simone Bauch, do Ministério do Meio Ambiente, Alana Manchineri, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e da APIB, Valéria Payê, do Fundo Podáali, e Francisco Filippo, do Ministério dos Povos Indígenas.
Para Luene Karipuna, o evento foi importante para avaliar e construir estratégias para o futuro. "Este é um momento de avaliar o que avançou dentro das discussões da COP e o que podemos implementar para as próximas conferências. Estamos não apenas nos preparando, mas apontando caminhos para o debate climático a partir dos conhecimentos dos povos, da ciência indígena, dos protocolos de consulta e dos planos de vida, além de todas as iniciativas já existentes nos territórios como mecanismos que precisam ser incorporados aos debates sobre clima", ressaltou.
Encerrando a programação, representantes do Ministério dos Povos Indígenas, Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Presidência da COP dialogaram com organizações da sociedade civil sobre prioridades para a agenda climática de 2026.
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