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Rock in Rio vai compensar emissões de deslocamento

Valor Econômico - valor.globo.com
Autor: Vanessa Oliveira
16 de Jul de 2026

Rock in Rio vai compensar emissões de deslocamento
Medida marca um novo capítulo na estratégia de descarbonização iniciada pelo festival há duas décadas

Por Vanessa Oliveira - Do Rio 16/07/2026

De forma inédita em seus 41 anos, o Rock in Rio vai compensar as emissões de carbono não apenas das atividades na Cidade do Rock, na zona sudoeste da cidade, mas também do deslocamento dos participantes. Entram na conta as viagens feitas pelo público, artistas, fornecedores e funcionários do momento em que saem de casa até o retorno. A decisão marca um novo capítulo de uma estratégia de descarbonização iniciada pelo festival há duas décadas.

Em 2006, na edição de Lisboa, o Rock in Rio passou a compensar as emissões geradas no evento. A edição 2026, de 4 a 13 de setembro, amplia esse compromisso ao incluir o transporte do público, que responde por quase 70% da pegada de carbono associada ao festival. Cerca de dois terços dos visitantes vêm de fora do Rio, usando avião, ônibus e carros.

O Rock in Rio estima que serão compensadas cerca de 50 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e), o que corresponde às emissões anuais de 18,8 mil carros movidos a fontes fósseis. O volume considera ações para compensar as atividades na Cidade do Rock mais os deslocamentos. Para o cálculo específico dos deslocamentos, o festival vai utilizar pesquisas por amostragem com o público e coleta de informações de artistas, patrocinadores, fornecedores e funcionários.

"Essa sempre foi a nossa grande angústia", diz Roberta Medina, vice-presidente executiva da Rock World, empresa que criou e organiza o Rock in Rio e o The Town e produz o Lollapalooza Brasil. Segundo ela, o evento já adotava medidas para reduzir emissões do transporte, como restringir o acesso de carros particulares e incentivar o uso de metrô, BRT e ônibus executivos. "Mas a experiência do festival começa muito antes dos portões abrirem e continua depois que a música termina. Agora conseguimos assumir responsabilidade por toda essa jornada."

Para compensar 100% de pegada de carbono do evento, o Rock in Rio combinará três instrumentos. A maior parte das emissões do evento - cerca de 43,7 mil toneladas de CO2e - será compensada por créditos de carbono gerados pela Usina Hidrelétrica Teles Pires, administrada pela Axia Energia. Já o consumo de eletricidade da Cidade do Rock será associado a cerca de 4 mil Certificados de Energia Renovável (Recfy), que não compensam emissões mas certificam que uma quantidade equivalente de energia renovável foi gerada e injetada no sistema elétrico.

Uma terceira frente envolve a doação de 15 mil mudas e 1 milhão de sementes de espécies nativas cultivadas, entre elas mogno, jatobá, pau-brasil e muiracatiara, algumas usadas na fabricação de instrumentos musicais. As mudas compensarão mais 6.328 toneladas de CO2e, enquanto as sementes têm potencial para capturar cerca de 428 mil toneladas de carbono ao longo do desenvolvimento de novas florestas, permitindo restaurar 900 hectares, em projetos monitorados pelo Instituto Socioambiental (ISA).

Leandra Peres, diretora de comunicação da Axia, diz que a parceria ajuda a aproximar um tema ainda pouco conhecido do público. "O Rock in Rio tem enorme poder de mobilização. Queremos mostrar que compensação de carbono e emissões estão mais próximas da vida das pessoas do que elas imaginam. Todo mundo emite carbono ao viajar, consumir energia ou se deslocar."

Embora a compensação seja importante, não substitui a redução das emissões. Ao longo do tempo, o festival reduziu o uso de geradores, ampliou o consumo de energia da rede elétrica, substituiu equipamentos por versões mais eficientes, adotou iluminação LED, implantou copos reutilizáveis, fortaleceu programas de reciclagem e exigiu práticas ambientais de fornecedores.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/07/16/rock-in-rio-vai-com…

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