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Após repressão, Justiça pode convocar Evo

OESP, Internacional, p. A15
29 de Set de 2011

Após repressão, Justiça pode convocar Evo
Promotor abre ação para determinar responsabilidades e central sindical convoca greve geral de apoio a indígenas que protestavam contra estrada

Mario Uribe, anunciou ontem o início de uma investigação penal contra o ex-ministro de Interior Sacha Llorenti e os policiais
que participaram da repressão contra a marcha indígena no domingo. Uribe não descartou a hipótese de convocar para depoimento o presidente Evo Morales, que ontem pediu perdão aos indígenas e reiterou que não ordenou a repressão.
O anúncio foi feito no mesmo dia em que milhares de mineiros sindicalizados, estudantes e trabalhadores dos setores de saúde, educação e construção civil atenderam à convocação de greve geral feita pela Central Operária Boliviana (COB), uma das maiores do país, em apoio aos indígenas e contra a construção de uma estrada que vai dividir em dois o Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis). Uma nova paralisação foi convocada para amanhã.
Trabalhadores de La Paz e outras grandes cidades da Bolívia saíram às ruas para apoiar os indígenas contra a construção da rodovia - levada adiante pela empreiteira brasileira OAS e financiada pelo BNDES.
O promotor Uribe afirmou que o Ministério Público não tem informações sobre mortos ou feridos pela violência policial no fim de semana, como denunciam à imprensa indígenas e ativistas.
Ele disse ainda que não está claro de quem foi a ordem para atacar a marcha. Diante dos protestos, Evo anunciou a suspensão da obra na segunda-feira.
Na terça, o ex-ministro Llorenti afirmou que a ordem de ataque não partira dele nem de Evo, mas do vice-ministro de Interior Marcos Farfán, que também deixou o cargo. Em sua carta de demissão, Farfán negou ter autorizado o ataque e disse que renunciava por não concordar com o uso da violência contra os participantes do protesto.
Apoio aos índios. Os manifestantes pediram ainda a renúncia do ministro da Presidência, Carlos Romero; de Obras Públicas, Wálter Delgadillo, e do chanceler David Choquehuanca, que teria sido forçado a marchar com os índios no domingo. Segundo o grupo, os ministros não se empenharam o suficiente para solucionar o conflito. /REUTERS e EFE

OESP, 29/09/2011, Internacional, p. A15

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