O Globo, Economia, p. 35
04 de Jul de 2013
Vale tem sinal verde do Ibama para expansão de Carajás
Maior projeto do setor no mundo terá investimento de US$ 19 bi. Órgão impõe 20 condicionantes
DANIELLE NOGUEIRA
danielle.nogueira@oglobo.com.br
RIO - A Vale anunciou nesta quarta-feira que obteve a licença de instalação (LI) para a mina e a unidade de processamento do minério de ferro do projeto S11D, o maior projeto da indústria da mineração mundial e da história da companhia, orçado em R$ 19,6 bilhões. Ele consiste na expansão da atividade da empresa em Carajás (PA) e inclui investimentos em ferrovia e no terminal portuário Ponta da Madeira, no Maranhão, por onde o minério será escoado. A LI para a duplicação da ferrovia que transportará o minério e para o porto já haviam sido obtidas.
Segundo o Ibama, que emitiu a licença, estão previstas 20 condicionantes que exigem da Vale diversas medidas para proteção da fauna, flora e cavernas, bem como ações de cunho socioambiental. Entre as demandas está a conservação de uma área de 2.912 hectares na Serra da Bocaina (PA).
Ainda de acordo com o Ibama, durante o processo de licenciamento, foram feitas várias solicitações à Vale para alterar pontos do projeto, entre eles o método de lavra. O método que será empregado será o truckless (sem caminhões). Um sistema de escavadeiras e britadores móveis vai extrair o minério de ferro e alimentar correias transportadoras que o transportarão até a usina de beneficiamento. Com isso, o consumo de combustível será reduzido em 77% e a emissão de gases do efeito estufa em 50%. Para finalizar o processo de licenciamento, a Vale ainda precisa obter a licença de operação (LO).
O S11D fica na Serra Sul de Carajás. Atualmente, a Vale atua na Serra Norte do complexo. A operação da nova mina está prevista para 2016, mas apenas dois anos depois deverá ser atingida a capacidade plena de produção, de 90 milhões de toneladas por ano. Isso aumentará a produção total da Vale no Pará para 230 milhões de toneladas por ano.
Dos R$ 19,6 bilhões que serão investidos, US$ 8,1 bilhões serão destinados à mina e à unidade de processamento do minério, e os US$ 11,4 bilhões restantes para as obras de logística. Em maio, a Vale recebeu a licença ambiental para o ramal ferroviário que vai ligar o projeto à Estrada de Ferro Carajás (ECF), que está sendo duplicada. Com isso, segundo o presidente da Vale, Murilo Ferreira, a empresa já havia iniciado a contratação dos serviços necessários para as obras:
- A engenharia do projeto está praticamente completa, e os pacotes de equipamentos e serviços para todo o programa estão 23% contratados e 45% a contratar com proposta firme. Ao fim de maio de 2013, o S11D estava com 44% de evolução física na mina e usina de processamento, como resultado da nossa estratégia de construir módulos remotamente. O ramal ferroviário estava com 8% de avanço físico.
Recursos do BNDES e de bancos estrangeiros
A companhia já mantém conversas com BNDES e com bancos de desenvolvimento no exterior para financiar o projeto, entre eles o Japan Bank for International Cooperation (JBIC). Já foram executados US$ 2,7 bilhões do projeto.
De acordo com o presidente da Vale, o minério será fornecido sobretudo para Ásia e Europa. Ele se disse otimista com o cenário para o minério de ferro nos próximos anos. Nas contas do executivo, se a indústria siderúrgica mundial crescer a uma taxa de 3% nos próximos anos (metade do que vinha crescendo), serão necessárias 40 milhões de toneladas de minério de ferro por ano para atender à demanda do setor.
- Diversas minas estão caminhando para exaustão e precisam ser substituídas - disse Ferreira.
A diretora de Sustentabilidade da Vale, Vânia Somavilla, destacou que o processamento do minério não utilizará água, o que diminuirá o impacto ambiental e eliminará a necessidade de construção de barragem de rejeitos.
- Não existe no mundo um projeto de mineração tão moderno quanto este - afirmou.
O Globo, 04/07/2013, Economia, p. 35
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