OESP, Economia, p. B6
18 de Mai de 2008
Usina sem reservatório alivia impacto ambiental
Em compensação, para enfrentar queda da produção na seca, País precisará de mais térmicas
O avanço das hidrelétricas na Região Norte vai exigir a expansão da energia térmica no sistema elétrico brasileiro nos próximos anos. Para reduzir os impactos ambientais e tornar os projetos viáveis, a maioria das usinas está sendo construída sem reservatórios para armazenar água. Essa é uma estratégia para reduzir o tamanho da área alagada. São as chamadas hidrelétricas a fio d'água, que geram a capacidade máxima no período de cheia e reduzem até pela metade no período de seca.
O professor da Universidade de São Paulo (USP), José Goldemberg, destaca que o Brasil não eleva sua capacidade de armazenamento desde meados da década de 80. Isso tudo para conseguir a liberação das licenças ambientais. Ele, que já foi secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, diz que algum reservatório teria de ser feito para dar mais tranqüilidade ao setor, já que o investimento é alto.
Segundo dados do setor, a Hidrelétrica de Belo Monte, por exemplo, geraria 50% menos de energia no período seco. Isso representa um risco muito grande para o setor elétrico, que já viveu um racionamento em 2001 por causa da falta de água nos reservatórios. 'Para resolver esse problema, vamos apostar em todas as fontes de energia térmica, como biomassa, carvão, gás e nuclear', garante o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. 'Isso é inevitável, pois precisamos das hídricas.'
Nesse contexto, a usina nuclear de Angra 3 passa a ter grande relevância nos planos de geração do País. O projeto, autorizado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no ano passado, deverá ter a licença prévia entre esta e a próxima semana. Segundo o assessor da presidência da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, o cronograma prevê ainda a licença de instalação dentro de dois meses.
Com isso, as obras de Angra 3 já começariam no segundo semestre deste ano. A entrada em operação, no entanto, só deverá ocorrer por volta de 2014, se não houver nenhum imprevisto. A previsão é que, no pico da construção, a usina empregará cerca de 9 mil pessoas. Para operar a unidade, será necessário 400 pessoas fixas, diz Guimarães. Segundo ele, além de Angra 3, o Plano Nacional de Energia 2030 prevê a incorporação de 4 mil MW de energia nuclear, sendo 2 mil MW no Nordeste e 2 mil MW, no Sudeste.
BIOMASSA
Outra fonte de energia que não pode ser desprezada no País é a biomassa. Calcula-se que apenas o setor sucroalcooleiro poderia gerar o equivalente a um Complexo do Rio Madeira de energia nos próximos ano. Por isso, o governo já preparou o chamado leilão da energia de reserva, marcado para 30 de julho. O objetivo é usar a energia produzida pelas usinas de açúcar e álcool durante o período de seca. Elas serão complementares, diz Tolmasquim.
Um dos principais problemas para aproveitar esse potencial energético é a conexão das usinas do setor com a rede básica. O plano do governo é que os usineiros arquem com o custo da transmissão, que será construída por empresas especializadas. Haverá um leilão apenas de linhas de transmissão para fazer a conexão entre as usinas a rede.
O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde Castro, acha um erro impor aos usineiros o custo pela transmissão da energia. Para ele, esse fator pode ser um inibidor para os empresários entrarem no leilão. Na avaliação de Castro, o Brasil tem de aproveitar o bom momento econômico, com a obtenção do grau de investimento, para atrair novos empreendedores para o setor elétrico.
OESP, 18/05/2008, Economia, p. B6
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