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Uma vigília pela Amazônia

CB, Opinião, p. 17
Autor: SLHESSARENKO, Serys
13 de Mai de 2009

Uma vigília pela Amazônia

Serys Slhessarenko
Senadora da República (PT-MT), é segunda vice-presidente do Senado Federal

O Senado da República será sede, hoje, de uma vigília pela preservação da Amazônia. A partir das 18h30, horário previsto para o encerramento da sessão deliberativa, daremos início a uma série de atividades que têm como objetivo primordial chamar a atenção para a necessidade de preservação desse que é um dos maiores e mais importantes ecossistemas do mundo.

A vigília está sendo promovida pelas comissões Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas, de Meio Ambiente, da qual faço parte, de Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). O evento é uma iniciativa do movimento Amazônia para Sempre.

Para além de chamar a atenção para a necessidade - cada vez mais óbvia - de preservação da floresta, da proteção do meio ambiente, queremos destacar a necessidade de investimentos no desenvolvimento sustentável e da salvaguarda da legislação ambiental brasileira. Também queremos aproveitar a oportunidade para apresentar projetos que deram certo e propor novas alternativas. Afinal, esse é o caminho para garantir o futuro desse bioma.

Esse também é um momento importante para tratarmos das ameaças a que estão submetidos os povos da floresta e os conflitos sociais que ocorrem na região. A análise das políticas públicas para a floresta, a visão das comunidades tradicionais da Amazônia e as propostas sobre o tema em tramitação no Congresso também serão debatidas.

A importância da floresta para a regulação do clima e suas implicações econômicas e sociais, tanto no Brasil quanto no mundo, para a proteção da biodiversidade e para o desenvolvimento sustentável do Brasil precisam estar sempre na pauta de discussão, não somente em nosso país, mas em todo o mundo.

Como membro da Comissão Internacional sobre Clima e Segurança Energética da Organização Global de Legisladores, temos cobrado, sistematicamente, que os demais países ajudem o Brasil, sem, no entanto, ferir nossa soberania. Numa das últimas reuniões de que participamos, em Washington (EUA), chegamos à conclusão de que estamos diante de três desafios principais: recuperação econômica, segurança energética e mudanças climáticas.

Esse é um tripé em que nos baseamos e, a partir dele, concluímos que podemos e devemos enfrentar essas três questões juntas, uma vez que não há como trabalhar recuperação econômica sem proteger o meio ambiente e promover a segurança energética.

O Brasil produz hoje 47,8% de energia renovável. É o país que mais produz. Por isso temos conseguido nos impor nas reuniões do G-20, evitar os desperdícios provocados pela competição de subsídios e maximizar o impacto dos gastos de estímulo - estabelecendo que o apoio às indústrias de alto carbono (por exemplo, a indústria automotiva) terá como condição o aprimoramento da eficiência energética e inovação de baixo carbono.

Na condição de membro da Comissão Internacional sobre o Clima e a Segurança Energética, acreditamos que o deslocamento para uma economia de baixo carbono é a única maneira de enfrentar os três desafios principais colocados diante de nós (a recuperação econômica, a segurança energética e mudanças climáticas).

E que essa recuperação econômica não seja recuperar um país economicamente, mas recuperá-lo transformando a base da sociedade, a sociedade mais despossuída, por meio da educação, da moradia popular, da garantia do atendimento à saúde. E aí entram a questão da segurança energética, a questão do clima e das mudanças climáticas. Desse modo, estaremos fazendo uma política responsável e, de fato, transformadora para a Região Amazônica e para o Brasil.

CB, 13/05/2009, Opinião, p. 17

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