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Tranquilidade no olho do furacão verde

CB, Brasil, p. 13
09 de Abr de 2010

Tranquilidade no olho do furacão verde
Ministra minimiza problemas da pasta e enaltece bons resultados alcançados na redução dos índices de desmatamento da Amazônia

Igor Silveira

Na primeira entrevista coletiva após assumir o cargo, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, conseguiu um breve momento de calmaria em meio à turbulência que envolve a troca de comando no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); o relatório do Ministério Público Federal (MPU) contrário à licença prévia da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará; e a greve de servidores ligados ao órgão. Ontem, ela convocou uma tropa de choque - formada por integrantes do próprio ministério e de parceiros do governo federal - para apresentar bons resultados no combate ao desmatamento na Amazônia. O levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostrou que a destruição na região diminuiu 51% entre agosto de 2009 e fevereiro deste ano em comparação ao mesmo período do ano anterior.

De acordo com o documento apresentado, dos 43 municípios considerados prioritários na recuperação de áreas desmatadas, 38 tiveram resultados positivos no combate ao problema. Outro dado importante apontado pela ministra é que, no fim do ano passado, foi registrado o menor índice de desmatamento desde 1989, quando a área começou a ser monitorada: cerca de 7 mil km². "Os bons resultados foram alcançados graças a quatro fatores: planejamento, incentivo de políticas públicas, condições ambientais para o acesso ao crédito público e uma integração mais sólida com a sociedade", disse a chefe da pasta.

Izabella Teixeira também reforçou o anúncio da expansão das ações de combate ao desmatamento para o cerrado. O bioma, predominante na região CentroOeste, foi incluído por uma lei aprovada em 2009, que determina a utilização de medidas de proteção para alcançar metas nacionais voluntárias de preservação ambiental.

Ibama A ministra só demonstrou impaciência quando foi questionada sobre os motivos que levaram ao desligamento de Roberto Messias, presidente do Ibama até o início de abril, e de outros três funcionários do primeiro escalão do órgão.

"Isso vocês já leram nos jornais", retrucou, para depois completar: "São substituições normais nesse processo de gestão, mas as missões serão mantidas." A saída de Messias do Ibama se deu em meio a uma disputa política interna na área de meio ambiente do governo federal. O expresidente do órgão quis assumir o cargo de Carlos Minc, que deixou o ministério para concorrer às eleições. Derrotado pela então secretária executiva Izabella Teixeira, ele pediu demissão.

Também deixaram o instituto os diretores de Biodiversidade, José Humberto Chaves; de Qualidade Ambiental, Sandra Klosovski; e o chefe de gabinete da Presidência do órgão, Vitor Kaniak. Atualmente, o Ibama é presidido interinamente por Abelardo Bayma, diretor de Planejamento e Logística.

CB, 09/04/2010, Brasil, p. 13

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