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Território quilombola Buri, na Bahia, tem relatório técnico publicado

Incra incra.gov.br
07 de Nov de 2017

As 40 famílias do território quilombola Buri, localizado no município de Maragogipe, no Recôncavo baiano, têm muito a comemorar nesta terça-feira (7), com a publicação do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) no Diário Oficial da União.

O relatório, produzido por técnicos da Superintendência Regional do Incra na Bahia, é o primeiro passo para a titulação coletiva das famílias remanescentes de quilombo do Buri. Com isso, os moradores do território de 377,5 hectares poderão ser contemplados com políticas públicas como eletrificação, saneamento básico e sistema de abastecimento de água, entre outras.

A antropóloga do Serviço de Regularização de Territórios Quilombola do Incra/BA, Elisa Cunha, que produziu o relatório antropológico, conta que as famílias vivem numa situação precária e a regularização fundiária permitirá que elas tenham acesso a políticas que garantam autonomia. "Com isso, poderão dar continuidade com mais segurança às atividades de pesca, mariscagem e agricultura", frisa.

Uma das líderes do Buri, a matriarca Zelzira Ferreira Lima, 70 anos, conhecida como "Dona Nini", destaca, com alegria, que as famílias vão ficar muito contentes com a notícia. "Todos estavam perguntando sobre o documento e agora chega essa notícia. Precisamos muito de apoio. Confiamos em Deus e no Incra", completa emocionada.

Localização e produção

O RTID reúne peças técnicas, relatório antropológico e plantas com delimitação do território e aborda aspectos agronômicos, ambientais, fundiários e geográficos. O território quilombola Buri é margeado pelo rio Paraguaçu, na região do Recôncavo baiano, que, no período colonial, era pujante com seus engenhos de cana-de-açúcar e cultivo do fumo, empregando muita mão de obra escrava.

As famílias pescam e mariscam, além de cultivar roças de mandioca, abacaxi, melancia e pequenas hortas. Eles tanto consomem quanto comercializam a produção no Distrito de São Roque do Paraguaçu, onde o território está inserido.

Nesse distrito, existem um estaleiro e uma plataforma que aqueciam a economia do local. Atualmente, o movimento enfraqueceu, o que prejudica o comércio dos quilombolas do Buri e torna mais essencial a conclusão da regularização fundiária do território para a comunidade.

História

De acordo com o relatório antropológico, no período após a abolição da escravatura, as comunidades negras rurais do Recôncavo baiano caracterizavam-se por uma intensa mobilidade dos trabalhadores entre as fazendas. "Sempre em busca da condição de menor opressão e da possibilidade da família ter uma roça para o sustento, ainda que produzindo como meeiros ou arrendatários dos grandes proprietários", explica Elisa Cunha, antropóloga do Incra/BA.

O relatório narra ainda que as fazendas às margens do rio Paraguaçu foram marcadas pela extração da piaçava e do dendê, associada à ocupação com as roças, enquanto os escravos ou os trabalhadores pós-abolição dispunham da maré como fonte de alimento livre, para a pesca e mariscagem.

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