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Teles Pires é acusada de encher reservatório sem tirar vegetação

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Autor: Daniele Bragança
29 de Jan de 2015

Enormes troncos boiam no reservatório da Usina Hidrelétrica de Teles Pires, construída no rio de mesmo nome entre os municípios de Paranaíta, no Mato Grosso e Jacareacanga, no Pará. Pelo céu, são observadas vegetação ainda verde encoberta pela água do reservatório recém cheio. A usina começou a operação de enchimento do reservatório em dezembro, semanas após o Ibama dar a licença de operação.

A denúncia partiu de um leitor do site Olhar Direto que sobrevoou a área da usina e constatou um número expressivo de toras boiando e árvores submersas. As fotos são da primeira semana de janeiro. A usina finalizou o processo de enchimento do reservatório no dia 10 de janeiro.

Se confirmado, trata-se um crime ambiental grave. Árvores submersas são uma bomba para o clima: o material orgânico decomposto de transforma em dióxido de carbono e em metano, um gás 10 vezes mais poderoso que o CO2. A hidrelétrica de Balbina é um exemplo claro dessa história: lá também não retiraram a vegetação do reservatório. O final da história é conhecido. A hidrelétrica se transformou em uma fábrica mais poluente que uma termoelétrica a carvão, como mostra a reportagem de Vandré Fonseca.

Outro lado

Através da Assessoria de Imprensa, a Companhia Hidrelétrica Teles Pires, responsável pela construção da usina, informou que todos os procedimentos antes do enchimento do reservatório foram feitos com a anuência do Ibama.

A assessoria de imprensa encaminhou uma nota na manhã desta sexta (30) se defendendo. Leia Abaixo:

A Companhia Hidrelétrica Teles Pires (CHTP), realizou antes do enchimento do reservatório, o Estudo de Modelagem da Qualidade da Água, que indicou as áreas a serem suprimidas. Em seguida, foi executado o trabalho de supressão vegetal, que incluiu o corte e a retirada do material lenhoso das áreas definidas pelo Estudo de Modelagem da Qualidade da Água.

Ao todo, quatro empresas foram contratadas para realizar o trabalho de supressão, tanto no canteiro de obras quanto no reservatório. Essa limpeza foi executada conforme as orientações definidas no Estudo de Modelagem da Qualidade da Água, e nas autorizações de supressão da vegetação (ASV's) aprovados pelo Ibama.
Já o material lenhoso, retirado das áreas suprimidas, foi direcionado para os pátios de estocagem e encontra-se aguardando a inspeção e liberação pelo órgão licenciador, Ibama-MT, que indicará a sua destinação final.

Em algumas áreas, não houve a necessidade de suprimir a vegetação. Esse procedimento foi importante, entre outros fatores, para garantir a fuga e o resgate de animais; a manutenção e estabilização das encostas e barrancos no entorno do lago; além de servir de berçário para os futuros peixes do reservatório.

Apenas depois de perguntada pela reportagem se a empresa iria retirar a madeira que aparece boiando no lago do reservatório foi que a assessoria afirmou que as mesmas já haviam sido retiradas pela empresa.

O Ministério Público Federal de Mato Grosso (MPF/MT) abriu inquérito para apurar as supostas irregularidades.

Procurado desde a segunda-feira (26), até o fechamento dessa edição o Ibama não havia se pronunciado.

http://www.oeco.org.br/salada-verde/28897-teles-pires-e-acusada-de-ench…

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