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TCU aponta ofensiva para limitar fiscalização

OESP, Nacional, p. A10
25 de Ago de 2009

TCU aponta ofensiva para limitar fiscalização
Empreiteiras questionam competência do órgão

Christiane Samarco

Na esteira das críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à atuação dos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), o lobby das empreiteiras reforçou sua ofensiva sobre o Congresso para mudar a legislação e impor "limites" à fiscalização.

Em vez de agir nos bastidores, o setor passou a atuar de forma ostensiva para mudar a Lei 8.666 de 1993, que regula as licitações e está parada há dois anos no Senado. Para tirar da gaveta a nova lei de licitações e levá-la a voto no plenário esta semana, os parlamentares, o Executivo e o TCU tiveram de fazer concessões ao lobby e costurar um acordo.

O acerto está feito, mas, diante da força do lobby, o TCU não conseguiu se livrar totalmente de um "contrabando" incluído no projeto para mudar sua lei orgânica. A pretexto de fixar prazo máximo de 90 dias para a vigência das medidas cautelares concedidas pelo TCU, suspendendo obras até que se esclareçam as suspeitas de irregularidades, o lobby incluiu um dispositivo que tornaria as decisões do órgão sem efeito. Como a contagem do prazo começava com a concessão da cautelar, em tese a empreiteira poderia consumi-lo apenas atrasando por três meses os esclarecimentos solicitados.

"As empresas estão cada vez mais organizadas e atuantes, questionando inclusive a competência e as atribuições constitucionais do tribunal", afirma o secretário de Fiscalização de Obras do TCU, André Luiz Mendes. Para que suas decisões não sejam ignoradas, o órgão aceitou trabalhar com o prazo fixo e, numa contraofensiva dos auditores, o relator da proposta na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Eduardo Suplicy (PT-SP), estabeleceu que o tempo só começará a correr depois que as empreiteiras enviarem toda a documentação solicitada ao TCU.

"Controlar é contrariar interesses, mas o objetivo é ajudar o Estado e nós temos meios para auxiliar o Legislativo," diz o presidente do TCU, Ubiratan Aguiar. Segundo ele, não se pode responsabilizar o órgão pelo ritmo lento da execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), porque apenas 5 das 2.368 obras em execução foram suspensas por indícios de irregularidades.

Ao visitar um trecho da Ferrovia Norte-Sul em Anápolis (GO), na semana passada, o presidente Lula voltou a criticar a paralisação de obras pelo TCU, argumentando que a suspensão gera prejuízo ao Tesouro. "Mesmo que esteja errado, não é justo mandar parar a obra. Que se abra um processo, que se faça denúncia, porque a obra parada vai custar muito mais caro ao País, ao povo."

Críticas semelhantes têm encorajado representantes do setor a fazer protestos públicos contra a fiscalização, como ocorreu no 3o Congresso de Infraestrutura de Transportes realizado há um mês em São Paulo. "A culpa de o órgão de controle externo ter crescido dessa forma é dos próprios parlamentares que lhe garantiram esse poder na Constituição", disse o presidente da Associação Nacional dos Empreiteiros de Obras Rodoviárias (Ancor), José Alberto Pereira Ribeiro.

A Lei 8.666 não permite leilões para a contratação de obras e exige que os julgadores analisem os envelopes de documentação dos interessados, deixando as propostas e os preços para uma segunda etapa. Vários Estados, inclusive São Paulo, já adotaram a inversão de fases no processo de escolha e já colhem frutos da nova regra.

OESP, 25/08/2009, Nacional, p. A10

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