O Globo, Opinião, p. 6
03 de Set de 2006
Setor emperrado
O governo Lula foi um severo critico da política do seu antecessor para o setor de energia elétrica., mas também pouco contribuiu para aumentar a capacidade de geração de eletricidade do país. Praticamente todas as novas usinas ou as obras de ampliação inauguradas no atual governo já estavam em andamento. E as licitações sob responsabilidade direta da administração Lula não aumentarão a potência instalada de maneira suficiente a garantir o possível aumento de demanda dentro de poucos anos.
Como o Brasil ainda tem mais de 85% de sua capacidade de geração provenientes de hidrelétricas, se por infelicidade enfrentarmos um período prolongado de estiagem - hipótese que não pode ser descartada, haja vista o que aconteceu este ano nos estados do Sul, onde até as Cataratas do Iguaçu minguaram - a economia ficará à mercê de um racionamento quando os reservatórios se esvaziarem.
Ainda há tempo para se tomar providências e evitar tal constrangimento.
Os investidores privados estão se desinteressando pela geração, alguns por não considerarem atrativo o modelo em vigor (embora seja possível aperfeiçoála com base na experiência acumulada nos últimos três anos), mas principalmente por conta da dificuldade em se licenciar os empreendimentos junto aos órgãos de controle do meio ambiente, em especial o Ibama.
O próprio presidente Lula se queixou recentemente dessa dificuldade, pois não basta que os empreendedores se empenhem em atender às exigências dos órgãos de licenciamento.
A autoridade ambiental não cumpre e nem respeita prazos, e a cada etapa acrescentam novas exigências que denotam mais má vontade do que rigor técnico.
Existe de fato no setor um certo conflito entre o chamado "preservacionismo" e uma visão de desenvolvimento que concilie atividade econômica e iniciativas que reduzam seu impacto socioambiental.
Esse conflito já resvala para a seara ideológica, na qual se insere a má vontade contra empresas. Os empreendimentos na área de energia hoje já embutem custos para mitigação de seus impactos socioambientais.
Mas essa evolução é desconsiderada pela autoridade. Burocracia e política recolocam o risco do apagão
O Globo, 03/09/2006, Opinião, p. 6
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