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03 de Nov de 2019
Servidores ambientais denunciarão Bolsonaro à ONU
Presidente sugeriu que funcionários que atrapalham o progresso devem ser destinados a lugar de execução da ditadura
Renato Grandelle
RIO - A Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente ( Ascema ) anunciou este sábado que denunciará o presidente Jair Bolsonaro ao Conselho de Direitos Humanos da ONU e ao Congresso Nacional . Em uma transmissão feita nas redes sociais, Bolsonaro sugeriu que funcionários da área ambiental se destinem à "ponta da praia", um local de execução da ditadura militar no Rio de Janeiro.
"Ponta da praia" foi uma gíria usada por militares no tempo da ditadura para se referir a uma base da Marinha na Restinga de Marambaia (RJ). O local era executado para execução de presos políticos , lembrou o colunista Guilherme Amado, da Revista Época.
Na nota, a Ascema afirmou que tomará "todas as medidas cabíveis para coibir este tipo de atitude para proteger a integridade física dos servidores e a dignidade humana".
- Vamos procurar também a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado - adianta o presidente da Ascema Nacional, Denis Rivas. - O discurso de Bolsonaro é irresponsável e dá legitimidade ao aumento das manifestações de violência contra nossa categoria.
Na transmissão, Bolsonaro referia-se à dificuldade enfrentada pelo dono da Havan, Luciano Hang, para conseguir uma licença ambiental para construção de uma loja em Rio Grande (RS).
"Eu tenho ascendência, porque os diretores, o presidente têm mandato, porque se não tivessem, eu cortava a cabeça mesmo", disse Bolsonaro. "Quem quer atrapalhar o progresso vai atrapalhar na ponta da praia, aqui não", disse o presidente durante transmissão feita em suas redes sociais".
De acordo com a nota da Ascema, Bolsonaro "nos obriga, com suas declarações, a rememorar o que foi aquele período obscuro do país, do qual ele e seus filhos têm tanta saudade. Ameaças às instituições como STF, à imprensa, aos servidores públicos, às populações tradicionais e a inoperância no enfrentamento de crimes ambientais não podem ser a tônica de um governo que se pretenda democrático".
Segundo Rivas, servidores da área ambiental estão sendo removidos arbitrariamente pelo governo federal de seu serviço em unidades de conservação como os parques de Fernando de Noronh a (PE) e Aparados da Serra (RS).
- Não há qualquer relação entre a falta de crescimento do país e os trabalhos de licenciamento ambiental - assegura Rivas.
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