Valor Econômico, Empresas, p. B4
11 de Mai de 2016
Secretaria de Meio Ambiente nega licença à Samarco
Por Marcos de Moura e Souza
A mineradora Samarco terá de rever seus planos para a retomada das operações de sua mina de ferro em Mariana (MG). A empresa queria usar duas cavas já existentes na região como depósitos de rejeitos de minério. Mas a Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais rejeitou seu pedido para usar uma das cavas, por considerá-la inadequada para esse fim.
As cavas eram consideradas pela Samarco como uma alternativa à barragem de Fundão, que se rompeu em 5 de novembro. As atividades da empresa estão paralisadas desde o acidente. A secretaria suspendeu suas licenças na época e exige algumas medidas para retomada das operações. A principal medida é um local para dispor seus rejeitos.
"Eles apresentaram as cavas como alternativas, mas concluímos que uma delas não é apropriada para receber rejeito", disse ao ValorPRO, serviço de informações em tempo real do Valor, Geraldo de Abreu, sub-secretário do meio ambiente. Abreu está à frente nas discussões sobre a liberação das licenças.
Cavas são grandes buracos que se formam no solo após retirada de terra e rocha para mineração. Pelas estimativas Samarco, as cavas das minas Alegria Sul e Germano teriam condições de conter rejeito pelo período de dois a três anos. Nesse período, ela criaria uma solução de longo prazo. A secretaria vetou Germano. Abreu disse que a secretaria indicou a construção de um dique na cava de Alegria Sul, para ampliar sua capacidade. "Do jeito que estavam propondo, usariam as duas cavas sem a necessidade de construir nenhum dique.
Mas para ampliar a área de Alegria Sul precisarão de um dique", disse Abreu. Sem esse dique, a empresa conseguiria dispor seus rejeitos por um período de 11 a 12 meses, segundo o subsecretário.
Ele informou que a mineradora está fazendo estudos e que em breve vai apresentar nova proposta. Com a ampliação, Alegria Sul comportaria uma quantidade de rejeitos igual à que a Samarco estava prevendo dispor nas duas cavas, disse Abreu.
Em entrevista ao Valor em março, Roberto Carvalho, presidente da empresa, disse que sua expectativa era voltar a funcionar no quarto trimestre deste ano com uso de cavas. Controlada por Vale e BHP Billiton, a Samarco é um dos principais produtoras mundiais de pelotas de ferro. Sua capacidade é de 30 milhões de toneladas ao ano. Com a retomada, previa operar com 60% dessa capacidade.
Para voltar a operar, precisa reaver a licenças ambientais e as do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Abreu considera ser possível a Samarco ter toda a documentação refeita nos próximos meses para que volte a operar no quarto trimestre.
Ontem a agência de classificação de risco Fitch afirmou que, sem as licenças, a Samarco ficará sem caixa para reparar suas obrigações de dívida de curto prazo entre agosto e outubro, o que poderia levar a uma reestruturação da dívida de curto prazo na ausência de uma injeção de equivalência patrimonial dos controladores. E rebaixou em quatro degraus seu rating - de "BB-" para "CCC", sem perspectiva de nota.
Valor Econômico, 11/05/2016, Empresas, p. B4
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