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Rossetto anuncia glebas para assentar famílias

O Globo, O País, p. 10
25 de mai de 2005

Rossetto anuncia glebas para assentar famílias

Uma vitória da legalidade. É assim que o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, avaliou ontem a emissão de posse ao Incra de três áreas no município de Anapu, no Pará, que irão beneficiar diretamente 300 famílias. As áreas serão destinadas à implantação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS), uma das principais bandeiras de luta da missionária Dorothy Stang. Rossetto vai fazer o anúncio hoje no mesmo lote de terras onde a freira foi assassinada.

O ministro esteve em Belém para uma reunião com o governador do Pará, Simão Jatene, e anunciou que os governos estadual e federal vão trabalhar juntos para a implantação de um cadastro único de terras do Pará. A proposta foi apresentada pelo ministro a Simão Jatene.

Durante o encontro, Rossetto disse que pretende estabelecer parcerias com as administrações estaduais e municipais para identificar quais são as áreas pertencentes à União e quais as que estão nas mãos de grileiros. A intenção é não permitir a ocupação ilegal de áreas federais na Amazônia. Rossetto anunciou oficialmente o novo superintendente do Incra no Pará, Inocêncio Gasparin, e o delegado federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Carlos Guedes.

Stédile culpa governo por conflitos no Pará

À tarde, o ministro participou de uma audiência pública no município de Paraupebas para discutir os conflitos agrários e viajou à noite para Altamira, de onde segue para Anapu. No município, Rossetto anuncia a emissão de posse de glebas. A primeira é o lote 55 na gleba Bacajá e dos lotes 108 e 130 da gleba Belo Monte.

Em Brasília, o dirigente do Movimento dos Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, culpou ontem a lentidão do governo na implantação da reforma agrária pelos conflitos no Pará, que acabaram levando ao assassinato da missionária. Stédile também fez duras críticas à decisão do Ministério da Agricultura de priorizar os investimentos para o agronegócio. Na sua opinião, o agronegócio não é uma solução para os problemas sociais, como a pobreza e o desemprego.

A morte da irmã Dorothy reflete o ritmo muito lento que o governo impôs à reforma agrária. A leitura que os fazendeiros mais truculentos do interior do país fazem é de que, se o governo não está se mexendo, podem fazer o que querem. De certa forma, a lentidão do governo estimula a impunidade.

O Globo, 25/02/2005, O País, p.10

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