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Rastreamento de caminhões revela rota ilegal do desmatamento

O Globo, Sociedade, p. 31
16 de Out de 2014

Rastreamento de caminhões revela rota ilegal do desmatamento
Greenpeace acompanhou o trajeto dos veículos com GPS

-SÃO PAULO- Usando rastreadores e monitoramento em tempo real, a ONG Greenpeace identificou a ação de caminhões que percorrem pontos de desmatamento ilegal da Floresta Amazônica, em terras da União, e fazem a entrega de toras a madeireiras localizadas em Santarém, no Pará.
Com base no trajeto de dois caminhões, a ONG pede ao Ministério Público Federal no Pará que investigue as serrarias Rainbow Trading Importação e Exportação, Madeiras Odani e Sabugy Madeiras. Segundo os ativistas, as áreas de desmatamento ilegal ficam no eixo da BR-163, que liga Mato Grosso e Pará, e concentram hoje os maiores focos de desmatamento na Amazônia.

Ativistas da ONG instalaram GPS em caminhões, que foram acompanhados e tiveram suas placas e chassis identificados. Dois deles estiveram em área de exploração ilegal de madeira e foi possível identificar o destino. O primeiro iniciou viagem pela PA-370, conhecida como Trans Curuá-Una, e entrou na floresta por um ramal. Ao deixar a mata, seguiu para o pátio da empresa Rainbow Trading Importação e Exportação, localizada no km 25 da rodovia Santarém-Cuiabá. Após ser descarregado, retornou à área de desmatamento. O segundo, de acordo com o Greenpeace, usou dois trajetos para ingressar em clareiras abertas na floresta e fazer entregas na Madeiras Odani, localizada nas proximidades do desmatamento ilegal, e na Sabugy Madeiras, em Santarém. A rotina entre a área de exploração e as duas serrarias, segundo o Greenpeace, repetiuse diversas vezes.

Em nota, a Rainbow Trading afirmou que "não faz transporte de madeira em toras, nem extração" e que toda madeira adquirida pela empresa tem procedência legal. "Portanto, as acusações são falsas, e ao nosso ver, forjadas através de investigação criminosa e ilegal, com objetivos claros; não de proteção ao meio ambiente; mas sim da defesa dos interesses econômicos internacionais na Amazônia, em detrimento aos interesses nacionais". A Sabugy Madeiras e a Madeiras Odani não foram localizadas.

SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL

O Greenpeace não teve autorização judicial para monitorar o trajeto dos caminhões. Em sua defesa, a ONG cita o artigo 225 da Constituição, que dá à sociedade o direito e dever de fiscalizar e proteger o meio ambiente, e diz que a ação pode servir de prova em um eventual processo judicial.

Segundo o Greenpeace, os caminhões entram na floresta durante o dia e são carregados com as toras de madeira. À noite, quando a fiscalização é menor, levam as toras até as serrarias. Para monitorar o trajeto de caminhões específicos, no entanto, como foi feito pelo Greenpeace, as autoridades necessitam de autorização judicial.

O monitoramento da ONG foi feito na malha composta pelas rodovias Transamazônica (BR-230), BR-163, PA-370 (Trans Curua-Una) e PA-371 (Trans Uruará), que interligam os municípios de Uruará, Santarém e Prainha e são usadas pelos caminhões "toreiros". O Greenpeace calcula que 80 caminhões cruzam a cada noite a balsa pelo rio Curuá-Una, na PA-370, que vai até Santarém, com carregamentos de madeira. O tráfego é mais intenso entre as 23h e 1h30m .

Santarém é um grande polo da indústria madeireira do Pará, estado que mais produz e exporta madeira da Amazônia. Dados do instituto Imazon mostram que, entre agosto de 2011 e julho de 2012, cerca de 78% das áreas com atividades madeireiras não tinham autorização de exploração.

- A madeira ilegal contamina o mercado interno e externo e chega a países que têm leis severas, pois se baseiam em documentos que não servem para nada - diz Marina Lacôrte, do Greenpeace na Amazônia.

O Globo, 16/10/2014, Sociedade, p. 31

http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/rastreamento-de-cami…

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