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Quente demais

O Globo, Opinião, p. 6
27 de Set de 2006

Quente demais

Um estudo do Instituto Goddard para Estudos Espaciais, da Nasa, confirmou a impressão de muitos: a Terra está muito quente, perto de alcançar seu recorde em 1 milhão de anos. A temperatura da superfície do planeta aumentou 0,2 grau Celsius em cada uma das últimas três décadas. Cientistas do instituto constataram também que o mar de gelo eterno do Ártico encolheu alarmantes 14% entre 2004 e 2005, em conseqüência do aquecimento global. A perda de área congelada chegou próximo a 50% ao norte da Europa e da Ásia.
Dados como esses mostram quão certos estão o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, e o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, ao desistirem de esperar por Washington e partirem na frente no combate às causas do aquecimento global.
A Califórnia, dona da maior frota no país, mais motorizado do mundo, é pioneira em leis para reduzir a emissão de dióxido de carbono. Sua última medida foi entrar na Justiça contra seis grandes montadoras de veículos em busca de indenização para prejuízos ao meio ambiente do estado.
Elas seriam responsáveis por 289 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono jogados na atmosfera a cada ano pelos veículos que produzem. As seis empresas responderiam por um quinto das emissões nos EUA e de um terço na Califórnia. 0 resultado é poluição do ar, redução das reservas de água e erosão.
No mês passado, a Assembléia Legislativa da Califórnia aprovara projeto de lei de Schwarzenegger - que concorre à reeleição em novembro - fixando em 2020 a data-limite para um corte de 25% das emissões dos unem contra gases do efeito estufa no estado. Segundo o governador, a energia limpa "é o futuro da Califórnia, do país e do mundo" e propiciará o surgimento de novas indústrias e empregos.
Há uma semana, o governador da Califórnia recebeu o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que anunciou um programa de cinco pontos para tornar Nova York "uma cidade de meio ambiente sustentável".
Espera-se que outras cidades, estados e países sigam o exemplo de Schwarzenegger e de Bloomberg, já que o governo Bush não assina, nem assinará, o Tratado de Kioto.

O Globo, 27/09/2006, Opinião, p. 6

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