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PT ataca Stephanes, Mangabeira e Minc

O Globo, O País, p. 11
22 de Mai de 2009

PT ataca Stephanes, Mangabeira e Minc
Partido diz que ministros da Agricultura e de Assuntos Estratégicos lideram ataque ao meio ambiente e à Amazônia

Catarina Alencastro

O PT externou ontem pela primeira vez a briga que corre nos bastidores do governo entre ambientalistas e nomes ligados a agronegócio e infraestrutura. A Secretaria Nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do partido divulgou nota em que critica as posições dos ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, do Meio Ambiente, Carlos Minc, e da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger.

Stephanes e Mangabeira são acusados de atacar o código florestal brasileiro, cujas mudanças são debatidas no Congresso. De Minc, o secretário Júlio Barbosa cobra posição mais firme contra "ofensivas" ao meio ambiente e à Amazônia.

"Esses ataques tendo como tropa de choque a bancada ruralista no Congresso Nacional são liderados pelos ministros da Agricultura e a Secretaria de Assuntos Estratégicos e se dirigem fundamentalmente à legislação ambiental, em particular ao código florestal, mas não ficam por aí", diz um trecho da nota.

Segundo Barbosa, que já apresentara essa posição no Fórum Social Mundial, no início do ano, a gota d'água foi a aprovação, pela Câmara, da MP 452, que flexibiliza o licenciamento ambiental de estradas, e da MP 458, que trata da regularização fundiária na Amazônia:
- Somos contra a regularização das terras a troco de nada. O grileiro ocupou terra que estava ocupada por um ribeirinho. É regularizar aquilo que os movimentos sociais na Amazônia repudiam. Tem gente que ocupou e que deveria estar na cadeia e não ter seu grilo regularizado.

Stephanes e Mangabeira não se pronunciaram. Minc respondeu que não pode ser acusado de ficar parado:
- Estou numa guerra contra ruralistas que querem flexibilizar a lei. Estou guerreando com vitórias e derrotas, mas não estou aceitando. A gente não tinha plano de clima, não tinha meta contra o desmatamento, não tinha Fundo Amazônia. Agora tem. Não posso ser acusado de ficar parado num canto e de não conseguir vitórias significativas.
Nota reclama que bancada não consultou o partido
A nota reclama da bancada petista, que teria discutido as mudanças no código florestal sem consultar as instâncias partidárias. Também acusa deputados petistas de Santa Catarina de omissão no processo que diminuiu a Área de Proteção Permanente no estado.

O texto cita o seringueiro e líder sindical Chico Mendes: "O PT (...) não pode ficar na contramão de sua própria história. As memórias de Chico Mendes, Paulo Vinhas, Margarida Alves e tantos outros que tombaram defendendo as causas ambientais não devem ser esquecidas".

O deputado Maurício Rands (PT-PE) minimizou as críticas do partido. Para ele, divergências sobre temas sensíveis, como a flexibilização de proteções ambientais, são comuns em todos os partidos do mundo.

O Globo, 22/05/2009, O País, p. 11

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