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Projeto de habitação devolve dignidade para população indígena da aldeia urbana Água Bonita

A crítica http://www.acritica.net/
Autor: Beatricce Bruno
02 de abr de 2019

Uma das maiores lutas da população indígena na atualidade é a busca pela terra, por um lugar para criar seus descendentes, cultuar seus antepassados e manter suas tradições. Foi neste objetivo que a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) buscou parcerias com a União e conseguiu emplacar o Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR) para atender os indígenas da aldeia urbana Água Bonita, em Campo Grande, e devolver a dignidade para mais de 600 pessoas.

Serão 79 casas construídas por meio da parceria entre União, Estado e município com a participação direta dos beneficiados na construção deste projeto. Muito além de tijolo e cimento, a parceria ainda garantiu a formação profissional dessa população. Cursos na área da construção civil foram oferecidos pela Fundação Social do Trabalho de Campo Grande (Funsat) para que, além do teto, as famílias também tenham a força de trabalho.

"A união entre os Governo federal, estadual e município está devolvendo para essas famílias a dignidade que todo cidadão busca. Uma casa e trabalho", disse a coordenadora Neuza Alves Francisco.

O projeto iniciou em setembro do ano passado com a formação técnica de 50 índios, por meio Proinc (Programa de Inclusão Profissional). Os cursos de eletricista; encanador; pedreiro; pintor; servente e carpinteiro foram ministrados por sete instrutores durante dois meses. Após o treinamento, as obras foram iniciadas em novembro de 2018 e hoje já é possível vislumbrar o que será daqui há um ano, prazo que deve ser concluído as três fases do projeto.

O pedreiro Silvio Francisco está literalmente construindo o sonho da família. Ele, esposa, filha e genro residem no local há quatro anos. Vindo do município de Miranda em busca de oportunidade na Capital, o indígena está feliz em poder ser realizar a tarefa. A casa que a família vai viver deixará para trás anos difíceis onde a família compartilhou um pequeno espaço erguido com paredes de madeirite. "Estamos felizes e ansiosos com a casa. Será muito bom para nós", disse a filha do pedreiro, Gleice Francisco, contemplada no projeto.

"Alguns requesitos foram estabelecidos para a seleção dessas pessoas, primamos pela escolha de quem, além da força de trabalho, também estava a mais tempo sem trabalho", explicou Agareno Alves, coordenador da Funsat.

Os critérios estabelecidos para a participação dos indígenas também primou pela cidadania. Somente pessoas que estavam há seis meses sem carteira assinada puderam ser escolhidos. Os trabalhadores recebem um salário mínimo mais cesta básica e ainda saíram com dois certificados de formação profissional na área da construção civil.

Projeto

A Agesul foi fundamental na construção do projeto de moradia urbana para índios. Segundo o engenheiro responsável pelo projeto, Gilberto Maroso, o programa da União com recursos da Caixa Econômica Federal tem objetivo de atender residências em áreas rurais, mas por se tratar da população indígena e que vivem em área mais afastada, a direção da agência saiu vitoriosa. "É edificante a gente acompanhar o trabalho que estamos desenvolvendo aqui. Pessoas saindo da situação de pobreza para uma residência de verdade", ponderou.

As casas de 42 metros quadrados têm cinco cômodos, sendo dois quartos, sala, cozinha e banheiro, todas cobertas com forro.

Tecnologia de inovação também está sendo usada na edificação. "Na parte elétrica estamos usando sistema de aterro que há pouco tempo vem sendo empregado na construção civil, isso dá mais segurança para quem vive no local", explicou o engenheiro auxiliar Marcos Paulo.

O projeto também contempla um sistema inovador de saneamento. Estão centro construídas fossas sépticas com filtro anaeróbio. O complexo separa o líquido do sólido e devolve a água limpa sem risco de contaminação do lençol freático.

São mais de R$ 2,6 milhões de investimentos, recursos do Governo Federal e Estado de Mato Grosso do Sul. Cada moradia tem o valor de R$ 33,5 mil e deve abrigar famílias das etnias Kinikinau, Guató, Kadiwéu, Terena e Guarani.

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