VOLTAR

Projeto da usina de Tapajós pode ser retomado

Valor Econômico, Brasil, p. A4
02 de Dez de 2016

Projeto da usina de Tapajós pode ser retomado

Rodrigo Polito e André Ramalho

A equipe da área de energia do governo federal trabalha em uma estratégia para retomar a construção de usinas hidrelétricas no país. O objetivo é viabilizar, dentro de parâmetros socioambientais, novos empreendimentos do tipo, de médio e grande porte, com ou sem reservatórios, entre eles o projeto de São Luiz do Tapajós, de cerca de 8 mil megawatts (MW) de capacidade, no Pará, cujo processo de licenciamento foi arquivado este ano pelo Ibama.
A estratégia é baseada em dois pontos principais: melhorar a comunicação com a sociedade e efetuar a revisão de estudos técnicos e ambientais para dar consistência socioambiental aos projetos. Ontem, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, informou que a companhia possui 21 mil MW de capacidade instalada em projetos de geração em estudo no país, incluindo Tapajós.
Segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata, há um "alinhamento" entre as autoridades do setor elétrico no sentido de retomar a construção de hidrelétricas no Brasil e de reavaliar o projeto de Tapajós.
"Nós vamos trabalhar para defender Tapajós, para esclarecer a sociedade que Tapajós é bom para o Brasil, é bom para a sociedade brasileira, é bom para a economia do país e, sobretudo, é bom para as regiões onde vai ser instalado", disse Barata, durante evento promovido pela FGV, no Rio de Janeiro.
"Se existem críticas sobre a forma como foram construídos o complexo do rio Madeira (RO) e Belo Monte (PA), se elas forem pertinentes, vamos trabalhar para superá-las. Mas não é razoável desperdiçar esse potencial, porque nenhum dos países que alcançou o desenvolvimento [econômico] assim o fez", disse o diretor do ONS.
Presente ao evento, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Augusto Barroso, explicou que a estatal de estudos energéticos pretende reanalisar o portfólio de projetos hidrelétricos no Brasil, dividindo-o em dois grupos: empreendimentos localizados na Amazônia (de maior porte e maior complexidade ambiental) e fora da Amazônia (de médio porte e com menos complexidade).
"Vamos de volta à prancheta, reestudar os projetos, ver o que podemos fazer melhor, para certamente botar o projeto [Tapajós] para discussão novamente. Não saberia precisar hoje se isso é um trabalho que vai durar seis meses, um ano ou três anos", disse Barroso.
O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, também fez uma crítica às autoridades elétricas brasileiras, que há até pouco tempo, em sua avaliação, se comunicavam mal com a sociedade com relação aos benefícios socioeconômicos dos projetos hidrelétricos. "Nós falamos mal para a sociedade", disse durante o evento da FGV.
No fim de setembro, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, também já havia defendido abertamente a retomada de projetos hidrelétricos com reservatórios.
Segundo ele, a contrapartida ao abandono desse modelo é a construção de mais termelétricas com emissão de gases poluentes e geração de energia mais cara. (Colaborou Rafael Bitencourt, de Brasília)

Valor Econômico, 02/11/2016, Brasil, p. A4

http://www.valor.com.br/brasil/4793999/projeto-da-usina-de-tapajos-pode…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.