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A polêmica Belo Monte

Revista Diferencial n. 6, set-nov., 2015, p. 20-35
30 de Set de 2015

A polêmica Belo Monte

Por João Pedro de Amorim Junior

O empreendimento de grande impacto socioambiental construído em tempo recorde no coração da Amazônia dá vida a um projeto enraizado desde a época da ditadura e divide opiniões quanto à sua verdadeira necessidade

Construída por um consórcio privado com investimentos R$ 25,8 bilhões (valores que constam no site da Norte Energia S/A), sendo a maior parte dos recursos provenientes de um banco público, a UHE Belo Monte foi planejada para gerar no pico 11.233,1 MW e, como energia firme média, 4.571 MW. Segundo os empreendedores, é uma hidrelétrica a fio d'água, que gera menos energia quando a vazão é pequena e não tem os enormes reservatórios como o de Itaipu.
No Portal Brasil, o governo federal informa que, em novembro deste ano (2015), começa a funcionar uma usina menor, que representa 3% da capacidade total de Belo Monte. Diz ainda que a primeira das 18 máquinas da unidade maior entrará em operação em março de 2016
O site oficial garante também que, nesse meio tempo, Altamira e outros dez municípios do Pará já sentem os efeitos positivos levados pelo empreendimento gigantesco da usina.
A usina vai ocupar uma área de cinco municípios paraenses: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu. O Consórcio Norte Energia, responsável pela obra, tem como participantes a Chesf, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, Serveng-Civilsan, J. Malucelli, Contern Construções, Cetenco Engenharia e Gaia Energia e Participações.
Na propaganda institucional os empreendedores de Belo Monte projetam o melhor dos mundos, o cumprimento pleno das chamadas condicionantes à construção da usina, o atendimento a milhares de domicílios com a energia a ser produzida e baixo impacto social e ambiental.
Entretanto, a distância que separa o sonho do possível e o que foi prometido daquilo que realmente foi feito faz parte da vida real moldada em um cenário de falta infraestrutura e de grande pressão social. Altamira teve a população aumentada com a vinda de milhares de operários para Belo Monte.
A falta de planejamento para atender às novas demandas tem como reflexo direto a violência e uma série de outras mazelas que afligem os moradores da região.
Belo Monte é um dos temas da reportagem fotográfica Águas Para Vida, do fotojornalista Joka Madruga, que nos mostra seguir um pouco das histórias dos atingidos pelas obras desta que, com o represamento do Rio Xingu, será a terceira maior usina hidrelétrica do Planeta em geração de energia, atrás da usina chinesa de Três Gargantas e de Itaipu.
"Na viagem a Altamira-PA pude vivenciar angústias e sonhos dos pescadores, ribeirinhos, indígenas, garimpeiros, crianças, jovens, mulheres, idosos. Gente que só deseja ter a certeza de um futuro feliz", afirma Madruga sobre a experiência de ter no foco de sua câmera pessoas vivendo agoniadas, oprimidas, exploradas e abandonados à própria sorte.

Íntegra da reportagem em PDF.

Revista Diferencial n. 6, set-nov., 2015, p. 20-35

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