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Para atrair investidor, Aneel reduz exigências no leilão de transmissão

Valor Econômico, Brasil, p. A4
07 de Out de 2015

Para atrair investidor, Aneel reduz exigências no leilão de transmissão

Por Rafael Bitencourt

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu mãos de duras exigências que vinha fazendo em leilões de linhas de transmissão para viabilizar a contratação de empreendimentos considerados fundamentais para escoar energia de usinas que vão entrar em operação nos próximos anos. A agência resolveu ampliar o prazo para conclusão das obras, aumentar a receita dos projetos, excluir instalações auxiliares e indicar no edital que não deve punir o empreendedor pelo atraso causado por órgãos de licenciamento.
As novas regras constam no edital marcado para o dia 6 de novembro. O certame voltará a oferecer quatro lotes de empreendimentos que não despertaram o interesse dos investidores do setor quando foram licitados pelos parâmetros anteriores, no dia 26 de agosto.
O principal objetivo da autarquia é minimizar o risco da construção e da operação das novas linhas.
"Todas as variáveis que estavam sob o controle da Aneel foram tratadas. Por isso, tivemos um avanço importante nesse edital com relação à questão da matriz de risco no segmento de transmissão", disse o diretor-geral do órgão regulador, Romeu Rufino.
Serão ofertados 12 lotes de empreendimentos, com extensão total de 4,6 mil quilômetros. A rede percorrerá os Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Espirito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.
A ampliação do prazo para entrada em operação foi uma das estratégias adotadas para atrair os investidores. O lote A, composto pelo trecho de rede que passa por Minas Gerais, teve o prazo ampliado de 48 meses para 60 meses. Esse foi um dos lotes rejeitados no leilão anterior.
Assim como a linha de Minas Gerais, os lotes B, C e H sofreram ajustes nas receitas máximas (RAP Máxima) fixadas no edital. Ontem, a diretoria acatou a proposta da área técnica de elevar a remuneração desses empreendimentos.
Um dos fatores que contribuíram para engordar a receita dos projetos foi o ajuste na taxa de câmbio. O indicador econômico afeta diretamente o custo de aquisição de equipamentos. Dessa vez, o órgão regulador considerou o valor do dólar em R$ 3,97, apurado já nas últimas semanas. Na previsão anterior, a agência usou a cotação da moeda americana no patamar de R$ 3,20.
Outra estratégia adotada foi reduzir o número de obras a serem executadas. Em três lotes, foram mantidas apenas as instalações prioritárias. A medida também veio no sentido de diminuir a pressão sobre os empreendedores no cumprimento dos prazos contratuais.
A Aneel também fez um ajuste nos critérios de reconhecimento do "excludente de responsabilidade".
Trata-se dos pedidos feitos por empresas para não terem que arcar com as penalidades por atrasos. "É preciso ressaltar que isso não valerá para qualquer atraso. É evidente que a responsabilidade de obter o licenciamento continua sendo do agente", disse Rufino.
Com a mudança, a fiscalização da agência deixará de aplicar sanções quando houver a comprovação de que o atraso foi causado pelos órgãos de licenciamento (Ibama, Iphan e Funai). Na visão do diretor, esse era um dos fatores que contribuíam para afugentar investidores dos leilões de transmissão.
De acordo com as regras da Aneel, vence a disputa a empresa que, isoladamente ou em grupo, aceitar receber a menor receita anual (RAP) para construir e operar as instalações. A agência prevê investimento de R$ 7,5 bilhões, com criação de 17,8 mil empregos diretos.
A RAP Máxima dos projetos fixada no edital totaliza R$ 1,3 bilhão. Os contratos são de 30 anos, podendo ser prorrogados por igual período. A contagem do prazo é feita a partir da assinatura, prevista para 4 de março de 2016. O leilão será realizado na sede da BM&F Bovespa, em São Paulo. A disputa acontecerá às 14 horas - tradicionalmente, ocorre às 10 horas. No mesmo dia, o governo planeja realizar o leilão das 29 hidrelétricas com concessões vencidas.

Valor Econômico, 07/10/2015, Brasil, p. A4

http://www.valor.com.br/brasil/4259232/para-atrair-investidor-aneel-red…

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