O Globo, Economia, p. 26
Autor: GONÇALVES, Leandra
18 de Nov de 2011
Palavras versus ação
Leandra Gonçalves
O grave vazamento de petróleo da empresa Chevron Brasil, na Bacia de Campos, alerta para a insustentável falta de segurança na exploração de petróleo em alto mar em todo o mundo, e para a dificuldade de o governo brasileiro colocar em prática suas promessas.
O acidente causou um acúmulo de petróleo no mar que pode ultrapassar a quantidade de 800 barris. O valor corresponde a aproximadamente 140 mil litros de óleo que, independentemente da selagem do poço, continuam se espalhando pelo mar ao sabor das correntes marinhas.
No ano passado, o Golfo do México teve 229 mil km2 cobertos por petróleo, no maior desastre ambiental da história americana. O mundo assistiu em choque. Na época, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) considerou o acidente "um ponto fora da curva", mas por via das dúvidas criou cinco grupos de trabalho para viabilizar um Plano Nacional de Contingência, para casos similares ao do Golfo do México. Mais de um ano se passou, e até agora nada.
Sem plano de contingência e uma infraestrutura capaz de viabilizá-lo, seria de se esperar que o Brasil vivesse em alerta. Não é o que acontece. O próprio MMA não se manifestou sobre o vazamento. Apenas o Ibama, órgão licenciador do processo, divulgou nota oficial dias depois do ocorrido. "Rigorosa apuração" dos fatos foi exigida pela presidenta Dilma Rousseff. Porém, apenas dados divulgados pela própria Chevron são veiculados.
O Brasil quer destinar cerca de 70% do orçamento do setor energético para a exploração de petróleo e gás. É hora de inverter essa prioridade e destinar o investimento a novas fontes de energia renováveis, mais seguras e limpas, como eólica, solar e biomassa. No ano que vem, o país sediará a Conferência Rio+20, defendendo um desenvolvimento mais verde e sustentável. Pelo menos em relação ao conflito entre a exploração de petróleo e a conservação da biodiversidade na costa, está na hora de mostrar que há ações por trás das palavras.
Leandra Gonçalves é coordenadora da campanha de clima e energia do Greenpeace
O Globo, 18/11/2011, Economia, p. 26
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