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ONGs apontam má gestão do Cantareira

FSP, Cotidiano, p. C4
Autor: LEITE, Marcelo
28 de out de 2014

ONGs apontam má gestão do Cantareira
Produção de água foi mantida em nível alto mesmo nos 5 meses de seca atípica em período de chuvas, dizem organizações
Aliança pela Água de SP reúne 20 entidades para combater inação do governo e falta de informação ao público

MARCELO LEITE DE SÃO PAULO

Duas dezenas de organizações lançam na quarta (29) uma Aliança pela Água de São Paulo. A articulação surge para combater o que avaliam como falta de ação do poder público e erros na administração dos sistemas de produção, sobretudo o Cantareira.
Para as ONGs, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) e a Sabesp se omitem e escondem informações. Segundo dados do ISA (Instituto Socioambiental), a retirada do Cantareira na seca sem precedentes da estação chuvosa de 2013/14 foi mantida inalterada por cinco meses, de outubro a fevereiro.
De um lado, as chuvas encolheram até 72% abaixo da média histórica nesse período. O volume armazenado no Cantareira despencou de 37% para 16,4%, mas a produção seguiu em torno de 32 m³/s.
"A crise deve se agravar em 2015, uma vez que todos os mananciais estarão depreciados, e não só o Cantareira", diz Marússia Whately, do ISA.
Também criticam o aumento apenas contábil da reservação. Além do volume morto, apontam a portaria 1.213 do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), de 2004, que permitiu incorporar volumes de reserva para enchente e estiagem ao volume útil, um adicional fictício de 17%.
A nova articulação pretende melhorar a qualidade e a disseminação das informações para enfrentar a crise.
O Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), um dos participantes, entrou com um pedido, por meio da Lei de Acesso à Informação, para que a Sabesp divulgue onde e quando vai faltar água na Grande São Paulo como resultado do racionamento branco --a "redução de pressão"-- que a empresa vem praticando.
Após recursos e atrasos, conseguiu na sexta (24) 13 mapas com curvas de nível críticas que favorecem a interrupção do abastecimento. "Sabemos que a área afetada é muito maior que isso. É um desserviço", diz Carlos Thadeu de Oliveira, do Idec.

OUTRO LADO
A Sabesp diz que encaminhou todas as informações pedidas pelo Idec. Sobre a retirada do Cantareira, afirma que executa as determinações da ANA (Agência Nacional de Águas). Em relação à redução de pressão, a companhia reitera que controla perdas de água usando essa técnica desde 2007.

FSP, 28/10/2014, Cotidiano, p. C4

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/192833-ongs-apontam-ma-gesta…

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