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ONGs apontam ''desmonte ambiental''

OESP, Nacional, p. A6
05 de Jun de 2009

ONGs apontam ''desmonte ambiental''
Entidades criticam medida provisória que regularizou posses na Amazônia

Cristina Amorim

Um grupo de 22 entidades ambientalistas e movimentos sociais lançou ontem uma nota pública de repúdio ao que chamam de "desmonte da política ambiental". Segundo eles, desde novembro, medidas do Executivo e do Legislativo "vêm solapando o compromisso político de se construir um modelo de desenvolvimento socialmente justo, ambientalmente adequado e economicamente sustentável".

O estopim foi a aprovação no Senado, anteontem à noite, de um novo texto da Medida Provisória 458/2009, que regulariza as posses na Amazônia, com itens que beneficiam o setor ruralista. Segundo as entidades, ela "abriu a possibilidade de se legalizar a situação de uma grande quantidade de grileiros, incentivando, assim, o assalto ao patrimônio público, a concentração fundiária e o avanço do desmatamento ilegal".

O superintendente de Conservação da ONG WWF-Brasil, Cláudio Maretti, afirma que a MP favorece "quem segue a lógica da derrubada", não a população tradicional amazônica. "Ela traz uma visão fundiária equivocada do Sul, de transformação da floresta em pastagem e cultura, não do aproveitamento dos recursos que estão ali."

Para o pesquisador Paulo Barreto, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o texto pode fortalecer a invasão de mais terras públicas na região, em vez de encerrá-la. "Além de ordenar as áreas ocupadas até dezembro de 2004, a MP pode deslanchar a ocupação de novas áreas, para daqui a cinco, dez anos haver mais pressão e uma nova regularização", diz.

Há 196 mil posses inscritas no Incra, mas apenas 10% são legais. O Ministério do Desenvolvimento Agrário acredita que o número chegue a 300 mil.

"Se a gente pensa no que aconteceu nos últimos 20 anos, na questão da regularização dessas posses, era uma caixa-preta. O Incra recebia esses pedidos e não dava vazão, por isso o acúmulo de posses", explica Barreto. "É essencial que exista transparência agora."

A nota também critica a tentativa de se suspender a obrigatoriedade do licenciamento ambiental para a ampliação ou a revitalização de rodovias. A questão tem provocado desavenças entre os ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e dos Transportes, Alfredo Nascimento, e facilitaria a pavimentação da BR-319, que liga Porto Velho e Manaus. Outro tema criticado é a revisão do Código Florestal, em curso no Congresso, em que se discute a diminuição da reserva legal e a "anistia" às ocupações em áreas de preservação permanente.

OESP, 05/06/2009, Nacional, p. A6

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