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Ondas de calor abalarão Europa em 2030

O Globo, Sociedade, p. 27
09 de Dez de 2014

Ondas de calor abalarão Europa em 2030

Renato Grandelle

RIO - O verão de 2003 foi traumático para a Europa. Uma onda de calor arrasou safras agrícolas, provocou estiagens e a morte de 70 mil pessoas. Nas próximas décadas, o estrago será revivido e ganhará ainda maiores proporções. Segundo o Met Office, o órgão de meteorologia do governo britânico, a estação extremamente quente - que ocorria, em média, duas vezes por século - poderá ser registrada até uma vez a cada dois anos a partir de 2030.
A temperatura na Europa Central e no Mediterrâneo aumentou 0,81 grau Celsius desde que tiveram início as medições regulares, no século passado. De acordo com o Met Office, se não houver medidas de combate ao aquecimento global, o verão no continente em 2100 será 6 graus Celsius mais quente do que hoje.
POUCAS AUTORIDADES EM LIMA
Publicada na revista "Nature Climate Change", a pesquisa agitou as negociações da Conferência do Clima (COP 20), em Lima. O encontro entrou ontem em sua segunda e última semana e começou a receber tomadores de decisão, como a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, também deve viajar para o Peru.
Ainda assim, de acordo com ambientalistas, apenas 40% dos 194 países devem despachar autoridades para o Peru, um sinal de que a convenção pode terminar esvaziada e sem a legitimidade necessária para o início dos trabalhos da COP 21, em Paris, em que as nações podem assinar um acordo global para reduzir a emissão de gases-estufa.
- O levantamento europeu deixa claro: é impossível continuar no rumo atual - condena André Nahur, coordenador de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil. - Faltam pesquisas como esta no país. Queremos traçar, até meados do ano que vem, um diagnóstico do nosso clima a partir de 2030.
Todos os países se comprometeram a divulgar, ainda em Lima, como cortarão poluentes até o fim do ano que vem. Até agora, as metas não foram acertadas.
- É difícil conter o aquecimento global a menos de 2 graus Celsius, porque prevalece a opinião de que cada país faz o que pode - lamenta Suzana Kahn, vice-presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. - A meta voluntária não vira obrigação. Sem isso, não há penalidade.
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O tufão Hagupit, que atingiu as Filipinas no sábado e deixou pelo menos 23 mortos, aumentou a preocupação de países insulares. Para eles, o fenômeno é mais uma amostra de que precisam de recursos emergenciais contra as mudanças climáticas. Outras nações, porém, preferem que os fundos sejam destinados a tecnologias para adaptação contra o aquecimento global, uma medida inviável a curto prazo.
Em entrevista coletiva, a secretária-executiva na convenção da ONU, Christiana Figueres, preferiu ressaltar as conquistas da primeira semana da COP. A principal é a adesão de novos países ao Fundo Climático Verde. O "cofre" que será usado para políticas de mitigação e adaptação tem, agora, US$ 9,95 bilhões - a meta é que ele feche o ano com pelo menos US$ 10 bilhões.
Ontem, representantes de povos indígenas brasileiros fizeram um protesto na conferência contra a aprovação da Proposta de Emenda Constituição (PEC) 215, que poderá ser votada hoje pelo Congresso. O texto passa do Executivo para o Legislativo o poder para criar unidades de conservação e homologar terras indígenas. Para ambientalistas, a medida pode abrir caminho para empreendimentos mineradores e hidrelétricos em territórios que hoje são protegidos.

O Globo, 09/12/2014, Sociedade, p. 27

http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/europa-tera-um-verao-de-tempe…

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