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Obras visitadas por Lula durante a campanha eleitoral estão atrasadas

O Globo, Economia, p, 30
10 de mai de 2007

Obras visitadas por Lula durante a campanha eleitoral estão atrasadas
Gasoduto Urucu-Manaus está em situação preocupante, segundo governo

Regina Alvarez

O balanço de cem dias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), divulgado pelo governo na segunda-feira, mostra que algumas obras visitadas ou lançadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, já no clima da disputa eleitoral, estão com o cronograma atrasado e enfrentam problemas para deslanchar. A obra do Gasoduto Urucu-Coari-Manaus, que Lula visitou duas vezes - em 2004 e 2006 - aparece no levantamento com carimbo vermelho, situação que o governo considera preocupante.

Estratégica para garantir o abastecimento de energia no Amazonas, a obra do gasoduto patina desde 2003, quando foram aprovados os primeiros estudos ambientais para viabilizá-la. Em abril de 2004, o presidente esteve em Urucu (AM) e prometeu inaugurá-la em 2006.

Em junho do ano passado, Lula voltou ao estado, desta vez visitando Coari, para um ato simbólico - um pingo de solda - que marcaria o início da obra.

"Não pensem que foi fácil.

Foram mais de dois anos entre planejar essa obra e executá-la. Foram brigas e mais brigas na Justiça Estadual, na Justiça Federal, no Ibama, no Ministério Público Federal, uma confusão. (...) Mas o resultado está aí. Essa é a segunda revolução industrial que o estado do Amazonas vive. A primeira foi a Zona Franca", disse o presidente na ocasião.

O balanço do PAC mostra que as dificuldades continuaram. Segundo o relatório, o cronograma de execução da obra está atrasado por duas razões: baixa produtividade decorrente do elevado índice de chuvas na região e deficiência na produção da empresa contratada pela Petrobras, que é responsável pelo empreendimento. O Ministério de Minas e Energia informa que o trabalho de marcação do terreno e colocação da tubulação está atrasado, mas, por enquanto, a previsão de término da obra em 2008 está mantida.

Outro exemplo de obra visitada por Lula em 2006 que está com atraso no cronograma é a Ferrovia Transnordestina, que cortará os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, interligando todo o Nordeste aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE).

No balanço do PAC, o projeto recebeu carimbo amarelo, que significa atraso no cronograma ou risco no empreendimento. Nesse caso, há problema com desapropriações das áreas ao longo da ferrovia e faltam licenças ambientais de vários trechos. Até agora só houve terraplenagem e drenagem nos cinco quilômetros iniciais de um total de 1.800 quilômetros.

Falta de licença do Ibama atrasa rodovia na Amazônia
Em junho de 2006, Lula esteve em Missão Velha, no Ceará, para fazer um relançamento das obras da ferrovia, já que o projeto original data do século passado. No dia anterior à visita, Lula dissera no programa "Café com o Presidente" que daria atenção especial às ferrovias. "Vamos retomar as ferrovias e não vamos parar mais", disse ele na ocasião.

Outra obra que aparece no balanço do PAC com carimbo amarelo é a BR-163 - que corta a Amazônia, ligando Cuiabá (MT) a Santarém (PA).

O problema apontado no relatório é a falta de licença para utilizar as jazidas situadas no Parque Nacional de Jamanxim (PA) e o desafio é a obtenção da Licença de Instalação do Ibama até junho.

Lula anunciou a retomada das obras em 5 de junho de 2006, Dia Mundial do Meio Ambiente, para mostrar que o governo tem condições de conciliar desenvolvimento com preservação da natureza.

Prós e contras
O presidente Lula reclama da maneira como a imprensa recebeu o primeiro balanço do PAC. É possível que exista um ou outro sinal de mau humor, porém não há como esconder que quase metade dos projetos do programa requer algum tipo de atenção.

O que não significa que os investimentos não venham a ser concluídos com êxito.

Um fato importante é a decisão do governo de ser aberto e transparente na comunicação do andamento do programa.

Isso facilita as críticas, uma ajuda preciosa a Lula na fiscalização de obras cruciais para ele e, principalmente, o país.

O Globo, 10/05/2007, Economia, p, 30

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