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Nova metodologia do Inpe é aprovada

OESP, Vida, p. A20
16 de Jul de 2008

Nova metodologia do Inpe é aprovada
Distinção por situações permite acompanhamento de processo

Herton Escobar

A divisão entre áreas de corte raso e de degradação florestal, que agora fará parte de todos os boletins mensais do Deter, foi bem recebida por pesquisadores presentes na 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Campinas.

Na avaliação da pesquisadora Ima Vieira, diretora do Museu Paraense Emilio Goeldi, em Belém, a qualificação dos dados permitirá um trabalho de fiscalização preventiva mais eficiente. "O desmatamento é um processo, e a degradação florestal é uma etapa disso", explicou. "Temos de acompanhar o que está ocorrendo nessas áreas para evitar que o processo se complete, chegando ao corte raso. Acho que é um avanço.'

Dependendo do estado de degradação da área, é possível até que a floresta se regenere, se o processo predatório for interrompido, disse o diretor da Fundação Amazônia Sustentável e ex-secretário de Meio Ambiente do Estado do Amazonas, Virgílio Viana.

Segundo o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, as áreas identificadas como floresta degradada não serão "recontadas" em relatórios futuros do Deter, mas continuarão a ser monitoradas via satélite para fins de fiscalização. O Ibama recebe a cada 15 dias um boletim com alertas de desmatamento - tudo incluso: corte raso, degradação, falsos positivos e negativos. Sobre o resultado divulgado ontem, ele manifestou otimismo: "Enxergamos uma área maior, incluindo todo o Arco do Desmatamento, e ainda assim a área desmatada foi menor", disse. "É algo que me deixa esperançoso."

AÇÕES ESPETACULARES

A organização ambientalista Greenpeace não demonstrou o mesmo contentamento. "Não basta ficar discutindo todos os meses se os números aumentaram ou diminuíram. A principal questão é: o governo está agindo em tempo hábil, usando os alertas do Deter, para zerar o desmatamento na Amazônia? A resposta é: à parte algumas ações espetaculares pontuais, o Brasil não tem feito o dever de casa", avaliou, em nota, Paulo Adario, coordenador da Campanha Amazônia, do Greenpeace.

No texto, a ONG diz que o governo "precisa enfrentar" as principais causas da destruição da Amazônia, "que são de conhecimento de todos": aumento da fronteira agrícola, exploração ilegal e predatória de madeira, transferência de população carente para a região, por falta de um programa eficiente de reforma agrária em outras áreas do País e queima da floresta para a produção de carvão, para atender às demandas das mineradoras.

OESP, 16/07/2008, Vida, p. A20

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