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Mulheres indígenas discutem direitos

O povo - CE
Autor: Rita Célia Faheina
11 de abr de 2007

Mulheres representantes de diversas tribos indígenas do Ceará participam até amanhã de um encontro na Lagoa Encantada, no município de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza. Elas discutem educação, saúde e violência

CACIQUE Pequena, da tribo Jenipapo-Kanindé, luta com pelo cumprimento dos direitos indígenas assegurados pela Constituição Federal(Foto: ALEX COSTA)
CACIQUE Pequena, da tribo Jenipapo-Kanindé, luta com pelo cumprimento dos direitos indígenas assegurados pela Constituição Federal(Foto: ALEX COSTA)

"Quem ama não xinga, não briga e não mata". É o tema da palestra e debate marcados para hoje, a partir das 15 horas, na Lagoa Encantada, que fica nas proximidades da Praia do Iguape, em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, com a presença de cerca de 200 mulheres indígenas. Elas participam do I Encontro de Mulheres Indígenas do Jenipapo-Kanindé que começou na última segunda-feira com representantes também de outras etnias que vivem nos municípios de Crateús, Poranga, Monsenhor Tabosa, Aratuba, Canindé, Maracanaú e Itarema.

Hoje, pela manhã, antes das atividades, as mulheres vão dançar o toré. Para os índios, o toré representa a vida. É uma louvação ao pai Tupã e à mãe Tamain, onde também são invocados os espíritos dos antepassados. Quando vão dançar, os índios se enfeitam de pinturas e vestimentas. Usam tangas, cocares, anéis e colares. Isso, segundo eles, para uma harmonia na comunicação entre o mundo dos homens e o mundo sobrenatural.

Depois da louvação aos deuses, as mulheres indígenas vão participar hoje de uma palestra sobre educação, tema também de um grupo de trabalho formado no Encontro. No começo da tarde, serão exibidos vídeos sobre violência contra a mulher. À noite, a partir das 20 horas, tem apresentações artísticas e culturais.

A demarcação das terras, os direitos da mulher indígena, a prevenção de doenças como o câncer de mama e do colo do útero, das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e Aids, são outros temas em debate no Encontro. Elas também terão sessões de massagens, biodança e ensinamentos sobre plantas medicinais. No evento, organizado pelas Associação das Mulheres Indígenas Jenipapo-Kanindé, estão programados a dança do toré e a avaliação do encontro.

SAIBA MAIS

A etnia Jenipapo-Kanindé é uma das quatro reconhecidas pelo Governo Federal no Ceará. As outras são os Tremembé (Itarema/Acaraú), Tapeba (Caucaia) e Pitaguary (Maracanaú/Pacatuba). Na tribo Jenipapo-Kanindé, em Aquiraz, vivem cerca de 80 famílias com a liderança da Cacique Pequena. Maria de Lourdes da Conceição Alves foi escolhida para liderar a tribo dos Jenipapo-Kanindé, em 1995. A tribo que ficara sem cacique, com a morte do anterior e quase foi dizimada, entregou seu destino à Pequena, como é chamada. Ela é a primeira mulher cacique do País e luta com os demais pelo cumprimento dos direitos indígenas assegurados pela Constituição Federal

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