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Megaprojeto da Vale em Carajás consegue licença para sair do papel

OESP, Economia, p. B8
04 de Jul de 2013

Megaprojeto da Vale em Carajás consegue licença para sair do papel
Orçado em US$ 19,7 bilhões, o projeto Serra Sul será o maior investimento da história da mineradora brasileira

Mônica Ciarelli e Mariana Durão - O Estado de S.Paulo

A Vale obteve ontem o aval que faltava dos órgãos ambientais para tirar do papel o megaprojeto de minério de ferro Serra Sul (S11D), em Carajás, no Pará. Orçado em US$ 19,7 bilhões, o investimento será o maior da história da mineradora.
Desde que assumiu o comando da Vale, em maio de 2011, Murilo Ferreira, trata do investimento como prioridade zero dentro da companhia. No ano passado, a empresa anunciou um plano de desinvestimento para centrar forças no desenvolvimento de ativos estratégicos como S11D.
A licença de instalação do projeto era esperada há cerca de um ano e libera o início das obras na mina e na usina de beneficiamento de minério de ferro. O projeto nasce com capacidade de produção de 90 milhões de toneladas. "A infraestrutura permite dobrar a capacidade de produção no futuro apenas com pequenos ajustes", afirmou Ferreira ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.
A previsão é iniciar as operações em Serra em setembro de 2016 e chegar à capacidade plena em 2018. A Vale já tinha nas mãos a licença de instalação da parte logística do projeto (ferrovia e porto) - juntas essas duas áreas irão consumir investimentos de US$ 11,4 bilhões. Outros US$ 8,1 bilhões serão aportados na mina e na usina.
Segundo Ferreira, a Vale já comprometeu US$ 2,7 bilhões do orçamento deste ano para obras em Serra Sul.
O projeto receberá desembolsos pelos próximos cinco anos, mas, a maior concentração está entre 2014 e 2015. A maior parte do financiamento está acertada com Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e banco de fomento do Japão (JBIC). Mas, Ferreira admite que outras fontes de recursos também podem ser acessadas. Entre elas, o lançamento de bônus a depender das condições do mercado de capitais.
Segundo o presidente da Vale, o projeto está adiantado com 95% da engenharia concluída e 60% da parte de suprimento acertada.
"O minério de Serra Sul é ainda melhor (em teor) do que o da Serra Norte", disse. O teor desse insumo chega a 66,7%. Hoje, a Vale é a líder mundial em produção de minério de ferro, com 310 milhões de toneladas/ano. A Rio Tinto, segunda colocada, produz 230 milhões de toneladas e subirá para 290 milhões em 2014. Com a entrada de Serra Sul em 2016, a Vale volta a ampliar essa diferença.
Mercado. Segundo Ferreira, a expectativa de desaceleração do crescimento da China, principal compradora de minério de ferro, não assusta. "Quem tem de se preocupar com desaceleração da China é quem tem minério de baixa qualidade e custo elevado", disse. "Somos líderes de mercado e temos que tomar decisões de longo prazo. Não dá para adivinhar como estará o mercado em 2018 ou 2023."
As licenças para a parte logística do projeto (porto e ferrovia) já estavam equacionadas. A Vale terá sua capacidade logística ampliada em 230 milhões de toneladas, a partir da construção de um ramal ferroviário da Estrada de Ferro Carajás até Serra Sul e das instalações portuárias do Terminal 4 de Ponta do Madeira. O porto estará concluído no fim de 2014 e a parte ferroviária fica pronta em 2015. O braço logístico do projeto S11D consumirá recursos de US$ 11,4 bilhões.

OESP, 04/07/2013, Economia, p. B8

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,megaprojeto-da-vale-em-cara…

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