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Marina diz ver retrocesso na política ambiental

O Globo, O País, p. 10
01 de Set de 2009

Marina diz ver retrocesso na política ambiental
Para ex-ministra, contraventores apostam na capacidade do Estado de perdoar

Flávio Freire

Um dia depois de se filiar ao PV, a senadora Marina Silva (AC) disse que há retrocesso nas políticas ambientais do governo e acusou o Congresso de atender setores ligados ao desmatamento ilegal da floresta amazônica. Ao fazer um diagnóstico sobre a lei que prevê o repasse de 67 milhões de hectares de terra para os chamados "particulares", quando ela, então ministra do Meio Ambiente, sustentava o repasse de 7 milhões de hectares, argumentou que esse tipo de medida acontece "porque os contraventores apostam na capacidade do Estado de perdoar".

- Alguns retrocessos aconteceram depois dessa saída (quando ela deixou o ministério). A medida provisória transferiu 67 milhões de hectares de terras na Amazônia para particulares quando precisávamos de apenas 7 milhões para atender 80% dos posseiros. Foi algo muito preocupante, um retrocesso - disse, ao participar ontem da gravação do "Programa do Jô", da TV Globo.

- Qual a ideia que o ministro Mangabeira Unger teve? Que o que está lá nós vamos regulamentar e, a partir de agora, é outra história. Não é outra história, porque contraventores apostam sempre na capacidade, entre aspas, que o Estado tem de perdoar suas contravenções. É como se fosse uma senha para que novas pessoas continuem invadindo, na perspectiva de que, lá na frente, haverá uma medida provisória que vai de novo tratar como fato consumado - disse Marina.

Na entrevista, a senadora afirmou haver pressões contra as políticas ambientais. Mais tarde, indagada sobre quem pressionaria o governo, disse que seriam setores "ligados ao Congresso":
- (São) esses setores envolvidos com a ocupação ilegal que serão beneficiados. Não está se questionando os que têm direito (à terra), que foram lá por incentivo do governo. O problema é aqueles que utilizaram de violência, ocuparam ilegalmente as terras.

Para Marina, a regulamentação pode prejudicar a preservação ambiental.

- Há um risco de que o desmatamento volte a crescer. Combater as ilegalidades e a fiscalização não são suficientes. Tem que ter uma substituição do modelo predatório por um novo.

Embora insista que o debate sobre sua eventual candidatura só ocorrerá em 2010, Marina brincou com Jô Soares quando ele lhe disse que ela estava com saúde para enfrentar qualquer eleição
- Deus te ouça!
Mais tarde, para jornalistas, mostrou ligeira irritação quando perguntada se apoiaria o PT ou outro partido numa reta final da campanha presidencial:
- Por que você já está eliminando o meu partido no primeiro turno?

O Globo, 01/09/2009, O País, p. 10

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